Sua Curiosidade Pode ser sua Desgraça...


Sempre fui fascinado por mistérios, principalmente os que eram aparentemente impossíveis de serem explicados, sempre procurava uma solução, uma forma de resolve-los, nem sempre com exito, mas sempre tentava. Meu pai era médium, ele sempre falava que via e conversava com pessoas que nem eu e minha mãe não éramos capazes de ver. Bem, quando eu era pequeno tinha um amigo imaginário, seu nome era Santiago, ele sempre me ajudava a resolver os pequenos mistérios de minha infância e sempre que eu falava o quanto impressionante ele era, ele respondia com a mesma frase: ''Como o melhor detetive que o mundo já viu, seria vergonhoso não poder resolver tal caso''. Uma frase clichê de desenhos animados na minha opinião, mas me lembro de ver meu pai falando com ele uma certa vez, se não me falha a memória eles estavam discutindo um meio de selar algo para o bem de alguém... naquela época eu não dei atenção a essa conversa.

Se Santiago era real ou não isso não importa muito agora, mas continuando a história, depois de ouvir essa conversa cada vez que Santiago aparecia para me ajudar ele estava mais transparente e sua voz parecia estar mais distante, depois de um tempo eu não podia mais tocá-lo, minha mão passava por ele até chegar ao ponto de ele sumir completamente. Fui perguntar ao meu pai o porque de Santiago ter sumido, ele respondeu: ''Amigos imaginários somem com o passar do tempo, é normal'', então rebati sua afirmação: ''Mas os seus não somem'', ele sorriu, veio até mim e falou: ''Sumiram sim, e sumiram e nunca mais vão voltar''.

Continuei minha vida normalmente, até que anos depois me tornei um detetive renomado, sempre resolvendo casos de assassinatos e prendendo seriais killer's e nas horas vagas era detetive paranormal, pois queria um grande mistério e que mistério seria maior do que os espíritos? Admito que não era muito requisitado, pois na maioria das vezes fui chamado para desvendar casos reais. A maioria eram pessoas querendo enganar programas de TV e eu sempre acabava por descobrir o que estava na casa, ou seja, rádios em paredes, sensores de movimento... Acabava desmascarando essas pessoas, muitas vezes sem querer. Uma vez encontrei uma espécie de aparelho que produzia ondas sonoras usado para enganar as pessoas como se fossem as ''habilidades'' do suposto médium lá presente.

Tudo ia bem na minha vida, tirando o desconforto de nunca ter visto nada sobrenatural sendo que meu falecido pai, que morreu em um acidente de carro, era médium. Um dia fui chamado estranhamente como detetive e detetive paranormal ao mesmo tempo para o mesmo caso. Fiquei muito surpreso, porque estava sentindo pela primeira vez na vida, que esse desconforto de nunca ter presenciado algo sobrenatural poderia finalmente acabar naquela noite.

Fui literalmente correndo para o lugar, pois não era muito distante de minha casa e eu estava muito eufórico. Chegando lá vou até os policiais que estão no local para pedir informações, eles me contam que um garoto foi encontrado no quarto encostado em uma parede de pé com uma faca atravessando seu peito esquerdo e transpassando a parede deixando-o lá pregado. Fiquei intrigado, pois nunca antes havia presenciado tal situação. Bem, logo após falar com os policiais fui até a família que havia me contratado, eles alegaram que o garoto mexia com magia negra e recentemente falava que via muitos vultos pela casa, e no dia anterior estava surtado e paranóico como se estivesse prevendo que morreria.

Fui checar o quarto do garoto. Chegando lá encontro seu corpo da mesma forma descrita pelos policiais, bem do lado da porta, de frente para uma janela aberta, logo deduzi a possibilidade de o assassino ter entrado e fugido por ela, dei uma breve examinada no corpo e em seu rosto estava esculpido um terror tão intenso que parecia ainda sofrer com as dores da perfuração em seu peito. Porém, um detalhe chamou minha atenção: ele estava olhando para o armário ao seu lado e não para a janela por onde o assassino poderia ter saído. Chequei o armário e não encontrei nada, mas resolvi afastá-lo um pouco, escutei algo cair por detrás do armário, era um livro de capa preta, peguei-o é claro.

No momento peguei o livro ouvi um grande estalo em minha cabeça, comecei a sentir uma forte vibração negativa naquele quarto, nunca em toda minha vida havia sentido algo assim. Fiquei tonto e ouvi outro estalo ainda mais alto e ao olhar novamente para o corpo vejo o garoto gritando desesperado tentando pegar algo em seu armário. Fiquei muito assustado, gritei e caí batendo a cabeça na mesa do computador do garoto. Os policiais vieram a meu encontro para saber o que tinha acontecido, como eles não escutaram os gritos do garoto, respondi que não tinha acontecido nada, afinal quem acreditaria que o menino "ressuscitou" e deu seus últimos gritos somente para min? Sai daquele local levando o livro comigo.

Saindo da casa percebi que tudo estava diferente, ví sombras segurando os ombros de alguns policiais, uns vultos, umas pessoas vestidas de branco andando pela rua, mas ninguém podia ver tais coisas, logo pensei: ''Eu finalmente minha mediunidade acordou! Impressionante, porém assustador''. Me despedi da família e falei para os policiais me enviarem o relatório por e-mail pois não havia mais o que fazer lá.

Andando pela rua vejo e sinto várias coisas que antes não percebia, chegando em casa corri para minha mesa de trabalho e comecei a ler o livro, nele havia formas de como invocar, evocar e controlar demônios, como afastar os de baixo nível e atrasar a ação dos de alto nível. Eu estava incrivelmente encantado com quantas coisa haviam alí, e ainda mais agora que eu poderia vê-las e sentí-las, agora eu era um médium igual o meu pai. Até ai tudo estava indo bem, de repente escuto passos vindos do meu quarto e começo a sentir uma "presença". Assutado pego minha arma e me viro rapidamente, não vi nada, mas os passos continuaram e ao olhar para o teto me deparo com uma criatura negra me olhando, me assustei, ele pulou no chão. A criatura possuía chifres e era completamente negra, porem era possível ver com perfeição seu rosto, olhos pretos e um grande sorriso.

Ficou me olhando por um tempo ate eu quebrar o silêncio: ''Quem é você?''.
Ele respondeu uma voz que mais parecia com um arrastar de barras de ferro no chão: ''Pode me chamar de Victor''
''Oque você quer?'' - perguntei.
''Antes de responder irei lhe contar uma breve históri. Eu estava apenas de passagem por umas casas atrás de diversão, então encontro um jovem homem capaz de ver fantasmas e este mesmo homem tem um filho que também era capaz de vê-los, então decidi que iria comer a alma dos dois, mas meu plano foi interferido por um fantasma chato chamado Santiago que ajudou o jovem homem a selar a sua capacidade de médium e a do seu filho sendo assim não seria mais gostoso comer suas almas. Em um ato de fúria comi a deliciosa alma de Santiago e matei o jovem homem... mas seu filho não, pois um dia eu conseguiria fazer com que ele recuperasse suas habilidades e aqui estamos nós.'' Ele terminou de fralar com um grande e sarcástico sorriso.
''Impossível, meu caro Victor... Meu pai morreu em um acidente de carro, não foi você que o matou.'' Ele sorriu ainda mais. ''Meu caro Arthur, você acha que seu pai morreu pela livre e espontânea vontade de Deus ou pela pequena interferência do 'Diabo'?'' Fiquei paralisado sem saber oque fazer, se não fizesse nada iria ter minha alma devorada por aquela criatura.

Repentinamente lembrei de ter lido em algum lugar que dá para afastar qualquer tipo de demônio temporariamente usando ferro, então atirei nesse ser e ele desapareceu, mas antes de sumir falou que eu não teria escapatória, para onde eu fosse ele também iria.

Então parti em uma viagem sem dia certo para voltar, passando de cidade em cidade, biblioteca em biblioteca para encontrar alguma forma de acabar com ele, mas a única não encontro informações úteis, só sei que ele é um demônio, cujo o nome real é desconhecido, que sempre se apresenta como Victor, um dos demônios mais poderosos do inferno, ele que adora comer almas de médiuns pois tem um gosto mais suave e divino. Há também relatos de que ele é um dos anjos caídos. Não encontrei nenhuma forma de pará-lo... Não posso deixar ele se aproximar, não posso ficar muito tempo em nenhuma cidade, ele sempre aparece e faz questão de causar mortes e desastres antes de vir até mim, ele esta brincando comigo!

Eu não deveria ter desejado ver essas coisas, talvez se eu não tivesse ido atrás do sobrenatural... Eu poderia não ter achado o livro e assim ainda seria um detetive normal. Agora me arrependo disso. E como última forma de esperança coloco a minha história na internet... Quem sabe alguém possa me ajudar Provavelmente estarei morto antes da ajuda chegar... Mas quem sabe, né? Não custa tentar!

Gostaram? Comentem. E se puderem dar ideia para um título melhor, agradeço... estou sem ideias para um bom título '-'. Ate a próxima... ~Luan

6 comentários:

  1. Foda u.u Adorei, foi bem escrito e eu, apesar de um pouco cruel, tava torcendo para ele morrer ~.~

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  2. acabei de ver chaves, em desenho animado, com o epsódio sobre os espíritos zombeteiros, taí, crie algo sobre sonambulismo.

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  3. Muito boa a creepy, gostei! Fiquei com dó do Santiago e do pai do Arthur, espero que ele tenha conseguido se safar. Você mesmo escreveu o conto? Ficou muito bom! ^-^

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    1. Parabéns, ficou realmente muito bom. Dá até brechas para uma continuação... ;D

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  4. Gostei do conto, só acho que o final poderia ser melhor.

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