Um mistério chamado Black Knight



Na órbita de nosso planeta estaria um misterioso objeto, que seria um satélite alienígena, que nos estuda e emite estranhos sinais codificados... É sério! Ele foi oficialmente detectado por uma equipe de pesquisadores americanos em 1960 e até a NASA teria tirado fotos deste misterioso objeto, chamado "Black Knight".


Para começar nosso post, vamos voltar até o ano de 1889, o grande inventor e responsável por usarmos a corrente alternada, Nicola Tesla, desenvolveu um radio transmissor de alta voltagem. Tesla reparou que seu radio transmissor estava recebendo sinais elétricos que pareciam ser de origem inteligente e desconhecida, e comunica a imprensa, afirmando que estava recebendo sinais que vinham de Marte, mas logo em seguida voltou atrás, afirmando não saber a origem exata.

Passaram algumas décadas, em 2 de setembro de 1921, foi a vez do inventor do rádio Guglielmo Marconi afirmar em entrevista ao jornal The New York Times que estava recebendo inúmeros sinais artificiais de características inteligentes vindos do espaço.

Várias pessoas continuam captando sinais do espaço, e em 1957 o Dr. Lincoln La Paz da universidade do Novo México, também diz ter interceptado um sinal de origem desconhecida.

Com tanta gente interceptando este sinal, o departamento de defesa americano resolve investigar e designa o astrônomo Dr. Clyde W.Tombaugh para a missão. Tombaugh foi o astrônomo que descobriu o ex-planeta Plutão, em 1930. Adivinha... o resultado de suas pesquisas nunca foi divulgado pelo Pentágono.

Satélite Sputnik I
Agora um dado muito interessante que deve ser lembado: não havia nenhum, zero satélites no espaço até o momento, e o Sputnik 1, o primeiro satélite enviado pelos humanos para o espaço, só seria lançado em 4 de outubro de 1957 e só emitia um simples Beep que qualquer rádio poderia capturar. Em 3 de novembro foi enviado o Sputnik II, levando a cadela Laika ao espaço.

Agora que nossa órbita tem satélites, muitas pessoas sintonizam seus rádios para ouvir o Beep e outros procuram tirar fotos deles, como fez o Dr. Luiz Corrales do ministério de comunicações da Venezuela. Ele estava em Caracas e posicionou sua câmera para tirar uma foto do Sputnik II que passaria sobre a cidade. Ao observar a foto, ele viu que algo estava seguindo a nave, e mais, diferentemente dos Sputnik I e II,  o misterioso satélite orbitava a Terra de leste para o oeste. Os satélites russos e estadunidenses dessa época se deslocavam do oeste para o leste, pois precisavam utilizar a rotação natural da Terra para impulsioná-los em órbita.

Operadores de rádio então, que tentavam ouvir o Beep do Sputnik I começam a receber mensagens do misterioso satélite que está seguindo nosso primitivo satélite. Estes sinais são do tipo LDE (Long Delay Radio ou Ecos de Longo Atraso), ecos das transmissões via rádio que retornam ao próprio transmissor depois de uma determinada transmissão. São considerados LDE´s atrasos com mais de 2,7 segundos. Ou seja, alguém estava retransmitindo as ondas de rádio em diferentes intervalos. Os intervalos podem ser até de dias!O misterioso satélite Black Knight é detectado

Seria esta uma foto do satélite Black Knight
 ou apenas lixo espacial?
Tesla capturou o sinal, Marconi e vários outros cientistas também. Foi encomendado um relatório sobre estes sinais para o descobridor do planeta Plutão, Tombaugh. Mas o mais importante ocorreu no ano de 1960 quando o satélite é descoberto pelo sistema de defesa aérea norte americana (north américa air defence system, a antecessora de NORAD).

Algumas características, do objeto que passou a ser chamado Black Knight (Cavaleiro Negro):

- Foi identificado em órbita polar, algo que nem EUA e URSS poderia fazer
- Move-se em uma órbita de leste a oeste, ao contrário de todos os outros satélites da época
- Calculado como tendo 15 toneladas, o que seria muito pesado para os foguetes daquela época.
- Viajava duas vezes mais rápido do que qualquer satélite conhecido.
- Testemunhas que o avistaram visualmente relataram um objeto piscando em vermelho

Robert L. Johnson, diretor do Planetário Adler, disse: "O objeto nem mesmo tem a decência de manter um horário regular, como qualquer outro objeto celeste ou feito pelo homem. Não sabemos quando ele aparecerá. Ele aparece algumas noites e outras não"

Até a conceituada revista TIME falou sobre o misterioso satélite na sua edição de 7 de março de 1960
Três semanas atrás, manchetes anunciaram que os Estados Unidos tinham detectado um misterioso satélite “escuro” trafegando acima em órbita.  Houve uma especulação de que ele poderia ser um satélite de vigilância lançado pelos russos, e isso trouxe alguma ansiedade devido ao fato de que os EUA não sabiam o que estava acontecendo por sobre suas cabeças.  Mas, na semana passada, o Departamento de Defesa orgulhosamente anunciou que o satélite havia sido identificado. Era um objeto espacial abandonado, os restos do satélite Discoverer da Força Aérea, que tinha saído fora do seu trajeto.  O satélite escuro foi o primeiro objeto a demonstrar a eficácia na nova vigilância dos EUA no espaço.  E as três semanas que demoraram para identificarem o satélite foi prova de que o sistema ainda necessita uma coordenação completa e que alguns problemas ainda devem ser solucionados…
Artigos dos jornais St. Louis Dispatch e The San Francisco Examiner sobre o satélite desconhecido
Então, em 3 de setembro de 1960, ele teria sido fotografado pela Grumman Aircraft Corporation. A equipe de solo da empresa tinha ocasionalmente visto o satélite por duas semanas. Um comitê foi formado para examinar o caso, mas nada mais foi exposto publicamente.

E o astronauta Gordon Cooper, que foi para uma missão de 22 missões ao redor da Terra no ano de 1963 também diz ter visto um objeto com verde brilhante na frete de sua capsula, e que até a estação de rastreamento Muchea, na Austrália, para a qual Cooper reportou o incidente, também foi capaz de captar o objeto no radar, o qual viajava em uma órbita do leste para o oeste.

Para o célebre astrônomo russo Alexander Petrovic Kazantzev o Black Night não é um satélite, mas uma minúscula nave espacial, sem equipagem, que foi abandonada no cosmo há milhares de anos por uma gigantesca nave-mãe. Por algum tempo, ela prosseguiu na mesma órbita da nave principal. Depois, há uns 5 ou 10 mil anos, a astronave-mãe mudou sua órbita distanciando-se no espaço e o Black Night continuou sozinho. Talvez ele tenha sido também tripulado por extraterrenos, e depois abandonado.

A Nasa tirou fotos do Black Knight?

No ano de 1987 a NASA enviou para o espaço a  missão STS-088 do Ônibus Espacial Endeavour. Ela fotografou um misterioso objeto orbitando a Terra e algumas fotos do objeto estão no site da NASA, classificadas como lixo espacial. Este lixo é enorme e para alguns estas fotos poderiam ser do misterioso satélite Black Knight. Você pode ver as 5 fotos no site da NASA:

Veja no site da NASA STS088-724-65.JPG
Veja no site da NASA STS088-724-66.JPG
Veja no site da NASA STS088-724-67.JPG
Veja no site da NASA STS088-724-68.JPG
Veja no site da NASA STS088-724-69.JPG
Veja no site da NASA STS088-724-70.JPG

O vídeo abaixo é bem explicativo e usa estas imagens para mostrar a nave. Lembre-se que é somente um palpite que estas fotos estão mostrando o satélite Black Knight.



Montagem feita a partir das fotos disponíveis no site da NASA. Black Knight ou lixo espacial?
O gráfico de Duncan Lunan

O cientista e astrônomo escocês Duncan Lunan
Os primeiros LDEs foram registrados em 1927 pelo engenheiro civil Jorgen Hal (Oslo, Noruega). Hal percebeu um inesperado eco logo depois de uma de suas transmissões. Outros LDEs foram registrados em 1928 e 1934. É muito difícil detectar LDEs. Em 2010 Rádio amador alemão Pedro Brogl (DK6NP) testemunhou novamente o fenômeno.

Em 1973 o cientista e astrônomo escocês Duncan Lunan revelou ter decodificado uma das transmissões de LDEs de 1927 e 1928 e publicou na revista Spaceflight, da Sociedade Interplanetária Britânica (BIS) os resultados. Duncan traçou uma linha central vertical da seqüência de pulso transmitida com um eixo horizontal de tempo de eco de atraso. O resultado? Um mapa estelar que foca o sistema estelar Epsilon Bostes (como era a 13,000 anos atrás visto da terra).

Gráfico feito por Duncan publicado na revista SpaceFlight
Sistema estelar Epsilon Bostes a 13.000 anos atrás
Mas não bastasse ele formar um mapa, ele usou a cabeça mais um pouco e descobriu que os pontos do seu mapa formavam uma mensagem! Me lembou o filme Contato esta parte :)

Lunan foi capaz de traduzir em Inglês simples o significado dessas discrepâncias de atraso de eco, provando talvez que eles são manipulações propositais dirigidas por uma inteligência avançada.

Livro de Duncan disponível
na Amazon. Clique.
Mensagem original em  inglês:
START HERE.
OUR HOME IS EPSILON BOOTIS.
WHICH IS A DOUBLE STAR.
WE LIVE ON THE 6th PLANET OF 7 - CHECK THAT, 6th OF 7 -
COUNTING OUTWARDS FROM THE SUN
WHICH IS THE LARGER OF THE TWO.
OUR 6th PLANET HAS ONE MOON,
OUR 4th PLANET HAS THREE,
OUR FIRST AND THIRD PLANETS EACH HAVE ONE.
OUR PROBE IS IN THE ORBIT OF YOUR MOON
THIS UPDATES THE POSITION OF ARCTURUS SHOWN ON OUR MAPS.

Traduzindo para nosso idioma:
Comece por aqui.
Nossa casa é Episilon Bootis.
Que é uma estrela dupla.
Vivemos no sexto planeta de 7 - Verifique se, 6 de 7 -
Contando para fora a partir do sol
Que é o maior dos dois.
Nosso sexto planeta tem uma lua.
Nosso quarto planeta tem três,
Nosso primeiro e terceiro planeta tem cada um tem uma.
Nossa sonda está na órbita de sua lua
Isso atualiza a posição dos ARCTURUS mostrados em nosso mapas.

Para Duncan, há 12.600 anos, está orbitando dentro do nosso sistema solar um satélite artificial, que tem armazenado um completo programa informativo para a humanidade. O computador a bordo desse satélite estaria programado de forma a reagir a ondas de rádio, provenientes da Terra, sempre que a sua própria posição em relação à Terra for propícia para uma recepção.

Rapaz, que que é isso! Tem noção? O feito foi noticiado na conceituada revista Time e CBS.

Em 1976 a suposta mensagem foi refutada e Lunan desistiu dela. No entanto, em 1998, ele reinterpretou parte dela, com o apoio da astronomia de posição.

Cadê o satélite Black Knight?

As teorias sobre cadê o misterioso satélite são muitas:

- Foi capturado em 1972 em uma missão secreta da NASA e os cientistas que o investigaram morreram. Caso de Carl Sagan (Maldição de Tutancâmon!)

- Tem uma órbita de 15 a 20 anos e só retornará no ano de 2016.

- Nos últimos anos, não conseguimos mais vê-lo, principalmente por ser muito pequeno e se encontrar a tal distância que só pode ser observado em noites claras, e sob condições atmosféricas extremamente favoráveis. Além do mais, sua órbita dista cerca de 50 mil quilômetros da Terra.

Conclusão
O que podemos concluir de tudo isto é que muitos cientistas renomados captaram sinais emitidos do céu que pareciam ser emitidos por alguma inteligência sem que existissem satélites na órbita de nosso planeta e que um misterioso satélite foi avistado e detectado por cientistas americanos, e que as características dele são incompatíveis com a tecnologia disponível na época, sugerindo algo extraterrestre.

E para você, com base em todas estas informações, o que acredita?

Adendo
Nos comentários da matéria publicada no site OVNIHoje, o usuário JAM publicou um trecho do livro “O OURO DOS DEUSES” do Erik Von Däniken sob o título:

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“Há 13.000 Anos – Há um Satélite Artificial em Órbita Dentro do Nosso Sistema Solar”

Em dezembro de 1927, o Professor Carl Störmer, de Oslo, soube que dois norte-americanos, Taylor e Young, captaram sinais de rádio que, retardados de uma maneira esquisita, vieram do cosmo.

Störmer, perito em ondas eletromagnéticas, entrou em contato com o holandês Van der Pol, do Instituto de Pesquisas da Philips, em Eindhoven, Holanda. Em 25 de setembro de 1928 ficou resolvido empreender em uma série de pesquisas, prevendo a emissão de radiossinais de vários comprimentos de onda, em intervalos de 30 segundos. Três semanas depois, a 11 de outubro, esses mesmos sinais emitidos tornaram a ser registrados no aparelho receptor, para onde voltaram, mas com retardamentos de 3 a 15 segundos.

O registro da recepção dos radiossinais acusou os seguintes intervalos, em segundos: 8 segundos – 11 – 15 – 8 – 13 – 3 – 8 – 8 – 8 – 12 – 15 – 13 – 8 – 8.

Treze dias mais tarde, em 24 de outubro, foram recebidos outros 48 sinais, previamente emitidos. Na revista “Naturwissenschaft”, de 16 de agosto de 1929, em seu número 17, o Professor Störmer comunicou o fato aos seus colegas.

Em seguida, surgiram teorias tentando explicar esse retardamento na recepção de impulsos de ondas curtas. Pensou-se em irradiações cósmicas ou reflexões da luz e de outros astros. Nenhuma das explicações oferecidas era satisfatória. Por que foram recebidos em intervalos irregulares? O fenômeno repetiu-se em 1929, nos dias 14, 15, 18, 19 e 28 de fevereiro e, ainda, nos dias 4, 9, 11 e 23 de abril. Em todo o mundo esses ecos foram registrados por diversos grupos, que trabalham independentemente um do outro. Dentro de um período de 15 minutos, o Professor Störmer registrou os seguintes intervalos em sua recepção:

15 segundos – 9 – 4 – 8 – 13 – 8 – 12 – 10 – 9 – 5 – 8 – 7 – 6 – 12 – 14 – 12 – 8 – 12 – 5 – 8 – 12 – 8 – 14 – 14 – 15 – 12 – 7 – 5 – 5 – 13 – 8 – 8 – 8 – 13 – 9 – 10 – 7 – 14 – 6 – 9 – 5 – 9.

Em maio de 1929, dois especialistas franceses em radioeletricidade, J. B. Galle e G. Talon, estavam a bordo do barco “Inconstant”. Sua tarefa era a de investigar os efeitos da curvatura do globo terrestre em ondas de rádio. Seu equipamento era um transmissor de ondas curtas de 500 watts com um cabo de 20 m, ancorado em um mastro de 8 m. Emitiram diversos sinais curtos e o eco repetiu-se. Entre as 15:40 e 16:00 h seus sinais voltaram em intervalos de 1 a 32 segundos.

Também neste caso não houve explicação. Essas observações repetiram-se nos anos de 1934, 1947, 1949 e em fevereiro de 1970. Entrementes, o jovem astrônomo escocês Duncan Lunan veio a interessar-se pelo fenômeno. Já em 1960, o Professor R. N. Bracewell, do Instituto Radioastronômico da Universidade Stanford, EUA, havia dito:

– Se uma inteligência alienígena quisesse entrar em contato conosco, possivelmente, isto se daria mediante a transmissão retardada de radiossinais.

Duncan Lunan, presidente da “Scottish Association for Technology and Research” – Associação Escocesa de Tecnologia e Pesquisa – tomou então a iniciativa de investigar o retardamento dos sinais. O resultado obtido era de pasmar: quando registrados em apropriado gradiente, os sinais recebidos em 11 de outubro de 1928 deram o mapa da Epsílon-Erídani, estrela fixa, 103 anos-luz distante da Terra.

Lunan pesquisou, em seguida, todos os dados existentes dos anos 20 e 30, que permitiram a identificação inequívoca de toda uma série de estrelas. Medições do eco retardado possibilitaram a confecção de seis mapas celestes diversos; todos esses mapas deram ampliações da área ao redor de Epsílon-Erídani. Este fenômeno foi comentado pelo Prof. Bracewell da seguinte maneira:

“Os mapas celestes, confeccionados em base da análise de Lunan podem ser interpretados como uma possibilidade de comunicação, tentada por uma inteligência alienígena. Se quero comunicar a alguém, cujo idioma desconheço, de onde provenho, então valho-me, preferivelmente, de uma imagem, de um meio visual. Constitui para mim motivo de satisfação o fato de a “British Interplanetary Society” dedicar estudos aprofundados a esse eco. Esta pesquisa poderia culminar com uma descoberta aterradora. A sonda descrita por Lunan nunca poderia ser avistada da Terra, nem com o telescópio mais potente.”

No periódico “Spaceflight”, 1973, Lunan publicou os resultados dos seus cálculos até então realizados, sob o título Satélite de “Spaceprobe from Epsilon Boötis – Prova do espaço, da Epsílon-Erídani”. Ele chega à conclusão de que, há 12.600 anos, está orbitando dentro do nosso sistema solar um satélite artificial, que tem armazenado um completo programa informativo para a humanidade. O computador a bordo desse satélite estaria programado de forma a reagir a ondas de rádio, provenientes da Terra, sempre que a sua própria posição em relação à Terra for propícia para uma recepção.

Os sinais terrestres vêm sendo registrados e devolvidos no mesmo comprimento de ondas, com retardamentos racionais. Mais cedo ou mais tarde, os receptores na Terra devem ficar sabendo de que se trata. Lunan é de parecer que, até agora, recebemos as seguintes informações desse satélite desconhecido em nosso sistema solar:

De acordo com Duncan, a mensagem – SPACE PROBE FROM EPSILON BOOTIS diz:

“O nosso Sol natal é Epsílon-Erídani. Trata-se de uma estrela dupla.
Vivemos no sexto de sete planetas, a contar, partindo do Sol, que é o maior dos dois astros.
O nosso sexto planeta tem uma Lua, nosso quarto planeta tem três luas; cada um de nossos primeiro e terceiro planetas tem uma Lua.
O nosso satélite encontra-se em uma órbita de sua Lua terrestre. Pela constelação de Epsílon-Erídani, a sua idade pode ser calculada em 12.600 anos.
Não é concebível que uma sonda interplanetária fizesse uma viagem dirigida e programada de 103 anos-luz.”

Será?

- Fim do Adendo -
Fonte:http://www.assombrado.com.br/
A pedido de um Anon que estava atrás de UFOs

Médico e espírita analisa caso de crianças atormentadas por espírito de mãe

O caso das duas crianças gaúchas que estariam assombradas pelo espírito da mãe em Fortaleza - CE, exibido na quarta-feira (12/02), no Barra Pesada/TV Jangadeiro, deixou a comunidade cearense curiosa. Na quinta-feira (13/02), o especialista médico e espírita Francisco Cajazeiras analisa o caso e expõe a opinião dele a respeito do fenômeno.

Cajazeiras analisa a imagem e avalia que há uma necessidade de maior observação, além do vídeo. "A gente não detecta algo que estaria fora da questão, digamos, da questão do próprio problema das crianças", relata.

Esse caso pode naturalmente gerar distúrbios emocionais e acontecer reações das próprias crianças relativas ao problema. "Se fossemos analisar de um modo geral, com maior observação, observaríamos algo dentro da literatura da parapsicologia e até do espiritismo, o poltergeist (visitantes indesejados)", explica o médico.


Fonte: http://mais.uol.com.br/

"Trem fantasma" assusta guardas no interior de SP


Um "trem fantasma" está assustando os moradores de São Roque, cidade do interior paulista. Guardas se assustaram com a chegada do veículo, sem ninguém dentro, na sede da Guarda Municipal. Sucateado e fora de uso, o vagão que chegou ao local não era tracionado por nenhuma locomotiva.

De acordo com os funcionários que estavam no local, o vagão passou em alta velocidade pelo local, parou mais adiante e voltou de ré. Para evitar qualquer acidente, os guardas o amarraram com cordas. 

Existem duas explicações para a movimentação: guardas afirmam que o equipamento estava estacionado em um local que tem um declive e, por isso, se movimentou até lá; já a America Latina Logística (ALL), concessionária da ferrovia, afirmou que o vagão sofreu uma avaria mecânica e estava sendo movimentado quando escapou e se deslocou até a estação. Sei ¬¬

Você sobreviveria a um ataque zumbi ?

Melhor Teste de Sobrevivência Inventado!


Você já se pegou pensando se você seria capaz de sobreviver a uma infestação de mortos vivos? Chegou a hora de saber como você se sairia. Responda às perguntas o mais honestamente possível, e não se esqueça de anotar suas respostas para poder calcular o resultado (sim, este é um teste à moda antiga). Boa sorte.

1. Você é:

a) Uma pessoa do sexo masculino entre 7 e 12 anos de idade.
b) Uma pessoa do sexo feminino entre 7 e 12 anos de idade.
c) Uma pessoa do sexo masculino entre 13 e 19 anos de idade.
d) Uma pessoa do sexo feminino entre 12 e 19 anos de idade.
e) Uma pessoa do sexo masculino entre 20 e 49 anos de idade.
f) Uma pessoa do sexo feminino entre 20 e 49 anos de idade.
g) Uma pessoa do sexo masculino com mais de 50 anos de idade.
h) Uma pessoa do sexo feminino com mais de 50 anos de idade.

2. Você acabou de perceber que a sua cidade está sendo atacada por zumbis. O que você faz?

a) Fico trancado em casa.
b) Pego meu carro e boto o pé na estrada.
c) Vou pra primeira delegacia de policia que eu encontrar.
d) Vou para um shopping.
e) Eu me mato com um tiro na testa.
f) Eu me mato tomando 80 comprimidos de Rivotril.
g) Ligo pro disque-denúncia.

3. Você tem uma arma de fogo? Caso a resposta seja não, qual das opções melhor retrata a possibilidade de você adquirir uma?

a) Sim, tenho uma arma de fogo.
b) Não, mas tem uma loja que vende aqui perto de casa.
c) Não, mas meu amigo tem várias.
d) Não, e não tenho a menor idéia de onde conseguir uma.

4. Qual das seguintes armas você escolheria pra se defender dos zumbis?

a) Um machadinho.
b) Uma espada.
c) Um taco de baseball.
d) Uma serra elétrica.
e) Um taco de golfe.
f) Uma furadeira.
g) Um martelo.
h) Um facão.
i) Um pé de cabra.

5. Podendo operar apenas uma arma de fogo, qual você escolheria?

a) Submetralhadora.
b) Pistola.
c) Rifle de assalto.
d) Espingarda de caça.
e) Metralhadora pesada.

6. que tipo de veículo você optaria para fugir dos zumbis?

a) Um Peugeot 206.
b) Um Ecosport.
c) Uma moto.
d) Um caminhão.
e) Um ônibus.
f) Uma bicicleta.

7. Que tipo de área você considera melhor para fazer uma barricada?

a) Zona urbana, no terraço de um prédio.
b) Floresta, numa barraca.
c) Uma plantação.
d) Montanhas.
e) Deserto.
f) Praia.

8. De quantas pessoas seria composto o seu grupo de sobrevivência?

a) Apenas eu.
b) Apenas eu e um amigo em quem confio.
c) 5 Pessoas.
d) 10 Pessoas.
e) Quanto mais melhor.

9. Qual é a melhor forma de parar um zumbi e garantir que ele não vai mais te atacar?

a) Gasolina e fogo nele.
b) Um tiro no meio da testa.
c) Descarregar uma Uzi no tórax dele.
d) Cortar a cabeça dele.
e) Atropelar ele.

10. Como está o seu condicionamento físico?

a) Estou barrigudo, mas ainda jogo bola.
b) Faço Yoga 4 vezes por semana.
c) Cheguei em quinto lugar na última São Silvestre.
d) Sou morbidamente obeso/a.
e) Sou magro, mas fumo 2 maços de cigarro por dia.
f) Não sou nenhum/a atleta, mas estou bem.

11. Você e um amigo são os últimos sobreviventes do grupo. Vocês estão no carro dirigindo sem rumo. Você percebe que ele foi mordido no braço por um zumbi. O que você faz?

a) Improvisa um curativo e continua com ele no carro.
b) Mata ele.
c) Separa-se dele, deixando com que fique com uma das armas.
d) Corta o braço dele fora pra prevenir que a infecção espalhe.
e) O obriga a descer do carro e fica com todas as armas pra você.

12. Você encontra um supermercado abandonado. O que você leva?

a) Arroz, feijão, muita carne congelada, ovos e leite.
b) muita água e muita comida enlatada.
c) Eu me tranco no supermercado.
d) Álcool, muito álcool. E umas 200 latas de Red Bull.
e) Todos os salgadinhos possíveis (Ruffles, Doritos, Pringles, etc) e muitas latas de suco Del Valle.

13. Você passa de carro por uma casa e avista três pessoas presas no telhado. Há cerca de quinze zumbis por perto, o que você faz?

a) Você para, mata os zumbis e da carona para os três.
b) Você diminui a velocidade, joga uma arma no telhado da casa e deixa que as pessoas se virem com ela.
c) Você atira nas pessoas por diversão.
d) Lidar com 15 zumbis é arriscado demais. Você lamenta, mas passa reto.
e) Você passa reto apontando e rindo das pessoas no telhado.

CALCULANDO OS PONTOS:

Pergunta 1
a) (2 pontos)
b) (1 ponto)
c) (6 pontos)
d) (5 pontos)
e) (8 pontos)
f) (7 pontos)
g) (4 pontos)
h) (3 pontos)

Pergunta 2
a) (7 pontos)
b) (6 pontos)
c) (4 pontos)
d) (5 pontos)
e) (2 pontos)
f) (1 ponto)
g) (3 pontos)

Pergunta 3
a) (4 pontos)
b) (2 pontos)
c) (3 pontos)
d) (1 ponto)

Pergunta 4
a) (9 pontos)
b) (3 pontos)
c) (6 pontos)
d) (2 pontos)
e) (4 pontos)
f) (1 ponto)
g) (5 pontos)
h) (8 pontos)
i) (7 pontos)

Pergunta 5
a) (5 pontos)
b) (4 pontos)
c) (2 pontos)
d) (3 pontos)
e) (1 ponto)

Pergunta 6
a) (4 pontos)
b) (6 pontos)
c) (2 pontos)
d) (5 pontos)
e) (3 pontos)
f) (1 ponto)

Pergunta 7
a) (4 pontos)
b) (5 pontos)
c) (3 pontos)
d) (6 pontos)
e) (1 ponto)
f) (2 pontos)

Pergunta 8
a) (2 pontos)
b) (4 pontos)
c) (5 pontos)
d) (3 pontos)
e) (1 ponto)

Pergunta 9
a) (4 pontos)
b) (5 pontos)
c) (1 ponto)
d) (3 pontos)
e) (2 pontos)

Pergunta 10
a) (3 pontos)
b) (5 pontos)
c) (6 pontos)
d) (1 ponto)
e) (2 pontos)
f) (4 pontos)

Pergunta 11
a) (2 pontos)
b) (3 pontos)
c) (4 pontos)
d) (1 ponto)
e) (5 pontos)

Pergunta 12
a) (1 ponto)
b) (5 pontos)
c) (4 pontos)
d) (2 pontos)
e) (3 pontos)

Pergunta 13
a) (2 pontos)
b) (3 pontos)
c) (1 ponto)
d) (5 pontos)
e) (4 pontos)

RESULTADOS:

De 13 a 21 pontos

Você morreu nos primeiros três dias da infestação.

Você estava completamente despreparado/a para lidar com os mortos vivos.Você tomou todas as decisões erradas, e agora está vagando pela cidade como mais um zumbi. Seu meio de transporte não foi dos mais seguros, e sua arma de fogo não foi apropriada para lidar com as situações que você enfrentou. Você não conseguiu conter os zumbis nem foi eficiente em manter distancia deles. Quando as balas acabaram, sua outra arma não era a mais apropriada para afastar um grupo de mortos vivos, por menor que fosse.

De 22 a 30 pontos

Você durou pouco mais de uma semana.

Você escapou de algumas situações de perigo e, por alguns dias, ameaçou um plano de sobrevivência. No entanto, algumas más decisões e escolhas duvidosas colocaram você de novo em apuros. Sua capacidade de conter zumbis era considerável, mas o excesso de problemas fez com que você fosse rodeado e mordido.

De 31 a 39 pontos

Você não passou dos 20 dias.

Ok, você bolou um plano. Percebeu o que estava acontecendo e tentou se proteger. Nas primeiras duas semanas funcionou, mas uma série de opções questionáveis foram deteriorando a sua segurança, a ponto de limitar os seus recursos muito antes do previsto. Não demorou para que, sem um plano B, você se visse desarmado diante de uma horda de mortos vivos. Acredite, a sua transição para se tornar um deles não foi nada agradável


De 40 a 48 pontos

Você quase chegou à marca dos 2 meses.

Você estava determinado a sobreviver. Preparou-se adequadamente pra isso. Os zumbis estavam sob controle, havia comida suficiente, e as suas armas eram eficientes. O problema foi que você esperava contar com a ajuda de algum tipo de operação militar, que nunca aconteceu. Passando dos 50 dias, a falta de suprimentos obrigou você a se locomover de forma não planejada, o que deixou você exposto a ataques de mortos vivos. Suas armas o mantiveram vivo por mais uma semana, até que a superioridade numérica dos zumbis te deixou sem saída, e você foi mordido.

De 49 a 57 pontos

Quase. 70 dias de infestação e você morreu, mas foi por pouco.

Estava tudo sólido. Você tinha um plano A que estava funcionando, e ainda contava com um plano B e um plano C. Depois de dois meses você estava praticamente acostumado a viver fugindo de zumbis. Foram os contatos com outros seres vivos que complicaram sua vida. Você estava preparado para se defender dos zumbis, mas não se precaveu contra outros sobreviventes e o que o desespero humano é capaz de fazer. Depois de uma traição, você se viu cercado de mais de 200 zumbis com apenas uma pistola. Então, a apontou para sua cabeça e puxou o gatilho.

De 58 a 66 pontos

Você está vivo. Mas não sem sacrifício.
O esquema anti-zumbi que você armou funciona, e suas armas são mais do que adequadas para qualquer emergência. Suas decisões e atitudes foram muito certeiras.Você tem suprimentos para mais de 30 meses, e está bem equipado para conseguir mais se necessário. No entanto, algumas das suas ações foram arriscadas, e você perdeu pessoas importantes na sua vida, pessoas que você deveria ter protegido.


De 67 a 76 pontos

Preparado para o fim.
Parabéns! Você fez tudo certo e está preparadíssimo para a crise de mortos vivos no país. Não se sabe até quando vai durar. Pode ser pra sempre? A raça humana já era? Não sei, mas se for assim, você será um dos últimos a ir

Fonte: http://residentevil.com.br/site/

Nos diga qual foi  o seu destino xD ~Otávio 

A morte como ela é

Não é tão simples quanto parece: quando morremos, milhares de partes do nosso corpo estão na ativa tentando reverter o processo. E muita coisa ainda acontece depois que damos o último suspiro.


Quando Steven Thorpe chegou ao Hospital Universitário de Coventry, no Reino Unido, a equipe médica disse à família que não havia mais nada a fazer. O adolescente de 17 anos havia sofrido ferimentos gravíssimos na cabeça em um acidente de carro e os danos no seu cérebro eram irreversíveis. O diagnóstico era morte encefálica. Mas a família não perdeu as esperanças. O procedimento que comprova a ausência total de atividade cerebral foi realizado mais 3 vezes, até que o quinto exame revelou ondas cerebrais fraquíssimas - o que significava uma chance de sobrevivência. Duas semanas depois, Steven acordou do coma e começou a se recuperar. O caso, que chamou a atenção da medicina em 2008, mostra que o limite entre a vida e a morte é mesmo tênue.

RELATO DOS LEITORES #18

Bem gente estou aqui porque, esses dias, venho tendo muitos pesadelos.

Isso aconteceu depois que meu pai trouxe um poltrona muito esquisita para casa (tinha umas manchas vermelhas nela) comprada em um bazar. Perguntei ao meu pai o que eram as manchas exatamente e a moça do bazar disse a ele que havia escorrido tinta vermelha nela e por isso estava assim... ACREDITAMOS apesar de ela parecer querer se livrar daquilo por algum motivo.

Essas noites tem sido muito estranhas. Eu durmo no quarto ao lado da sala, onde está a poltrona, e todas as noites durmo com a porta fechada e toda manhã ela está aberta!!!! Estou com muito medo, escuto vozes durante a noite e quando finalmente consigo durmir (quando consigo) tenho muitos pesadelos envolvendo uma mulher sentada em uma poltrona e depois se suicidando na mesma. Já disse várias vezes ao meu pai isso.

Digo para ele devolver a poltrona. E ele me contou que teve o mesmo pesadelo, porém se recusa a acreditar, diz que é somente coisa de nossas cabeças. Mas sei que no fundo ele ainda tem tantas dúvidas quanto eu: DE ONDE ELA VEIO? A QUEM ELA PERTENCIA? E POQUE A MOÇA DO BAZAR QUERIA LIVRAR DELA? E O QUE SÃO ESSAS VOZES E PESADELOS REPENTINOS QUE TENHO? QUERIA APENAS SABER!

Choro ao escrever isso estou com muito medo... Mas se puderem publicar minha história no blog para evitar que outros passem pelo mesmo problema, fico agradecida. Tchau e cuidado jovens.

Bia Alves, deixou esse relato nos comentários da postagem A pintura sinistra.

Você morreria em filmes de terror?


Na medida em que se vai assistindo cada vez mais filmes de terror, além de você potencialmente desenvolver problemas para dormir, ou não, é comum começar a traçar um perfil de clichês que, em 90% dos casos, significaria a sua rápida (ou lenta) e dolorosa morte - caso o tal filme realmente acontecesse na vida real.

Quantas vezes você não olhou uma situação num filme de horror e pensou, “ih… Agora fudeu!” Então a pergunta é: se alguma situação de um filme de terror acontecesse de verdade você iria sobreviver?

Para te ajudar a traçar o seu próprio perfil de “futuro defunto em potencial”, veja alguns clichês básicos dos filmes de terror e que você deve evitar, caso queira viver o suficiente para contar histórias para dormir aos seus netos.

Clichê nº 1: barulho dentro de casa

Você está confortavelmente dormindo em sua cama e, de repente, um ruído muito estranho estala na sua cozinha. Logo em seguida, você parece que ouve passos arrastados se aproximando… Se fosse num filme, certamente a pessoa idiota levantaria em pavor e iria checar o que houve, sendo devidamente fatiada por algum serial killer. A menos que você seja um Hulk de tão forte ou durma com uma espingarda debaixo do travesseiro, recomendo fortemente que ao invés de querer bancar o herói, pegue logo o celular e ligue para a polícia. Ah, não se esqueça de trancar o quarto e não faça barulho! Se for uma criatura sobrenatual, corra para as colinas xD.

Clichê nº 2: viagem com os amigos

Você está viajando com os amigos (essa é clássica!) e todos estão felizes e cantando até que alguém do grupo nota que o motorista se perdeu ao pegar um caminho diferente, que ele jurou que seria mais rápido, e agora vocês estão perdidos no meio do nada. Deixa eu tentar melhorar um pouco mais o cenário: a estrada é de terra, sem iluminação, tem muito mato em ambos os lados e está começando a chover. Ah, é noite também e a gasolina acabou. Que maravilha! A sensação de “por que eu não fiquei em casa?” nunca foi tão forte em sua mente.


Agora vamos lá: se você estivesse num filme, fatalmente algum metido a fortão iria sair do carro e se meter mato adentro para tentar “buscar ajuda” e, sabe-se Deus porque, todo grupo imagina que esta é uma ideia fantástica e todos vão atrás. Resultado: provavelmente iria aparecer uma cabana no meio do nada onde, ou vocês iriam encontrar um psicopata que iria dopá-los e transformar a todos numa centopeia humana, ou o nerd do grupo iria encontrar o Necronomicon e invocar as hordas do além para dilacerar todo mundo. Até o cubo dos cenobitas poderia estar perdido por lá. Em todos os casos acima, a atitude de sair do carro e vagar do nada com destino a lugar nenhum, não foi algo inteligente. O melhor a fazer é continuar no carro e ligar para o reboque. Simples, mas talvez você morresse mesmo assim...

Clichê nº 3: respeite os avisos de perigo

Esse é outro clichê clássico também. Imagine que você é uma pessoa que adora praticar esportes e tem fascínio por mergulho. E em uma dessas expedições marítimas no mar do Caribe (tem que ser em algum lugar bonito para aparentar um clima bom no início), você encontra uma caixa presa num recife de corais (bem bonito também - vamos manter o clima). Você traz a caixa consigo e, ao examiná-la de volta em seu iate (tem que ostentar riqueza também) é possível notar que a caixa é bem rústica e possuiu uma espécie de mensagem talhada de forma bem artesanal na tampa.

Você não consegue entender o que está escrito, mas envia uma foto da tampa pelo celular para um amigo, que é professor de arqueologia em Harvard, e ele diz que o idioma pertence a uma língua morta e que diz algo como: “jamais abra esta caixa, deixe-a exatamente onde a encontrou. Não desperte o demônio!”. Se estivesse num filme o que faria? É óbvio que você iria ignorar por completo o latente aviso de perigo e abriria a caixa… Aí você nota uma espécie de ídolo antigo dentro do recipiente e o pega em suas mãos. Uma luz muito forte te cega e você sente todo o seu corpo se desfazer em meio a muita dor. Parabéns! Você acaba de libertar o Cthulhu! Ele, então, destrói o mundo e escraviza todos os seres ainda vivos. Numa situação real você até poderia resgatar a caixa, mas assim que descobrisse o que estava escrito, atiraria a maldita de volta na água. E fim!


O que vocês acabaram de ver são apenas três situações bem clássicas e básicas que quase sempre aparecem nos filmes de terror, de forma direta ou indireta. É claro que alguns clichês precisam existir, senão não haveria filmes de terror! Mas o grande desafio dos diretores do gênero na atualidade é justamente tentar inovar e se sobrepor ao clichê clássico, e que todos já esperam que vá acontecer. É aquela quebra de expectativa que cria uma reviravolta impressionante na trama. Mas convenhamos, é até bem engraçado (numa forma sádica de dizer) ver os pobres mortais caminharem para a morte certa nesses filmes!

Postagem Originalhttp://blogs.pop.com.br/

Hannibal Lecter é de Monterrey

Por Diego Enrique Osorno (famoso escritor de crimes)

Hannibal Lecter, foi inspirado em um médico mexicano, cujo autor Thomas Harris conheceu enquanto visitava a cadeia para entrevistar outro prisioneiro, Dykes Askew Simmons. Através do meu editor, recebi uma mensagem de Harris, que queria que eu descobrisse a identidade de alguém que havia sido encarcerado na prisão do estado de Nuevo Leon durante os anos 50 e 60.

Por alguns momentos, eu pensei que iria sustentar um intercâmbio epistolar com Harris, como Hannibal fez com alguns de seus pacientes. Quando eu li a nota, entretanto, ficou claro que eu era apenas uma espécie de detetive contratado. Sua nota dizia:

  • Eu preciso de informações sobre um médico, conhecido na imprensa como “O Lobo de Nuevo Leon”, que foi prisioneiro na prisão do estado de Nuevo Leon em meados dos anos de 1950 e 1960. Eu não sei seu nome. O médico foi condenado por matar caronistas em Nuevo Leon, desmembrá-los e jogar os pedaços, aos poucos, para fora do seu carro à noite. O médico salvou a vida de outro prisioneiro, Dykes Askew Simmons, quando Simmons levou um tiro de um guarda enquanto tentava escapar.

  • O médico também tratou de pessoas pobres enquanto era prisioneiro, e tinha um escritório médico na prisão.

  • Simmons foi um texano condenado em Nueno Leon, em março de 1961, por assassinar três jovens pessoas da família Perez Villagomez, em outubro de 1959. Ele foi condenado à morte, sentença posteriormente comutada para 30 anos. Ele permaneceu na prisão do estado de Leon State de 1961 até sua fuga, em 1969. O caso Simmons, e provavelmente o caso do médico, foi coberto pelos jornais El Norte e Nuevo Leon e El Sol de Nuevo Leon. Dois dos repórteres do El Norte que escreveram sobre Simmons foram Ricardo Bartres e Esteban Ardines.

  • Qualquer ajuda será muito bem vinda.

Primeiramente, meu trabalho parecia ser muito simples. Com tantos detalhes, eu não pensei que seria difícil descobrir o nome do assassino que interessava tanto Harris. Eu comecei minha busca com um telefonema para o escritor Eduardo Antonio Parra, um dos mestres da literatura de crimes do nordeste mexicano, cujo trabalho muito admiro. Eu dei a ele todos os detalhes, mas, infelizmente, ele não conhecia ninguém que se encaixasse na descrição. Então, eu procurei por Hugo Valdés, autor de The Crime of Aramberri Street, um romance baseado em um incidente ocorrido no bairro de Antiguo, na cidade de Monterrey, na virada do século passado.

Novamente, sem sorte.

Logo eu recebi outra mensagem de Harris:

  • Estou muito feliz por contar com sua ajuda para identificar o médico que tratou de Dykes Askew Simmons. Obrigado por seu tempo. A identidade do médico é o meu principal interesse, e qualquer detalhe sobre ele. Eu não preciso de informações sobre o caso Simmons, exceto pelo seu contato com o médico.

  • Eu assisti com interesse a sua discussão no youtube sobre os problemas atuais no México e desejo-lhe bem.

Eu, então, decidi um curso diferente de ação. Eu procurei dois ex-agentes do escritório do promotor, um ex-comandante e um ex-promotor. Eu perguntei a eles se eles lembravam de algum prisioneiro que preenchia a descrição de Harris, mas eles não conheciam. A pesquisa me levou a fazer um rápido índice dos principais crimes de celebridades dos anos 60 e 70 em Monterrey.

Foi quando Harris escreveu novamente, com mais algumas pistas:

  • O diretor do presídio na época era Miguel Guardiana Barra. Um dos inspetores de polícia tinha Sarquiz no nome. Eu espero que a informação seja útil.

  • Só para esclarecer. Tudo que preciso é do nome do médico, há alguns fatos sobre seus crimes. Ele esteve na prisão no final dos anos 50 e 60, na mesma época de Dykes Askew Simmons. Ele foi condenado por vários assassinatos nos quais as vítimas foram desmembradas. Ele tratou pacientes enquanto estava preso. Ele salvou a vida de Simmons quando ele levou um tiro. Ele era membro de uma proeminente família no México.

  • Quando eu souber seu nome poderei continuar com minha publicação. Obrigado por sua ajuda. Felicidades.

Quando eu estava prestes a ir para a Capela de Alfonsina, na Universidade Autônoma de Nuevo Leon, para cavar a coleção de periódicos e verificar os jornais do final dos anos 50 e início dos anos 60, minha namorada me ligou para dizer um nome: Doutor Ballí. Ela, uma ávida leitora de todas as formas de contos criminais, tinha investigado com amigos e família e acabou encontrando o cara de Harris. Todo o meu trabalho duro foi superado por algumas conversas informais da minha namorada.

Uma vez sabendo o nome, decidi me aprofundar um pouco mais. Eu encontrei uma história sobre Ballí escrita em 2008 e com uma curiosidade: Ele foi o último prisioneiro condenado à morte no México. Sorte do doutor. Sua sentença foi comutada e, depois de uma longa estada, ele deixou a prisão no ano 2000. O título da história é Eu não quero reviver meus fantasmas e é de autoria de Juan Carlos Rodriguez, um antigo amigo e colega do jornal Milenio.

Eu liguei para ele para perguntar sobre sua experiência com o médico.

- “Você se lembra de uma entrevista que você fez com um médico sentenciado à morte?” Eu perguntei.

“Alfredo Ballí Treviño?”

- “Sim. Você sabe se ele ainda está vivo?” Perguntei.

“Não sei. Eu acho que sim. Eu me lembro, mais ou menos, onde ele vivia e trabalhava (como médico), embora tecnicamente ele não poderia estar trabalhando por ser um ex-presidiário”.

- “Tem mais detalhes?”

“Não muito. Na verdade, essa entrevista surgiu porque um advogado nos disse onde poderíamos encontrá-lo, e nós o encontramos”.

- “Seu consultório era em Colonia Talleres?”

“Sim. Foi muito austero. Eu não me lembro o número exato da rua”.

- “O que aconteceu com ele? Ele ainda está vivo?”

“Eu acho que sim”.

Usando as informações fornecidas por Juan Carlos Rodriguez e informações recolhidas na coleção de periódicos, eu preparei um dossiê volumoso para Harris, que eu resumi da seguinte forma:

  • O nome do médico que tratou Dykes era Alfredo Ballí Treviño.
  • Ele foi sentenciado à morte por “crimes de homicídio qualificado, com sepultamento clandestino e usurpação de profissão”.
  • Seu caso está sob o número penal 263/59, no escritório do promotor no estado de Nuevo Leon.
  • O caso foi aberto em 9 de outubro de 1959.
  • A sentença do caso foi proferida em maio de 1961.
  • Na justiça do México, o caso é interessante porque envolveu uma pessoa que foi legalmente sentenciada à morte. A pena de morte não é praticada desde então (embora nós tenhamos um governo que pratica de uma forma extrajudicial).
  • Mais interessante, a sentença foi comutada.
  • Todos os sinais sugerem que o Dr. Alfredo Ballí Treviño morreu em 2010. Até esse ano, ele praticou a medicina em um consultório na esquecida colônia de Monterrey.
  • O endereço é: Calle Artículo 123, Colonia Talleres, Monterrey, Nuevo León, México CP 64480 Norte.

Harris respondeu com agradecimentos. Agora eu sei que ele precisava da informação para concluir o prólogo para a edição de aniversário de 25 anos de O Silêncio dos Inocentes. No texto, publicado na Times, Harris narra que, aos 23 anos, ele viajou até Monterrey para entrevistar Dykes Askew Simmons. E lá ele conheceu uma figura que o inspirou a criar Hannibal Lecter. Em seu texto, ele se refere ao homem como Dr. Salazar. Dr. Salazar é o Dr. Ballí, e o Dr. Ballí é o alter ego do Dr. Hannibal Lecter que, sob o domínio de Harris, possui uma forma singular e sinistra de falar, que nunca esquecerei.

“Você já viu sangue na luz do luar? Parece bastante negro”.

Tradução e postagem original: O Aprendiz Verde

O Trem de Carne da Meia-noite

Este é um conto de Clive Barker (Autor de Hellraiser) retirado de seu livro "LIVROS DE SANGUE". É uma estória bem extensa, mas que vale MUITO à pena ler. Foi esse conto que inspirou o filme O último trem, que por sinal não chega nem aos pés do conto. Se o filme tivesse explorado melhor o texto de Barker, teria sido um ótimo filme.

Boa leitura...


Leon Kaufman não era mais um forasteiro naquela cidade. O Palácio das Delícias, como a havia chamado nos dias de sua inocência. Mas isso era quando morava em Atlanta, e Nova York era ainda uma espécie de terra prometida, onde qualquer coisa e tudo eram possíveis. Agora Kaufman já morava há três meses e meio na sua cidade de sonho, e o Palácio das Delícias não parecia tão delicioso assim.
Teria realmente passado apenas uma estação do ano desde que descera na Estação Rodoviária Central e olhara para a Rua 42, na direção do cruzamento com a Broadway? Tão pouco tempo para perder tantas ilusões acalentadas? Agora, só em pensar na sua ingenuidade, sentia-se embaraçado. Constrangido,
lembrava de ter dito em voz alta: “Nova York, eu te amo”. Amor? Nunca!
Tinha sido, se tanto, um entusiasmo passageiro. E agora, depois de três meses de vida com o objeto de sua adoração, passando dias e noites dentro dela, a cidade havia perdido toda a aura de perfeição. Nova York era apenas uma cidade. Ele a vira acordar de manhã, como uma vagabunda, tirar homens assassinados do meio dos dentes, e suicidas de seu cabelo emaranhado. Ele a havia visto tarde da noite, suas ruas sombrias desavergonhadamente cortejando a depravação. Ele a havia observado à tarde, indolente e feia, indiferente as atrocidades cometidas a cada hora nas suas ruelas abafadas. Não era um Palácio de Delícias. Engendrava morte, não o prazer.
Todas as pessoas que conhecia haviam conhecido a violência; era um fato da vida. Era quase chique conhecer alguém que tivera morte violenta. Era prova de estar vivendo naquela cidade. Mas Kaufman tinha amado Nova York de longe durante quase vinte anos. Esse caso de amor fora planejado durante a maior parte de sua vida adulta. Portanto, não era fácil livrar-se da paixão, como se nunca a tivesse sentido. Em certos momentos, muito cedo, antes de começarem as sirenes da polícia, ou no fim do dia, Manhattan era
ainda um milagre. Por esses momentos, e em lembrança de seus sonhos, Kaufman concedia-lhe ainda o benefício da dúvida, mesmo quando o comportamento da cidade nada tinha de refinado.
Ela não facilitava esse perdão. Nos seus poucos meses em Nova York, Kaufman já tinha visto suas ruas inundadas de sangue. Na verdade, não eram tanto as ruas, mas os túneis abaixo delas. “Carnificina no Metrô” era a frase do mês. Na semana anterior, uns três assassinatos haviam sido perpetrados. Os corpos foram descobertos num dos vagões da linha Avenida das Américas, retalhados e parcialmente eviscerados, como se um funcionário eficiente do matadouro tivesse sido interrompido no seu trabalho. A matança
tinha sido tão profissional que a polícia estava interrogando todos os indivíduos fichados nos seus arquivos que, de um modo ou outro, estivessem ligados ao negócio de carnes. Os tendais localizados à beira-mar estavam sob vigilância, os ahatedourns foram revistados à procura de pistas. As autoridades prometiam uma prisão iminente, mas nenhuma fora feita ainda.
Aquele trio recente de cadáveres não era o primeiro a ser encontrado nesse estado; no dia da chegada de Kaufman à cidade, o Times havia publicado uma reportagem que ainda era tema de conversa de todas as mórbidas secretárias comerciais. Noticiara-se que um visitante alemão, perdido no metrô tarde da noite, havia encontrado um corpo no trem. A vítima era uma mulher de trinta anos, atraente e de corpo bem-feito, residente no Brooklin. Estava completamente nua. Haviam-lhe levado toda a roupa, todas as jóias. Até os brincos. Mais estranho do que o fato de lhe desnudarem o corpo era o modo cuidadoso e sistemático pelo qual as roupas tinham sido dobradas e colocadas numa sacola de plástico, no banco, ao lado do corpo.
Não se tratava de um assassino irracional. Era uma mente bastante organizada, um lunático com forte senso de ordem. Além disso e mais estranho ainda do que o desnudamento cuidadoso era o ultraje que então fora perpetrado. Os repórteres afirmavam, embora a polícia não confirmasse isso, que o corpo fora meticulosamente depilado. Todo o cabelo, todos os pêlos foram removidos, da cabeça, do sexo, das axilas, raspados totalmente. Até as sobrancelhas e as pestanas haviam sido arrancadas. Finalmente, aquela peça de carne, completamente nua, foi dependurada, pelos pés numa das alças presas ao teto do carro e um balde de plástico negro, forrado com uma sacola também de plástico negro, foi colocado sob o corpo, para aparar o sangue que pingava dos ferimentos.
Naquele estado, nu, sem pêlos, dependurado e praticamente sem sangue, o corpo de Loretta Dyer foi encontrado. Era revoltante, meticuloso e profundamente perturbador. Não havia sinal de estupro nem de tortura. A mulher fora rápida e eficientemente despachada, como se fosse um pedaço de carne. E o açougueiro estava solto ainda. As autoridades municipais, com sua alta sabedoria, determinaram que a imprensa não devia ter acesso ao caso. Propalava-se que o homem que havia encontrado o corpo estava sob custódia protetora em Nova Jersey, longe da curiosidade dos jornalistas. Mas esse despistamento não teve sucesso. Algum policial ganancioso passou detalhes importantes para um repórter do Times, e todo mundo em Nova York ficou logo sabendo da terrível história. Era o tópico de conversação em todas as
lanchonetes e em todos os bares e, é claro, no próprio metrô.
Mas Loretta Dyer foi apenas a primeira.
Agora, mais três corpos haviam sido encontrados nas mesmas circunstâncias, porém dessa vez o trabalho fora evidentemente interrompido. Nem todos os corpos estavam com pêlos e cabelos raspados, e as jugulares não tinham sido cortadas para a sangria. Havia outra diferença, mais significativa: não foi um turista que os encontrou, mas um repórter do New York Times. Kaufman leu a reportagem na primeira página do jornal. Não tinha interesse mórbido pela história, ao contrário do homem ao seu lado, no balcão da lanchonete. Sentiu apenas uma leve repugnância, que o fez empurrar o prato com ovos cozidos para longe dele. Era simplesmente outra prova da decadência da cidade. Não sentia prazer com aquela doença.
Contudo, era um ser humano e não podia ignorar os detalhes sangrentos descritos na reportagem. O artigo não usava linguagem sensacionalista, mas a clareza simples do estilo tornava mais impressionante a descrição. Kaufman não pôde deixar de refletir também sobre o homem que perpetrava aquelas atrocidades. Haveria um só psicopata à solta, ou vários, inspirados a copiar o crime original? Talvez fosse apenas o começo do horror. Talvez outros crimes iguais viessem a ser cometidos até que o assassino, entusiasmado ou exausto, se descuidasse e fosse apanhado. Até então, a cidade, a cidade adorada de Kaufman, ia viver num estado que mediava entre a histeria e o êxtase.
Um homem barbado derrubou com o cotovelo a xícara de café de Kaufman.
— Merda! — disse ele.
Kaufman virou-se na banqueta para evitar o café que pingava do balcão.
— Merda - disse o homem outra vez.
— Está tudo bem — disse Kaufman.
Olhou para o homem com um leve ar de desprezo. O desajeitado filho da mãe estava tentando absorver o café com um guardanapo que, aos poucos, se transformava numa papa úmida. Kaufman ficou imaginando se aquele idiota de cara corada e barba malfeita seria capaz de matar alguém. Haveria naquele rosto de comilão algum sinal, alguma pista, talvez o formato da cabeça ou a expressão dos olhos pequenos, que denunciasse sua verdadeira natureza?
O homem se dirigiu a ele.
— Quer outro?
Kaufman balançou a cabeça.
— Café. Regular. Preto — disse o cretino para a moça do outro lado do balcão. 
Ela ergueu os olhos da grelha com gordura frita que estava limpando.
Oi?
Café. É surda.
O homem sorriu para Kaufman.
Surda. — disse ele.
Kaufman notou que lhe faltavam três dentes na arcada dentária.
— Esta ruim, não é? — disse o homem.
Referia-se a quê? Ao café? A falta dos dentes?
— Três pessoas desse jeito. Trinchadas.
Kaufman fez um gesto afirmativo.
— Faz a gente pensar — disse o homem.
— Certamente.
— Quero dizer, estão escondendo os fatos, não é? Eles sabem quem fez isso.
A conversa era ridícula, pensou Kaufman. Tirou os óculos e guardou no bolso; o rosto barbado não estava mais nítido. Uma melhora pelo menos.
— Filhos da puta — disse ele. — Filhos da puta todos eles. Aposto qualquer grana que estão escondendo de nós os fatos.
— Que fatos?
— Eles têm as provas, só estão deixando a gente no escuro. Existe alguma coisa nisso tudo que não é humana.
Kaufman compreendeu. O idiota estava aventando uma teoria de conspiração. Já ouvira a mesma coisa muitas vezes. Assim nascem as lendas.
— Escute, eles vivem mexendo com esse negócio de clones e acabaram perdendo o controle. Podem estar criando monstros sem que a gente saiba. Há alguma coisa aí que eles não estão contando. Escondendo os fatos, como eu disse. Aposto qualquer coisa.
Kaufman achou interessante a certeza absoluta do homem. Monstros à solta à procura de presas. Seis cabeças, uma dúzia de olhos... Por que não? Ele sabia por que não. Porque isso seria uma desculpa para a sua cidade; isso a tiraria do anzol. E Kaufman acreditava no seu íntimo que os monstros nos túneis de Nova York eram perfeitamente humanos.
O homem de barba atirou o dinheiro no balcão e levantou-se, deslizando o traseiro gordo para fora da banqueta de plástico manchado.
— Provavelmente a culpa é de algum tira de merda —disse o homem, como tiro de despedida. — Tentou fazer uma merda de herói e fez uma merda de monstro. — Deu um sorriso grotesco. — Aposto qualquer coisa — repetiu, saindo da lanchonete.
Kaufman soltou lentamente o ar pelo nariz, sentindo diminuir a tensão no seu corpo. Detestava aquele tipo de conversa; sentia-se inarticulado e sem ação. Pensando bem, detestava também aquele tipo de homem, um animal vomitando opiniões, de que Nova York estava cheia.


Eram quase seis horas da tarde quando Mahogany acordou. A chuva da manhã tinha se transformado, naquele começo de noite, numa leve garoa. O ar estava tão limpo quanto era possível em Manhattan. Espreguiçou-se na cama, jogou para longe o cobertor sujo e levantou-se para o trabalho. No banheiro a chuva pingava na caixa do ar condicionado, enchendo o apartamento com o som cadenciado e monótono. Mahogany ligou a televisão para abafar o ruído, sem interesse pela imagem na tela. Foi até a janela. A rua, seis andares abaixo, estava apinhada de gente e de veículos.
Depois de um dia de trabalho intenso, Nova York voltava para casa, para se divertir, para fazer amor. As pessoas saíam em bandos dos escritórios e entravam nos seus automóveis. Algumas estariam irritadas depois de um dia de trabalho em cubículos pouco arejados; outras, conformadas como cordeiros, caminhariam para casa seguindo as avenidas, levadas pela corrente incessante de muitos corpos. Outras ainda estariam se dirigindo para o metrô, cegas para os grafitti nas paredes, surdas para a própria voz e o ribombar frio dos túneis. Mahogany gostava de pensar nisso. Afinal, não fazia parte do rebanho comum. Podia ficar ao lado da janela olhando as milhares de cabeças lá embaixo, certo de ser um homem escolhido. É claro, tinha prazos para cumprir, como o povo nas ruas. Mas seu trabalho não era, como o deles, uma tarefa sem sentido; era mais como um dever sagrado. 
Ele precisava viver, comer, dormir e evacuar como eles. Mas o que o impulsionava não era a necessidade financeira e sim as exigências da história. Ele se integrava numa grande tradição, que remontava a um tempo mais antigo do que a descoberta da América. Era um caçador noturno, como Jack, o Estripador, como Gilles de Rais, uma encarnação viva da morte, uma fúria com rosto humano. Era o fantasma que assombrava o sono, que despertava o terror. As pessoas lá embaixo podiam não conhecer seu rosto, nem se dar ao cuidado de olhar para ele duas vezes. Mas seus olhos as apanhavam, avaliavam-nas, escolhendo somente as melhores daquela procissão, selecionando as saudáveis e jovens para o sacrifício de sua faca santificada.
Às vezes Mahogany tinha vontade de desvendar ao mundo sua identidade, mas as responsabilidades pesavam demais sobre ele. Não podia esperar a fama. Sua vida era secreta, e só por orgulho poderia desejar reconhecimento. Afinal, pensou, por acaso a carne aplaude o açougueiro quando pulsa sobre seus joelhos? De um modo geral, estava satisfeito. Fazer parte da antiga tradição era suficiente, teria de ser sempre suficiente.
Entretanto, ultimamente algumas descobertas tinham sido feitas. Não por culpa sua, é claro. Ninguém podia acusá-lo. Mas eram tempos difíceis. A vida não era tão fácil quanto há dez anos. Estava mais velho, é claro, o que tornava o trabalho mais cansativo. E cada vez mais as obrigações sobrecarregavam seus ombros. Era um homem escolhido, um privilégio difícil de ser mantido. Uma vez ou outra pensava se não seria prudente treinar um homem mais jovem para o seu trabalho. Precisaria consultar os Patriarcas, mas, mais cedo ou mais tarde, teriam de encontrar-lhe um substituto, e seria um desperdício criminoso da sua experiência não procurar um aprendiz. Tanta felicidade para transmitir. Os truques da sua profissão extraordinária. O melhor modo de se aproximar furtivamente, de cortar, de despir, de sangrar. A melhor carne para aquele fim. O modo mais simples de se desfazer dos restos. Tantos detalhes, tanta habilidade acumulada...
Mahogany entrou no banheiro e abriu o chuveiro. Entrou sob o jato d’água e olhou para o próprio corpo. A pequena barriga, os cabelos brancos no peito flácido, as cicatrizes e espinhas espalhadas pela pele clara. Estava ficando velho. Porém, naquela noite, como em todas as outras noites, tinha um trabalho para fazer...


Kaufman voltou apressadamente para o saguão, com seu sanduíche, abaixando a gola e passando a mão no cabelo molhado pela chuva. O relógio acima do elevador marcava sete e dezesseis. Trabalharia até as dez em ponto, nem um minuto mais. O elevador o levou ao décimo segundo andar onde ficavam os escritórios de Pappas. Andou lenta e desanimadamente pelo labirinto de mesas vazias e máquinas encapadas, até seu pequeno território, que ainda estava iluminado. As faxineiras conversavam no corredor, e suas vozes eram os únicos sons no prédio.
Tirou o sobretudo, sacudiu-o para tirar a água da chuva e o dependurou no cabide. Sentou-se na frente de pilhas de pedidos com os quais trabalhava há três dias, e começou a tarefa. Mais uma noite e o trabalho estaria terminado, e Kaufman achava mais fácil de se concentrar sem o incessante ruído das máquinas de escrever no escritório. Desembrulhou o sanduíche de presunto com maionese e pão preto e acomodouse para o trabalho da noite.


Eram nove horas agora. Mahogany estava vestido para seu turno da noite. O terno discreto de sempre, a
gravata marrom com o nó impecável, as abotoaduras de prata (presente da primeira mulher) nos punhos da camisa imaculadamente passada, o cabelo escasso brilhando de óleo, as unhas cortadas e polidas, o rosto perfumado com água-de-colônia. Sua mala estava pronta. As toalhas, os instrumentos, o avental de cota de malha. Verificou a própria aparência no espelho. Ainda podia ser tomado por um homem de cinqüenta anos, pensou. Enquanto examinava o rosto no espelho, lembrou-se do dever. Acima de tudo,
precisava ter cuidado. Olhos o seguiriam a cada passo, observando o desempenho dessa noite, julgando-o. Precisava sair como um homem inocente, sem despertar suspeitas.
Se eles soubessem, pensou. Aquela gente que andava, corria e saltava, passando por ele na rua, que colidia com ele sem pedir desculpas, que olhava nos seus olhos com desprezo, que sorria da sua gordura, do corpo pouco a vontade no terno mal feito. Se soubessem o que ele fazia, o que ele era, o que ele levava na mala.
Cuidado, disse para si mesmo, apagando a luz. O apartamento ficou às escuras. Foi até a porta e abriu-a, acostumado a andar no escuro. Feliz no escuro.
As nuvens de chuva tinham desaparecido. Mahogany andou pela Avenida Amsterdam, rumo à estação de metrô da Rua 154. Essa noite tomaria outra vez a composição Avenida das Américas, sua linha favorita e geralmente a mais produtiva. Desceu a escada do metrô com a ficha na mão. Passou pelos portões automáticos. O cheiro dos túneis enchia suas narinas agora. Não o cheiro dos túneis profundos, é claro. Esses tinham um cheiro especial. Mas havia um certo conforto no ar viciado e elétrico da linha menos profunda. O hálito regurgitado de milhões de passageiros circulava naquele lugar apinhado, misturando-se com o hálito de criaturas muito mais velhas; coisas com vozes macias como argila, cujos apetites eram abomináveis. Como ele adorava isso. O cheiro, a escuridão, o trovejar dos túneis.
Ficou de pé na plataforma, observando com olhar crítico os passageiros ao seu lado. Um ou dois corpos achou que seriam dignos de serem seguidos com os olhos, mas havia muita escória entre eles, poucos dignos da caçada. Os fisicamente gastos, os obesos, os doentes, os exaustos. Corpos destruídos por excessos e por indiferença. Ofendiam seu instinto de profissional, embora compreendesse a fraqueza que estragava o melhor dos homens. Andou pela estação por mais de uma hora, vagando pelas plataformas, enquanto os trens chegavam e partiam, chegavam e partiam, e o povo com eles. Havia tão poucas pessoas de boa qualidade, que ficou desanimado. Parecia que cada vez a espera se tornava mais longa até encontrar a carne digna de ser usada.
Eram agora quase dez e meia e não tinha visto nenhuma criatura realmente ideal para o abate. Não importa, pensou ele, ainda tinha tempo. Logo ia aparecer o pessoal dos teatros. Sempre havia um ou outro corpo saudável. A inteligentsia bem alimentada, segurando os canhotos das entradas e comentando sobre as diversas formas de arte.
— oh, sim, encontraria alguma coisa entre ela.
Do contrário, e em certas noites parecia impossível encontrar alguma coisa apropriada, teria de ir de carro até o centro da cidade e apanhar um casal de namorados na rua, ou encontrar um ou dois atletas, saindo do clube de ginástica. Sempre garantiam bom material, só que com esse tipo de espécimes fortes podia haver alguma resistência.
Lembrou-se dos dois negros que havia atacado há um ano mais ou menos, com uma diferença de quarenta anos entre eles; pai e filho, talvez. Tinham resistido com facas, e Mahogany passou seis semanas no hospital. Uma luta séria que havia feito Mahogany duvidar da própria habilidade. Pior, imaginou o que os seus mestres teriam feito com ele se sofresse um ferimento mortal. Seria enviado à família em Nova Jersey, para um decente enterro cristão? Ou sua carcaça seria atirada nas trevas, para o próprio uso deles?
A manchete do New York Post deixado no banco ao seu lado chamou a atenção de Mahogany: “Toda a polícia na rua para apanhar o assassino.” Não pôde evitar um sorriso. Os pensamentos sobre fracasso, fraqueza e morte desapareceram. Afinal, era ele aquele homem, era ele o assassino, e naquela noite a idéia de ser preso era risível. Afinal, sua carreira não era sancionada pelas autoridades mais altas? Nenhum policial poderia detê-lo, nenhum tribunal seria capaz de julgá-lo. As próprias forças da lei e da ordem que encenavam toda aquela perseguição serviam a seus senhores tanto quanto ele; quase desejava que um policial insignificante o que o levasse em triunfo à presença do juiz só para ver a cara deles quando viesse das trevas a informação de que Mahogany era um homem protegido, acima de qualquer lei ou estatuto.
Passava agora das dez e trinta. Os freqüentadores de teatros começavam a aparecer, mas nada ainda aproveitável entre eles. De qualquer forma esperaria passar a hora de maior movimento e seguiria uma ou duas peças melhores até o fim da linha. Esperou com paciência, como um caçador experiente.


Às onze horas, uma hora além do que havia prometido a si mesmo, Kaufman ainda não havia terminado. Mas a irritação e o tédio dificultavam o trabalho, e os números se embaralhavam na frente dos seus olhos. As onze e dez entregou os pontos e admitiu a derrota. Esfregou os olhos ardentes com as palmas das mãos até enxergar um verdadeiro calidoscópio sob as pálpebras fechadas.
— Que se fodam! — disse.
Nunca dizia palavrões na frente de outras pessoas. Mas uma vez ou outra dizer “que se fodam” era um grande consolo. Saiu do escritório com o sobretudo úmido no braço e foi para o elevador. Sentia as pernas e os braços dormentes e mal podia manter os olhos abertos. Lá fora estava mais frio do que esperava, e o ar da noite expulsou em parte sua letargia. Caminhou para o metrô da Rua 34. Tomaria um expresso até Park Rockaway e estaria em casa dentro de uma hora.
Nem Kaufman nem Mahogany sabiam, mas na esquina da Rua 96 com a Broadway a polícia acabava de prender o que julgava ser O Assassino do Metrô, depois de cercá-lo num dos trens que iam para a cidade. Era um homem pequeno, de origem européia, que empunhava um martelo e uma serra e encurralara uma jovem no segundo carro, ameaçando cortá-la pelo meio em nome de Jeová. Se era ou não capaz de cumprir a ameaça, ninguém sabia. Mas, em verdade, nem teve chance de provar. Enquanto o resto dos passageiros (incluindo dois fuzileiros navais) observava, a vítima em potencial deu-lhe um pontapé certeiro nos testículos. Ele deixou cair o martelo. Ela o apanhou e quebrou-lhe o maxilar inferior e o osso da
face antes que os fuzileiros pudessem intervir.
Quando o trem parou na Rua 96, os policiais estavam à espera para efetuar a prisão do Açougueiro do Metrô. Entraram correndo no carro, gritando como almas penadas e morrendo de medo. O Açougueiro estava deitado num canto, com o rosto em mísero estado. Eles o levaram triunfantes. A mulher, depois de ser interrogada, foi para casa com os fuzileiros. Uma confusão que lhe viria a ser muito útil, embora Mahogany dela não tivesse a menor notícia ainda. A polícia levou boa parte da noite para determinar a identidade do prisioneiro, especialmente porque ele mal podia falar, com o maxilar quebrado. Só às três e meia da manhã um certo Capitão Davis, que entrou de serviço naquela hora, reconheceu o homem como um vendedor de flores aposentado do Bronx, chamado Hank Vasarely. Aparentemente Hank fora preso muitas vezes por comportamento ameaçador e exposição indecente, tudo em nome de Jeová. As aparências enganam; Hank era tão perigoso quanto o coelhinho da Páscoa. Não era O Açougueiro do Metrô.
Mas quando os policiais chegaram a essa conclusão Mahogany já estava fazendo seu trabalho há muito tempo. 


Eram onze e quinze quando Kaufman entrou no expresso para a Avenida Mott. Havia mais dois passageiros no carro. Uma mulher negra de meia-idade, vestindo um púrpura, e um adolescente pálido e cheio de acne, que olhava fixamente para os grafitti do teto, onde havia um que dizia “Beije meu traseiro”. Kaufman estava no primeiro carro. Tinha uma viagem de trinta e cinco minutos pela frente. Fechou os olhos, embalado pelo balanço ritmado do trem. Era uma viagem tediosa, e ele estava cansado. Não viu quando as luzes se apagaram no segundo carro. Não viu o rosto de Mahogany, no vidro entre os dois carros, a procura de mais carne.
Na Rua 14 a mulher negra desceu. Ninguém embarcou. Kaufman abriu os olhos brevemente, olhou para a plataforma vazia da Rua 14 e os fechou de novo. As portas se fecharam com um zumbido... Ele pairava naquele morno lugar entre a vigília e o sono com o adejar de sonhos nascentes envolvendo-o. Uma sensação agradável. O trem andou outra vez, chacoalhando nos túneis. Talvez no fundo da mente adormecida Kaufman tenha registrado o fato de que as portas entre o primeiro e o segundo carro haviam sido abertas. Talvez tenha sentido o cheiro da rajada repentina do ar do túnel, registrando também o barulho mais acentuado das rodas do trem. Mas ignorou tudo isso. Talvez tivesse até mesmo ouvido o ruído da luta quando Mahogany dominou o jovem de olhar perdido. Mas o som era distante, e a promessa do sono, tentadora. Kaufman dormiu de novo.
Por alguma razão sonhou com a cozinha da mãe. Ela estava picando nabos e sorrindo docemente. No sonho Kaufman era muito pequeno e olhava para o rosto radiante enquanto ela trabalhava. Corta. Corta. Corta. Abriu os olhos bruscamente. Sua mãe desapareceu. O carro estava vazio. O jovem havia desaparecido. Durante quanto tempo tinha dormido? Não se lembrava de o trem ter parado na Rua 4. Levantou-se, sonolento ainda, e quase caiu com um balanço mais violento do carro. Parecia ter aumentado muito a velocidade. Talvez o maquinista tivesse pressa de chegar em casa, de ir para a cama abraçado à mulher. Estavam voando, na verdade. E era apavorante. 
Kaufman viu uma persiana baixada sobre o vidro entre os dois carros, que não tinha notado antes. Ficou um pouco preocupado. Será que havia dormido demais, e o guarda não o vira no carro? Talvez tivessem passado por Park Rockaway, e o trem corresse agora para onde quer que fosse guardado à noite.
— Que se fodam! — disse em voz alta.
Deveria ir até o maquinista para se informar? Que pergunta mais idiota! Onde estamos? Naquela hora da noite, certamente ia ouvir uma porção de desaforos como resposta. Então o trem começou a diminuir a marcha. Uma estação. Sim, uma estação. O trem saiu do túnel para a luz encardida na estação da Rua 4 Oeste. Não tinha perdido parada alguma. Mas então, para onde tinha ido o garoto? Teria ignorado o aviso, proibindo passar de um carro para o outro quando o trem estivesse em movimento, ou estava na cabine do maquinista, lá na frente?
Provavelmente entre as pernas do maquinista ainda, pensou Kaufman com um sorriso de desprezo. Não seria a primeira vez. Aquele era o Palácio das Delícias, afinal, e todos tinham direito a um pouco de amor no escuro. Kaufman deu de ombros. Por que se importar com o paradeiro do garoto? As portas se fecharam. Ninguém tinha embarcado. Saíram da estação, as luzes diminuindo de intensidade com o aumento de energia usada pelo motor para recuperar a marcha.
Kaufman sentiu outra vez vontade de dormir, mas o medo de se perder injetou-lhe adrenalina no organismo, e seus braços e pernas formigaram com energia nervosa. Seus sentidos estavam aguçados. Sobre o barulho metálico e surdo das rodas nos trilhos, ouviu o som de roupa sendo rasgada, que vinha do segundo carro. Alguém estaria tirando a camisa apressadamente? Levantou-se, segurando uma das alças de couro para se equilibrar. A janela entre os carros estava fechada pela persiana, mas Kaufman olhou para ela, franzindo a testa, como se pudesse adquirir visão raio-X de um momento para outro. O carro balançava e balançava. A toda velocidade outra vez. Outra vez o barulho de roupa rasgada. Seria algum estupro?
Levado por um leve impulso de bisbilhotice caminhou no carro balouçante para a porta, esperando encontrar uma fresta na persiana. Com os olhos fixos nelas, não notou que chapinhava em sangue. Até que...
...escorregou. Olhou para baixo. Seu estômago viu o sangue antes que o cérebro registrasse alguma coisa, e o presunto com pão de centeio subiu, prendendo-se na sua garganta. Sangue. Respirou várias vezes o ar viciado e desviou a vista — de volta para a janela. Sua mente dizia: sangue. Nada podia afastar a palavra da sua cabeça. Estava a uns dois metros da porta, agora. Precisava ver. Havia sangue nos seus sapatos, e uma trilha fina que ia até o outro carro, mas Kaufman precisava olhar. Era imperativo. Mais dois passos na direção da porta e então examinou a persiana, procurando uma fresta; um fio puxado no pano seria suficiente. Achou um orifício minúsculo. Grudou o olho nele.
Seu cérebro recusou-se a aceitar o que os olhos viam do outro lado da porta. Rejeitou o espetáculo como absurdo, como um sonho. A razão dizia que não podia ser real, mas seus servos sabiam que era. Ficou rígido de terror. Os olhos fixos não se podiam afastar da cena horrível no outro lado da cortina. Ficou ali parado na porta enquanto o trem continuava a viagem barulhenta, todo o seu sangue fugindo para as extremidades, e o cérebro atordoado por falta de oxigênio. Pontos brilhantes espoucaram na frente dos seus olhos, obliterando a atrocidade. Então ele desmaiou. Estava inconsciente quando o trem chegou â Rua Jay. Não ouviu o aviso do maquinista para que todos os passageiros que iam continuar viagem mudassem de trem. Se tivesse ouvido, sem dúvida questionaria o motivo. Nenhum trem desembarcava todos os passageiros na Rua Jay; a linha ia até a Avenida Mott, via Aqueduto do Hipódromo, passando pelo Aeroporto John F. Kennedy. Teria perguntado que tipo de trem era aquele. Exceto pelo fato de já saber.
A verdade estava dependurada no outro carro. Sorria satisfeita para si própria, protegida por um avental ensangüentado de cota de malha. Aquele era o Trem de Carne da Meia-noite. 
Não se pode calcular o tempo num desmaio total. Segundos ou horas podiam ter passado antes que Kaufman abrisse os olhos de novo e sua mente se concentrasse naquela terrível situação. Viu-se deitado sob um dos bancos, encostado numa das paredes vibrantes do carro. Até então a sorte estava com ele, pensou; de algum modo, o balanço do carro havia levado seu corpo inconsciente para o esconderijo. Pensou no horror no Carro Dois, e engoliu o vômito. Estava sozinho. Onde quer que estivesse o guarda (talvez assassinado), não tinha como chamar por socorro. E o maquinista? Estaria morto também nos controles? Estaria o trem naquele momento lançando-se para dentro de um túnel desconhecido, um túnel sem qualquer estação que o pudesse identificar, a caminho da destruição? E se não houvesse alguma colisão para matá-lo, havia o Açougueiro, ainda retalhando, separado de Kaufman apenas por uma porta. Para qualquer lado que se voltasse, o nome na porta era Morte.
O barulho era ensurdecedor, especialmente ali, deitado no chão. Os dentes de Kaufman batiam sem cessar, e seu rosto estava amortecido pela vibração; até seu crânio doía. Gradualmente sentiu que as forças voltavam aos membros exaustos. Com cuidado esticou os dedos e fechou-os, para provocar o refluxo do sangue. Com a volta da sensação, voltou também a náusea. Continuava a ver a nojenta brutalidade no outro carro. Tinha visto fotografias de vítimas de crimes antes, é claro, mas aquele não era um crime comum. Estava no mesmo trem que o Açougueiro do Metrô, o monstro que dependurava as vítimas pelos pés nas alças de couro, sem pêlos e nuas. Dentro de quanto tempo o assassino iria atravessar aquela porta e exigir também o corpo de Kaufman? Tinha certeza de que, se o Açougueiro não acabasse com ele, a terrível expectativa se encarregaria disso.
Ouviu movimentos do outro lado da porta. O instinto dirigiu sua ação. Kaufman afundou-se mais sob o banco, o corpo transformado numa bola minúscula, o rosto pálido virado para a parede. Depois cobriu
a cabeça com as mãos e fechou os olhos com força, como um garoto com medo do bicho-papão. A porta deslizou, abrindo-se. Clique. Suash. Uma lufada de ar veio dos trilhos. Um cheiro diferente de todos que Kaufman já havia sentido, e mais frio. O ar em suas narinas era algo primitivo, hostil e indescritível. Kaufman estremeceu. A porta se fechou. Clique.
O Açougueiro estava perto, Kaufman sabia. Devia estar em pé, a poucos centímetros dele. Estaria olhando para as costas de Kaufman? Inclinando-se, a faca na mão, para tirar Kaufman do esconderijo, como um caramujo arrancado da concha? Nada aconteceu. Não sentiu qualquer bafo no pescoço. Sua espinha não foi aberta de alto a baixo. Apenas o som de passos perto da cabeça de Kaufman, depois o mesmo som
afastando-se. O ar preso nos seus pulmões, que estavam a ponto de estourar, foi expelído asperamente entre os dentes.


Mahogany ficou quase desapontado ao ver que o homem adormecido tinha desembarcado na Rua 4. Esperava ter mais uma tarefa a realizar naquela noite, que o mantivesse ocupado até o fim da linha. Mas não. O homem se fora. A vítima em potencial não parecia mesmo muito saudável, pensou. Provavelmente um anêmico contador judeu. A carne não devia ser de primeira qualidade. Mahogany atravessou o carro na direção da cabine do maquinista. Passaria o resto da viagem ali. Cristo, pensou Kaufman, ele vai matar o maquinista. A porta da cabine se abriu. Então ouviu a voz do Açougueiro baixa e rouca:
— Oi
— Oi.
Eles se conheciam.
— Tudo feito?
— Sim.
Kaufman ficou chocado com o que havia de rotineiro naquela troca de palavras. Tudo feito? O que queria dizer tudo feito? Não ouviu as palavras seguintes, porque o trem passou por uma parte muito barulhenta dos trilhos. Kaufman não resistiu mais. Cuidadosamente desvirou o corpo e olhou por sobre o ombro para a porta do carro. Só podia ver as pernas do Açougueiro e a parte de baixo da porta da cabine aberta. Diabo! Queria ver outra vez o rosto do monstro.
Ouvia risadas agora.
Kaufman calculou os riscos da sua situação; a matemática do pânico. Se ficasse onde estava, mais cedo ou mais tarde o Açougueiro o veria, e ele seria transformado em picadinho. Por outro lado, se saísse do esconderijo, arriscava-se a ser visto e perseguido. O que seria pior, a imobilidade e depois a morte, encurralado num buraco, ou tentar a fuga e enfrentar o Juízo Final no meio do carro?
Kaufman surpreendeu-se com a própria coragem: escolheu sair dali. Com lentidão infinita arrastou-se de sob o banco, os olhos pregados nas costas do Açougueiro. Uma vez fora, começou a se arrastar para a porta. Cada palmo era um tormento, mas o Açougueiro parecia muito entretido com a conversa. Kaufman chegou a porta. Começou a se levantar, tentando se preparar para o que ia ver no Carro Dois. Segurou a maçaneta, e a porta se abriu mansamente. O barulho das rodas aumentou, e uma onda de ar viciado e úmido, um fedor que não existia na terra o envolveu. Será que o Açougueiro iria ouvir algum ruído, ou sentir o cheiro? Será que se voltaria...? Mas não. Kaufman passou pela pequena abertura da porta para a câmara
ensangüentada. O alívio fez com que se descuidasse. Não fechou a porta ao passar, e ela começou a se abrir com os movimentos do trem.
Mahogany enfiou a cabeça para fora da cabine e olhou para a porta.
— Que diabo é isso? — disse o maquinista.
— Não fechei bem a porta. Nada demais.
Kaufman ouviu os passos do Açougueiro na direção da porta. Agachou-se, uma bola de pânico, contra a parede entre os dois carros, percebendo de repente que seus intestinos estavam cheios. A porta foi puxada do outro lado, e os passos se afastaram. Salvo, pelo menos por mais alguns minutos. Kaufman abriu os olhos, preparando-se para a carnificina que ia ver. Não podia evitá-lo. Apossou-se de todos os seus sentidos: o cheiro das entranhas abertas, a visão dos corpos, a sensação do líquido no chão sob seus dedos, o som das alças de couro estalando ao peso dos corpos, até o ar com o gosto salgado de sangue. Estava
naquele cubículo diante da morte absoluta, correndo velozmente, cortando as trevas. Mas não sentiu náusea agora. Nenhuma sensação sobrou a não ser uma leve repugnância. Chegou a examinar os corpos com curiosidade.
A carcaça mais próxima era o que restava do jovem espinhento do Carro Um. O corpo estava de cabeça para baixo, balançando para a frente e para trás ao ritmo do trem, em uníssono com os três companheiros; uma obscena dança macabra. Os braços pendiam molemente dos ombros, onde dois cortes com dois centímetros mais ou menos de profundidade tinham sido feitos, para que os corpos ficassem mais em
ordem assim dependurados. 
Cada parte da anatomia do garoto ondulava, acompanhando o ritmo do trem. A língua pendia da boca aberta. A cabeça balançava no pescoço cortado. Até o pênis sacudia de um lado para o outro na virilha pelada. Do ferimento na cabeça e do corte da jugular o sangue pingava ainda no balde preto. Havia uma certa elegância em tudo aquilo, a marca de um trabalho bem-feito.
Ao lado do primeiro estavam os corpos de duas mulheres brancas e outro de um rapaz de pele morena. Kaufman inclinou a cabeça para olhar os rostos deles. Não devia ser porto-riquenho. Todos sem cabelo e sem pêlos. Na verdade, o ar estava repleto do cheiro pungente da tosa. Kaufman ergueu-se, encostado na parede do carro, e o corpo de uma das mulheres girou, mostrando as costas para ele. Não estava preparado para aquele horror final.
A carne das costas estava aberta do pescoço até as nádegas, e o músculo fora retirado para expor as vértebras brilhantes. O triunfo final da arte do Açougueiro. Ali estavam dependurados aqueles pedaços retalhados, tosados, sangrados de humanidade, abertos como peixes, prontos para serem devorados...
Kaufman quase sorriu ante a perfeição daquele horror. Sentiu a sugestão de insanidade fazendo cócegas na base do seu crânio, tentando-o para o vazio, prometendo uma indiferença total para com o mundo. Começou a tremer incontrolavelmente. Suas cordas vocais tentavam formar um grito. Era intolerável; porém, gritar seria ver-se transformado numa das criaturas ali dependuradas.
— Foda-se — ele disse, em voz mais alta do que pretendia; depois, desencostando-se da parede começou a andar pelo carro entre os corpos balouçantes, observando as pilhas de roupas cuidadosamente dobradas ao lado dos outros objetos, nos bancos, ao lado dos donos. Sob seus pés o chão estava pegajoso, coberto de bile quase seca. Mesmo com os olhos quase fechados, via o sangue nos baldes com extrema clareza; era grosso e embriagador, com pontos de poeira girando dentro dele.
Passou pelo jovem e viu a porta do Carro Três. Tudo o que tinha a fazer era percorrer a aterrorizante fileira de atrocidades. Obrigou-se a seguir em frente, tentando ignorar os horrores, concentrando-se na porta que o levaria de volta a sanidade. Passou pela primeira mulher. Mais alguns metros, disse para si mesmo, dez
passos no máximo; menos, se caminhasse confiantemente. Então as luzes se apagaram.
— Jesus Cristo! — disse ele.
O trem inclinou-se para um lado, e Kaufman perdeu o equilíbrio. Na escuridão completa procurou apoio e os braços frenéticos abraçaram o corpo mais próximo. Antes que pudesse evitar, sentiu as mãos ergulharem na carne macia e os dedos agarrando a borda aberta do músculo das costas da mulher morta, as pontas tocando o osso da espinha. Seu rosto estava encostado na carne sem pêlos da virilha. 
Ele gritou e estava gritando ainda quando as luzes se acenderam.
E quando as luzes voltaram, piscando, e o grito morreu na sua garganta, ouviu o ruído dos passos do Açougueiro atravessando o Carro Um em direção à porta. Largou o corpo que abraçava. Seu rosto estava sujo do sangue da perna da mulher morta. Kaufman o sentia como se fosse uma pintura de guerra dos índios. O grito havia desanuviado sua mente, e sentiu de repente uma espécie de força. Não ia haver perseguição por todo o trem, ele sabia; não ia haver covardia, não agora. Ia haver um confronto primitivo, dois seres humanos, face a face. E não haveria truque — qualquer truque — que ele não estivesse disposto a usar para derrotar o inimigo. Era uma questão de sobrevivência, pura e simples.
A maçaneta da porta girou.
Kaufman olhou em volta, procurando uma arma, os olhos firmes e calculadores. Viu a pilha de roupas ao lado do corpo do porto-riquenho. Havia uma faca entre os anéis de pedras falsas e cordões imitando ouro. Uma arma limpa e imaculada de lâmina longa, orgulho e alegria de um homem. Estendendo o braço para além do corpo jovem e musculoso, Kaufman apanhou-a. Era uma sensação agradável, segurá-la; na
verdade, extremamente excitante.
A porta estava sendo aberta, e o rosto do Açougueiro apareceu. Kaufman olhou para Mahogany através do matadouro. Não era terrivelmente assustador; apenas outro homem cinqüentão, gordo, meio calvo. Rosto pesado, olhos fundos. A boca, pequena para o rosto e lábios delicados. Na verdade, uma boca feminina.


Mahogany não podia entender de onde tinha surgido aquele intruso, mas sabia que era outro dos seus descuidos, outro sinal de incompetência crescente. Precisava despachar aquela criatura imperfeita imediatamente. Afinal, não deviam estar a mais de dois ou três quilômetros do fim da linha. Precisava retalhar o homenzinho e dependurálo pelos tornozelos antes de chegar ao seu destino.
Entrou no Carro Dois.
— Você estava dormindo — disse, reconhecendo Kaufman. — Eu o vi.
Kaufman não disse nada.
— Devia ter saído do trem. O que estava tentando fazer? Queria se esconder de
mim?
Kaufman continuou em silêncio.
Mahogany segurou o cabo do cutelo que pendia do cinto de couro muito usado. Estava sujo de sangue, bem como o avental de cota de malha, o martelo e a serra.
— Agora — disse ele — tenho de liquidar você também.
Kaufman ergueu a faca. Parecia pequena comparada as armas do Açougueiro. 
— Foda-se — ele disse.
Mahogany sorriu das pretensões de defesa do homenzinho.
— Não devia ter visto isto; não é para gente como você — disse ele, dando outro passo para Kaufman. — É um segredo.
Oh, ele se julga um tipo inspirado por Deus, certo? — pensou Kaufman. Isso explica muita coisa.
— Foda-se — repetiu.
O Açougueiro franziu a testa. Não gostava da indiferença do homenzinho por seu trabalho, por sua reputação.
— Todos nós temos de morrer um dia — ele disse. —Você devia estar satisfeito, não vai ser liquidado como a maioria deles. Posso usar você. Para alimentar os Patriarcas.
A única resposta de Kaufman foi um sorriso. Não estava mais aterrorizado com aquele monstro grosseiro e desajeitado.
O Açougueiro tirou o cutelo do cinto e o brandiu no ar.
— Um judeuzinho imundo como você — disse ele —devia agradecer por poder ser útil; ser carne é o melhor que pode desejar.
Sem nenhum aviso, o Açougueiro atacou. O cutelo dividiu o ar com velocidade, mas Kaufman recuou para longe do alcance da arma. O cutelo raspou a manga do seu paletó, cortando-a e foi se enterrar na nádega do porto-riquenho. O impacto quase decepou a perna, e o peso do corpo abriu mais o talho. A carne exposta da coxa era como carne da melhor qualidade, suculenta e apetitosa.
O Açougueiro começou a retirar o cutelo do corpo e nesse momento Kaufman atacou. A faca moveu-se velozmente para o olho de Mahogany, mas por um erro de cálculo atingiu o pescoço. Atravessou a coluna e apareceu do outro lado, com uma pequena gota de sangue. O pescoço atravessado. Com um único golpe. De um lado ao outro.
Mahogany sentiu a lâmina no pescoço como uma sensação sufocante, quase como se tivesse um osso de galinha atravessado na garganta. Emitiu um som ridículo de tosse. O sangue escorreu dos seus lábios, pintando-os como batom numa boca de mulher. O cutelo caiu no chão. Kaufman retirou a faca. Dos dois ferimentos o sangue jorrou, em arco. Mahogany caiu de joelhos, olhando para a faca que o havia matado. O
homenzinho o observava passivamente. Dizia alguma coisa, mas Mahogany estava surdo para as palavras, como se estivesse embaixo d’água. De repente Mahogany ficou cego. Sabia, com uma nostalgia dos sentidos, que jamais ia ver ou ouvir outra vez. Isto era a morte. Estava com ele, sem dúvida.
Porém a mão sentia ainda o pano da calça, e os borrifos quentes na sua pele. Á vida parecia andar na ponta dos pés, enquanto os dedos agarravam-se aos últimos sentidos... e então o corpo desmoronou, e as mãos, a sua vida e seu dever sagrado desapareceram sob o peso da carne cinzenta. O Açougueiro estava morto.


Kaufman respirou profundamente o ar viciado e segurou uma das alças de couro para se equilibrar. Lágrimas obscureciam a visão da cena que o rodeava. Passou-se algum tempo; não sabia dizer quanto se demorou perdido num sonho de vitória. Então o trem começou a diminuir a velocidade. Sentiu e ouviu os freios sendo acionados. Os corpos dependurados foram lançados para a frente quando o trem deslizou, diminuindo a marcha, as rodas guinchando nos trilhos suados e pegajosos. Kaufman foi dominado pela curiosidade.
O trem ia desviar-se agora para o abatedouro subterrâneo do Açougueiro, decorado com as carnes que ele havia colecionado em toda a sua carreira. E o maquinista risonho, tão indiferente ao massacre, o que faria quando o trem chegasse ao seu destino? O que quer que acontecesse agora era acadêmico. Kaufman podia
enfrentar qualquer coisa; olhar e ver. O alto-falante estalou. A voz do maquinista.
— Fim da linha, cara. Melhor ir para o seu lugar, hein?
Ir para o seu lugar? O que significava isso?
O trem estava quase parando agora. Lá fora tudo estava escuro, como sempre. As luzes piscaram, depois se apagaram. Dessa vez não acenderam novamente. Kaufman estava em completa escuridão.
— Partiremos dentro de meia hora — anunciou o alto-falante, exatamente como
um aviso comum de estação.
O trem parou. O som das rodas nos trilhos, o deslocamento de ar da sua passagem, aos quais Kaufman já se havia acostumado, desapareceram de repente. Só ouvia o zumbido do alto-falante. Nada via na escuridão. Então, um som sibilante. As portas estavam se abrindo. Um cheiro invadiu o carro, tão cáustico que Kaufman levou a mão ao rosto para se defender dele. Ficou em silêncio, a mão sobre a boca durante o que lhe pareceu uma vida. Não ver o mal. Não ouvir o mal. Não falar o mal.
Então, viu um lampejo luminoso fora da janela. Desenhou a silhueta do batente da porta e aumentava gradualmente. Logo a luz no carro era suficiente para que Kaufman visse o corpo encolhido do Açougueiro a seus pés e os lívidos pedaços de carne dependurados em volta dele. Ouviu um murmúrio também, vindo do escuro, fora do trem, um conjunto de vozes fracas, como vozes de insetos. No túnel, arrastando os pés na direção do trem, caminhavam seres humanos. Kaufman via seus contornos agora. Alguns carregavam
tochas que queimavam com uma luz marrom mortiça. O ruído era talvez dos pés na terra úmida, talvez suas línguas estalando, talvez as duas coisas. Kaufman não era mais o homem ingênuo de uma hora atrás. Não podia haver dúvida quanto â intenção daquelas coisas que saíam das trevas e caminhavam para o carro do trem. O Açougueiro havia abatido os homens e as mulheres para servir de alimento aos canibais, e eles estavam chegando, como que atendendo ao gongo do carro-restaurante.
Kaufman inclinou-se e apanhou o cutelo do Açougueiro. O barulho das criaturas aproximava-se cada vez mais. Ele recuou para o lado oposto das portas abertas, mas descobriu que as outras estavam abertas também, e o murmúrio vinha dos dois lados, aproximando-se dele. Encolheu-se contra um dos bancos e estava a ponto de se esconder debaixo de um deles quando uma mão, magra e frágil, quase transparente, apareceu na porta. Não podia desviar os olhos. Não que estivesse paralisado pelo terror, como quando olhou pela porta entre os carros. Simplesmente queria ver.
A criatura subiu no carro. As tochas atrás dela deixavam seu rosto na sombra, mas os contornos podiam ser vistos claramente. Não havia nada de notável. Dois braços, duas pernas, a cabeça de formato normal. O corpo era pequeno, e o esforço de subir no trem a fazia respirar asperamente. Parecia mais geriátrica do que psicótica; gerações de canibais fictícios não o haviam preparado para aquela comovente vulnerabilidade. Atrás da primeira, criaturas semelhantes começaram a surgir das trevas, subindo no trem. Na verdade, entravam por todas as portas. Kaufman estava encurralado Sopesou o cutelo nas mãos, pronto para a luta contra aqueles monstros antigos.
Uma tocha fora levada para o carro e iluminava os rostos dos líderes. Eram completamente calvos. A pele cansada dos rostos esticava-se sobre os ossos, brilhando com a tensão. Havia manchas de podridão e doença, e em alguns lugares o músculo tinha se transformado em pus negro, através do qual apareciam os
ossos da têmpora ou da face. Alguns deles estavam nus como bebês, os corpos, uma massa informe e sifilítica, quase assexuados. Os que tinham sido seios carregavam sacos ressecados pendendo dos ombros, os órgãos genitais murchos, quase inexistentes.
Mais impressionantes do que os nus eram os que usavam roupas. Kaufman percebeu logo que eram feitas de pele humana e pendiam dos ombros ou estavam amarradas na cintura. Não apenas uma, mas uma dúzia ou mais de peles amontoadas ao acaso sobre os corpos das criaturas, como patéticos troféus. Os líderes daquela grotesca fila para a refeição tinham chegado aos corpos, e as mãos delicadas tocavam a carne dependurada, passando de cima a baixo nos corpos sem pêlos, com gestos que sugeriam prazer sensual. Línguas dançavam fora das bocas, perdigotos caíam sobre a carne. Os olhos dos monstros dardejavam de um lado para o outro, com fome e excitação. Finalmente um deles viu Kaufman. Os olhos pararam por um momento, fixando-se nele. Uma expressão interrogativa surgiu no rosto, uma paródia de perplexidade.
— Você — disse a coisa. A voz era tão devastada quanto os lábios de onde saía.
Kaufman ergueu um pouco o cutelo, calculando suas chances. Havia uns trinta deles no carro e muitos mais lá fora. Mas pareciam tão fracos, e não tinham armas, a não ser pele e osso. O monstro falou outra vez, a voz bem modulada, sob controle agora, a entonação de um homem antes culto, antes encantador.
— Você veio à procura do outro, não é?
Olhou para o corpo de Mahogany. Evidentemente compreendeu a situação com rapidez.
— Ele já estava mesmo velho — disse a criatura, os olhos lacrimejantes postos mais uma vez em Kaufman, estudando cuidadosamente.
— Foda-se — disse Kaufman. A criatura tentou um sorriso irônico, mas a técnica estava quase esquecida, e o resultado foi uma careta, expondo os dentes sistematicamente limados em ponta. 
— Agora será você quem terá de fazer isto para nós — disse o monstro com seu sorriso bestial.
— Não podemos sobreviver sem comida.
A mão deu pancadinhas na nádega de carne humana. Kaufman não tinha resposta para aquela idéia. Olhou com repugnância para as unhas que deslizavam entre as nádegas, sentindo o músculo tenro.
— Isto nos repugna tanto quanto a você — disse a criatura. — Mas somos obrigados a comer esta carne, do contrário morreremos. Deus sabe que não gosto dela.
Mas a coisa estava babando.
Kaufman conseguiu falar, afinal. Sua voz saiu fraca, mais por uma confusão de sentimentos do que por medo.
— O que são vocês? — Lembrou-se do homem barbado na lanchonete. — São algum tipo de acidente?
— Somos os patriarcas da Cidade — disse a coisa. — Bem como as mães, as filhas e os filhos. Os construtores, os legisladores. Nós fizemos esta cidade.
— Nova York? — perguntou Kaufman. — O Palácio das Delicias?
— Antes de você nascer. Antes do nascimento de qualquer pessoa viva. Enquanto falava, a criatura passava as unhas sob a pele do corpo aberto, soltando a fina camada elástica do músculo apetitoso. Atrás de Kaufman, as outras criaturas estavam tirando os corpos das alças, as mãos acariciando com prazer os
seios macios e os flancos. Eles também começavam a esfolar os corpos.
— Você nos trará mais — disse o primeiro. — Mais carne para nós. O outro fornecedor estava fraco.
Kaufman olhou para o monstro, incrédulo.
— Eu? — disse ele. — Alimentar vocês? O que pensa que sou?
— Deve fazer por nós, e para os mais velhos do que nós. Para aqueles de antes de a cidade ser imaginada, quando a América era só florestas e desertos.
A mão frágil fez um gesto, apontando para fora do trem. Kaufman acompanhou com os olhos a direção apontada. Havia alguma coisa na escuridão que ele não vira antes; muito maior do que qualquer ser humano.
O bando de criaturas abriu um espaço para que ele pudesse examinar melhor o
que estava lá fora, mas seus pés não se moveram.
— Ande — disse o patriarca.
Kaufman pensou na cidade que tinha amado. Seriam aqueles realmente seus antigos fundadores, seus filósofos, seus criadores? Tinha que acreditar. talvez houvesse pessoas na superfície.— burocratas, políticos, todo tipo de autoridade — que conheciam esse terrível segredo, e cujas vidas eram dedicadas a preservação daquela coisa abominável, alimentando as criaturas, como os selvagens ofereciam ovelhas aos
deuses. Havia uma terrível familiaridade naquele ritual. Despertava uma lembrança — não na mente consciente de Kaufman, mas no outro ego mais profundo, mais antigo. Seus pés, não mais obedecendo à mente, mas à força do instinto para adorar, moveram-se. Atravessou aquele corredor de corpos e saiu do trem. 
A luz das tochas iluminava agora fracamente a escuridão lá fora. O ar parecia sólido, espesso, com o cheiro de terra muito antiga. Mas Kaufman não sentia cheiro algum. Inclinou a cabeça para a frente, o máximo
que podia fazer para não desmaiar outra vez. Lá estava; o precursor do homem. O americano original, a quem a terra pertencia antes mesmo dos Passamaquoddy ou dos Cheyenne. Seus olhos, se é que aquilo tinha olhos, estavam fixos nele.
Kaufman estremeceu, Seus dentes bateram uns contra os outros. Ouviu o ruído da anatomia daquela coisa: tiquetaqueando, estalando, soluçando. Ela fez um pequeno movimento no escuro. O som era apavorante. Como urna montanha acomodando-se. O rosto de Kaufman estava erguido para o vulto e, sem pensar no que fazia, sem saber por que, caiu de joelhos na imundície na frente do Patriarca dos Patriarcas.
Cada dia da sua vida o havia levado para aquele dia, cada movimento apressando-o para aquele instante incalculável de terror sagrado. Se houvesse luz suficiente naquele inferno para ele ver tudo, talvez seu coração, frágil coração, tivesse explodido. Porém, vendo só o que podia ver, sentiu um adejar tremulo no peito.
Era um gigante. Sem cabeça ou membros. Sem nenhum traço humano, sem um órgão que tivesse sentido, sem sentidos. Se ela parecia com alguma coisa, era com um cardume de peixes. Milhares de bocas movendo-se em uníssono, brotando, florescendo e murchando ritmadamente. Era iridescente como madrepérola, mas as vezes predominava uma cor mais profunda do que todas as que Kaufman conhecia e cujo nome sabia! Era tudo que Kaufman podia ver, seria mais do que ele desejava ver. Havia muito
mais na escuridão, bruxuleando e estalando. Mas ele não podia olhar mais. Virou-se e nesse momento urna bola de futebol foi atirada do trem e rolou, parando na frente do Patriarca.
Não menos ele pensou que era uma bola, até olhar com mais atenção e reconhecer uma cabeça humana, a cabeça do Açougueiro. A pele do corpo fora arrancada em tiras. A cabeça cintilava sangrenta diante do seu Senhor. Kaufman desviou os olhos e voltou para o trem. Cada parte do seu corpo parecia estar chorando, exceto os olhos. Estavam quentes demais com o que tinham visto, e as lágrimas ferviam e se evaporavam neles. Lá dentro, as criaturas já tinham começado a ceia. Uma delas arrancava pitéu doce e azul do olho de uma das mulheres. Outra escava com uma mão na boca. Aos pés de Kaufman jazia o corpo decapitado do Açougueiro sangrando ainda profusamente onde fora cortado o seu pescoço.
O pequeno patriarca que havia falado antes, colocou-se na frente de Kaufman.
— Vai nós servir? — perguntou ele, gentilmente, como se pedisse a uma vaca para segui-lo.
Kaufman olhava para o cutelo, o símbolo da profissão de Açougueiro. As criaturas saíam do carro agora, arrastando os corpos semi-devorados. As tochas saíam com elas, e a escuridão voltava ao interior do carro.
Mas antes que as luzes desaparecessem completamente o patriarca estendeu o braço e segurou o rosto de Kaufman, obrigando-o a olhar para a própria imagem refletida no vidro sujo do carro. Era um reflexo fraco, mas Kaufman pôde ver o quanto tinha mudado. Mais pálido do que se pode imaginar qualquer ser humano e coberto de sangue e sujeira. A mão do patriarca segurava ainda com força o rosto de Kaufman com o
indicador enfiado na sua boca até tocar-lhe a garganta. Kaufman sentiu náusea, mas não tinha forças para repelir o ataque.
— Deve servir — disse a criatura. — Em silêncio.
Tarde demais Kaufman compreendeu a intenção daqueles dedos... De repente a criatura agarrou sua língua e a torceu. Com o choque Kaufman largou o cutelo. Tentou gritar, mas não saiu nenhum som. Sua garganta estava cheia de sangue, ouvia a carne sendo rasgada, foi dominado pelas convulsões da agonia. Então a mão saiu da sua boca, aqueles dedos vermelhos e cobertos de saliva diante dos seus olhos, segurando a língua entre o polegar e o indicador. Kaufman não podia falar.
— Deve servir. — disse o patriarca, e enfiou a língua de Kaufman na própria boca, mastigando-a com evidente satisfação. Kaufman caiu de joelhos, vomitando o sanduíche. O patriarca já ia desaparecendo na escuridão; o resto dos anciãos já havia regressado também ao covil, para outra noite de espera. O alto-falante estalou.
— Para casa — disse o maquinista.
As portas se fecharam. Sibilando, e o som do motor fez vibrar o trem. As luzes piscaram ao se acenderem, apagaram-se e acenderam outra vez. O trem começou a se mover. Kaufman estava deitado no chão, as lágrimas escorrendo pelo rosto, lágrimas de dor e resignação. Ia sangrar até a morte, resolveu, ali mesmo onde estava. Não lhe importava morrer agora. Era, afinal, um mundo sórdido. O maquinista o acordou. Kaufman abriu os olhos. O rosto acima do seu era negro e amistoso. Deu um largo sorriso, Kaufman tentou dizer alguma coisa, mas sua boca estava selada com sangue seco. Agitou a cabeça, como um retardado que estivesse tentando falar. Conseguiu apenas rosnar... Não estava morto. Não tinha sangrado até a morte.
O maquinista o ajudou a se ajoelhar, falando como se ele fosse um garoto de três anos.
— Você tem um trabalho a fazer, meu velho; eles estão satisfeitos com você.
O maquinista lambeu as pontas dos dedos e passou-os nos lábios inchados de Kaufman, tentando abri-los.
Muito o que aprender. Há muito o que aprender. Conduziu Kaufman para fora do trem. Estavam numa estação que ele nunca vira antes. Toda de azulejos brancos, absolutamente imaculada; o Nirvana de um guarda de estação. Não havia grafitti desfigurando as paredes. Não havia guichês de passagens, mas também não havia portões nem passageiros. Uma linha onde passava apenas o Trem da Carne.
Uma turma de faxineiros lavava com mangueiras o sangue dos bancos e do chão do trem. Alguém tirava a roupa do corpo do Açougueiro, preparando-o para ser despachado para Nova Jersey. Em torno de Kaufman, todos trabalhavam. Um leque da luz do alvorecer entrava por uma abertura no teto da estação. Partículas de poeira dançavam nos raios de sol, girando e girando. Kaufman olhou para elas, enlevado. Não via uma coisa tão bonita desde criança. Linda poeira. Girando e girando, girando e girando.
O maquinista conseguiu finalmente separar os lábios de Kaufman. A boca estava ferida demais para se mover, mas pelo menos podia respirar com facilidade. E a dor começava a diminuir. O condutor sorriu para ele, depois voltou-se para os homens que trabalhavam na estação.
— Quero apresentar-lhes o substituto de Mahogany. Nosso novo Açougueiro — anunciou ele.
Os trabalhadores olharam para Kaufman. Havia nos rostos deles uma certa deferência que o agradou. Kaufman olhou para a luz do sol que o envolvia agora. Moveu a cabeça, indicando que queria ir para cima, para o ar livre. O maquinista fez um gesto de assentimento e o conduziu por uma escada, depois por um corredor e, afinal, para fora, para a calçada. 
O dia estava lindo. O céu brilhante sobre Nova York, riscado por filamentos de nuns rosa pálido e o ar tinha cheiro de manhã. O dia estava lindo. O céu brilhante sobre Nova York, riscado por filamentos de nuvens rosa pálido, e o ar tinha cheiro da manhã. As ruas e avenidas estavam praticamente vazias. Ao longe, um táxi ou outro passavam no cruzamento, o motor murmurando; um corredor passou no outro lado da rua. Logo aquelas calçadas desertas estariam cheias de gente. A cidade continuada sua vida, na ignorância do que havia embaixo dela sem saber ao que devia sua existência. Sem hesitação, Kaufman caiu de joelhos e beijou o asfalto imundo com os lábios sangrentos, silenciosamente jurando lealdade eterna a sua continuação.

O Palácio das Delicias recebeu a adoração sem comentários...

Clive Barker