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A Casa

Olá, como vocês estão? Estou fazendo alguns vídeos com minhas postagens antigas pra quem tem aquela preguicinha de ler xD. Postarei alguns aqui e já coloco o link abaixo do vídeo para a postagem original.
 

Aqui o link para a postagem escrita.

Tormentos Diurnos

Você já se pegou imaginando o porquê que a noite temos mais medo do escuro do que de dia? 90% das pessoas concordam que, ao anoitecer, elas temem mais o escuro. Isso é bem racional, ao meu ver. Não concorda? Continue lendo, meu amigo, e quem sabe você mude de ideia.

Sabe, você deve me conhecer do meu primeiro relato, caso não, pare imediatamente de ler, e procure aqui nesse mesmo site, um relato chamado "Considerando hipóteses", para você conhecer um pouco do meu ser. Já vou te avisando: não existe ninguém como eu nesse vasto mundo.

Agora que você acabou de ler, vamos começar. Você deve se lembrar daquelas duas mulheres brigando esses dias atrás, certo? Anne e Alice, duas grandes amigas. Você passou por elas e nem se deu conta que eu estava lá, confesso que fiquei um pouco decepcionado, mas não importa. Aliás, que modos os meus não? Prazer, eu sou o Matt Union, e irei te mostrar mais uma de minhas obras de arte.

A parte estranha do YouTube

Todo mundo já esteve na "parte estranha" do YouTube. Se você não, então eu sugiro que você tente. É um processo muito simples. Na verdade, para facilitar irei colocar um passo a passo.

Passo 1. (Importante) Encontre qualquer vídeo que você queira. Absolutamente tudo o que quiser. Um vídeo de gato, um vídeo de música, qualquer coisa. Algo vindo do Japão irá funcionar melhor.

Passo 2. Clique no vídeo relacionado mais estranhoA mais mind-blowning thumbnail ou título.

Passo 3. Repita o passo#2 até que encontre o comentário: "Eu estou no lado estranho do YouTube de novo", ou algo do gênero.

Brincadeiras na vida real

Achei umas "brincadeiras" para se fazer na internet e achei que daria um bom post. Aviso que tudo que acontecer é responsabilidade sua.

Vou apresentar para vocês algumas brincadeiras envolvendo o ocultismo. São potencialmente perigosas, qualquer erro possui o potencial de ser fatal.  Cuidado com o que você vê; Cuidado com o que você sabe; Cuidado com o que você deseja; Cuidado com o que você se relaciona.

Ver fantasmas


Começamos com esta brincadeira em específica devido... Bem, acho que por si só ela já se explica. Por que não ter um primeiro contato visual com o oculto? Só esta primeira experiência já assustará muito aqueles com o coração mais fraco e que se dizem valentes.

Manda Nudes

É creepypasta, não estou pedindo!

Nós nos conhecemos em um grupo no Whatsapp. Tudo começou inocentemente. Gostávamos de conversar sobre interesses incomuns (livros, youtubers, musicas, etc), Mas depois de alguns dias nossas conversas se tornaram mais... picantes. Eu prometo que vou poupar os detalhes. O ponto é, eu nunca tinha me envolvido em um relacionamento pela internet antes e foi emocionante. Um mistério nessa coisa toda me intrigava. Nós nunca tinha vistos qualquer foto um do outro e também nunca mandamos áudio.

Eu já tive muitos relacionamentos maravilhosos com mulheres no passado, mas para ser honesto, eu nunca teria sonhado em cortejar uma menina,  a menos que eu ficasse atraído fisicamente por ela em primeiro lugar.

BENKI

Não são poucos que, diante do fascínio à luz da ciência, desconhecem a verdadeira face dos experimentos realizados em prol do conhecimento. Talvez consiga elucidar melhor os meus dizeres, uma vez que contar-lhes o que aconteceu a um de meus subordinados. Devo, com antecipação, contextualizar a situação a que nos encontrávamos. Meu nome é Dr. Richard Andon, e há duas semanas fui designado como pesquisador-chefe no setor de biomedicina e genética. Meu novo assistente, David Thompson, introduziu-me ao laboratório.

David era um rapaz modesto, de carreira promissora no campo da ciência biológica. Sua aparência dispensava quaisquer apresentações, uma vez que era dotado do característico semblante “rato de laboratório”. Sei que não deveria descrevê-lo desta maneira, porém não tenho palavras que possam lhe surtir melhor. Era um excelente homem. E naquele enfadonho dia, após uma série de comprimentos e discursos de colegas de trabalho, levou-me ao setor do qual lhes falei.

O laboratório era deveras encantador. Espaçoso o suficiente para as inúmeras aparelhagens que o compunham. Não perderei meu curto tempo para descrevê-las, pois causaria a mim apenas maior ressentimento em perdê-las. Devo salientar que conforme David me acompanhava, atentei a uma pequena incubadora encostada ao canto, como que deixada de lado perante aos demais maquinários científicos. Dentro, pude observar apenas uma placa de petri, enquanto que abaixo, estampada na máquina, havia uma etiqueta onde podia ser lida a seguinte palavra: “BENKI”.

Questionei a David o significado daquilo, a que este me respondeu: Pertencia ao meu antigo chefe, do qual o senhor substituíra. Seu nome é Dr. Brian H. Larsen. E este era o seu experimento particular. Dr. Larsen, muito reservado por sinal, apenas me dizia que estava próximo do que seria “uma descoberta revolucionária ao campo do evolucionismo”. Após sua demissão, fui ordenado a destruir o seu trabalho, mas não pareceu correto desfazer-me dela. Não até pelo menos conseguir algum contato com o Doutor para saber sua opinião.

Aquilo me pareceu no mínimo instigante. Não compreendi, no momento, as razões que levaram Dr. Larson à demissão. Agora, no entanto, tenho minhas suposições confirmadas. David, porém, apresentou-me às demais áreas do laboratório. Em particular, à sala responsável por abrigar a incineradora local. Ao entrar, perguntou-me: Você fuma? E ao passo que respondi que sim, prontificou-se logo a dizer: Este recinto demanda um cuidado especial. Se houver qualquer vazamento do gás que alimenta esta máquina, uma minúscula faísca ou chama pode mandar o laboratório inteiro para os ares.

Recordo-me, até este momento, de seu rosto contraindo-se em um sorriso enquanto articulava estas palavras, pois tornaria a vê-lo não pouco antes do que algumas horas atrás. Estávamos cobrindo turnos noturnos, pois nossos experimentos demandavam constante observação. Foi então que David atentou-me para a incubadora de BENKI, pedindo que eu viesse observar a curiosa placa.

Havia algo ali, sabia disso. Porém, até então, não era possível enxergá-lo a olho nu. Ao contemplá-la, notei a presença de uma minúscula forma esbranquiçada, quase oval, semelhante a uma gota de água. Aproximei-me o bastante para perceber que não permanecia parada, mas movendo-se estranhamente, em pequenos padrões aleatórios. Estava viva, e tanto David quanto eu, olhávamos com fascínio o seu despertar.

Agora, enquanto lhes escrevo, pergunto-me: “O que realmente é BENKI?”, “Como Dr. Larsen criara tamanha abominação?”. Talvez, se certos eventos não houvessem saído de tal maneira desastrosa, poderíamos encontrar estas e outras respostas. Pois conforme acompanhávamos o crescimento de BENKI, percebi de antemão que presenciávamos algo formidável. O trabalho de milhões de anos sendo realizado ali, bem à nossa frente. Como se um número inimaginável de células multiplicassem e desenvolviam-se em velocidade assustadora.

David correu para apanhar a câmera de vídeo, enquanto eu olhava maravilhado para o fenômeno que acontecia dentro da incubadora. A pequena forma crescia, evoluía. A princípio, notei que se assemelhava muito a um girino, ou algo similar. E pude ver o que pareciam membros superiores começarem a se desenvolver. David voltara com câmera em mãos. Era algo que definitivamente teria de ser documentado.

A mim, parecia que aquele ser admirável modificava-se intensamente, e à medida que David filmava, a criatura expandia-se em tamanho e forma. O que aconteceu na verdade foi extremamente rápido, portanto não tenho meios de dar-lhe ênfases com tantos detalhes. Se possuíssemos apenas uma maneira de recuperar o vídeo... Porém creio agora que seja tarde demais. No momento, pude ver os membros e corpo alongarem-se. Os olhos, até então cegos, ganharam cor e brilho. Um focinho começara a tomar forma.

Era como se estivéssemos presenciando o surgimento de uma espécie do gênero Eomaia, porém de pele pálida e totalmente lisa. BENKI, como seu criador o havia nomeado, tornara-se grande o bastante para caber em uma de nossas mãos. Aquilo era incrível, para não dizer inacreditável. Podia-se ouvir claramente a baixa respiração da criatura, que se movia de um lado para o outro dentro da incubadora. De prontidão, pedi a David que não parasse de filmar, e que iria ligar para o departamento contando sobre tal descoberta.

Foi então que, após alguns passos apressados, escutei o barulho de vidro estilhaçando-se, e os gritos enlouquecedores de meu assistente. Corri para onde David se encontrava, e não estava preparado para o que estava prestes a presenciar. Os cristais de vidro da incubadora encontravam-se espalhados por toda a parte, enquanto que David, debatendo-se aflito, trazia BENKI (com quase o dobro de seu tamanho anterior) agarrado a sua face, mordendo e depredando sua carne e sangue.

David, contorcendo em dor, agitava-se com BENKI ainda preso em seu rosto. Paralisado momentaneamente diante de tamanho horror, assisti a criatura rasgar sua pele. Voltei-me a procura de algo que pudesse salvá-lo, mas não havia nada. Em um momento de desespero, quebrei a perna de um dos bancos de madeira, mas quando corri até David, percebi que minhas ações demonstraram-se infundadas. Estirado ao chão, seu corpo agora inanimado, era apenas dilacerado pela criatura raivosa. Não estava alimentando-se de David, mas sim destruindo os seus órgãos com violência absurda.

Emudecido pela agonia e desespero, percebi que não conseguiria enfrentá-la. De algum modo sabia que não teria forças ou habilidades para me defender. Tentei correr para a saída do laboratório, mas BENKI postou-se em meu caminho, como se soubesse de minhas intenções. Em uma tentativa fútil, atirei o pedaço de madeira em sua direção, irritando-o ainda mais. Voltei-me para a única sala disponível, aquela contendo a incineradora. Em disparada, cheguei até a porta, fechando-a bem a tempo de ver BENKI avançando em minha direção, com dentes propagando-se de sua mandíbula comprida.

Agora estou, neste exato momento, sozinho. Refugiado sabe-se lá por quanto tempo. Com o corpo de meu assistente jazido na câmara ao lado e a criatura atirando-se contra a porta, tentando ultrapassar pela fina espessura de madeira que nos separa. Provavelmente conseguirá atravessá-la em pouco tempo. Na verdade, ainda tenho dificuldades em compreender exatamente como estou conseguindo manter a calma. Talvez em parte porque sei o que devo fazer. Tomei minha decisão há momentos atrás, ao encontrar este computador, que até então julgara estar desativado.

Estou escrevendo estas últimas palavras para que talvez a verdade possa vir à tona. Não salvarei o arquivo deste texto, porque temo que nenhuma mídia física o abrigue com segurança, uma vez que almejo a destruição total deste lugar. Enviá-lo-ei, no entanto, para qualquer local que desejar expô-lo. Despeço-me, pois minhas esperanças de sobreviver a esta situação esvaíram-se totalmente. BENKI continua a todo o tempo arremessando-se contra a porta. Parece-me que aumentou em força e tamanho, assim como em inteligência. No entanto, não darei a esta aberração a satisfação da vitória.

Não vai demorar muito. As dobradiças estão prestes a se soltar. Ele vai entrar, e assim que me ver, correrá em direção a minha garganta. Até lá, irei somente esperar. Com o odor do gás que se espalha por toda a minha volta. Tenho meu isqueiro em mãos. A qualquer momento BENKI irá surgir pelo vão da porta, e eu estarei preparado. Não tenho a mínima chance de sair com vida, mas nem ele terá. Apenas espero que este documento chegue ao Dr. Larsen, para que ele saiba o que aconteceu a seu experimento. E talvez, perceba que algumas experiências não mereçam contemplar a luz do dia

Autor: Drin, L. P.

Fonte:Creepypasta Wiki BR

Diário de Mateus

Dia 03/02/2006

Centralia diárioAcabei de chegar na minha nova casa. Eu estou tão empolgado! Eu já vi meu quarto, ele é pequeno em relação ao quarto da minha antiga casa em Lagoa Santa, mas eu tive que me mudar, porque meu pai arrumou um emprego em Belo Horizonte. O meu apartamento é pequeno se comparado com a minha casa, mas somos só eu, minha mãe Clara, e meu pai Fernando. Parece que o antigo morador deixou algumas coisas pra traz, um pinguim de pelúcia, meio detonado, sem um dos olhos, provavelmente de alguma criança boba, nem dei atenção, só joguei ele dentro do armário onde ele estava. Tinha também um livro grande, pesado, com um cadeado, tava escrito na capa "SAIA DAQUI!" com letras marrons escorrendo, nem dei atenção.


Dia 04/02/2006

Não tem como eu ficar mais feliz! Meu pai acabou de adotar um cachorrinho! Ela é da raça dachshund, um salsichinha, ela deve ter 5 anos eu acho, a gente até escolheu um nome pra ela: Léia, igual a princesa do Star Wars. As minhas aulas começam em dois dias, vai dar em uma segunda-feira.

Dia 06/02/2006

Eu fui pra escola hoje, o pessoal é bem divertido, ainda bem que não tenha aqueles meninos irritantes, típicos de salas de ensino médio, eu odeio aqueles palhaços metidos. Quando eu falei onde eu moro, eles ficaram assustados e me disseram pra eu ter cuidado. Acho que eles estavam brincando comigo, hehehe, típico, em toda sala tem um brincalhão.

Dia 09/02/2006

Desculpa eu ter esquecido, mas eu não achava mais o meu diário, fui achar ele no armário do meu quarto, junto com o pinguim e o livro, fiquei tentado a abri-lo mas não sei arrombar cadeados, o Pedro sabe arrombar portas, eu acho que vou chamar ele pra vir em casa amanhã. Hoje a gente conseguiu guardar tudo que tinha ficado nas caixas.

Dia 10/02/2006

O Pedro aceitou vir aqui em casa hoje! Ele é meu melhor amigo da escola, ele é muito estudioso e chamei ele com a desculpa de me ajudar com um trabalho que eu já tinha que fazer... Quando eu contei pra ele do livro, ele recusou ficar mais tempo em casa mais tempo, ele me ensinou a abrir cadeados enquanto a mãe dele não chegava. Deve ter demorado 10 minutos pra mãe dele chegar, enquanto isso ele ficou muito nervoso, mal consegui entender o que ele estava falando. Assim que a mãe dele chegou eu nem perdi tempo, subi correndo as escadas pro meu apartamento e abri o armário, o livro ainda estava lá, na hora que eu o abri, não tinha nada além de uma foto dos moradores antigos, uma foto pra cada um deles.

Dia 11/02/2006

Hoje a tarde, aconteceu um coisa estranha, acho que era 15:30, não me lembro bem, eu ouvi um barulho, era uma das taças da minha mãe, ela tinha quebrado, mas não tinha ninguém na cozinha. A Léia começou a latir e ficou toda arrepiada, eu corri junto com ela pro meu quarto, meus pais foram junto, quando a gente entrou ela começou a latir pra porta do quarto, toda arrepiada, de repente ela começa a acompanhar a cama, como se tivesse alguém entrando no quarto, eu sinto um calafrio, quando eu olho pro lado, vejo meu pai e minha mãe abraçados, tremendo, a Léia começa a latir fixamente em uma direção, olhando pra cima, de repente ela avança e morde o ar. Eu paro de tremer, meus pais voltam ao normal, e a Léia começa a abanar o rabo. Todos fomos dormir juntos hoje. Eu acho que não era nada, afinal, ela já tinha feito isso antes, e o calafrio pode ser explicado pela psicologia, mas eu achei bom anotar no diário,

Dia 12/02/2006

Eu abri o livro e vi que tinha uma pagina a mais, com fotos da minha família, e do Pedro, não sei o que está acontecendo, mas eu estou muito assustado, meus pais chamaram um padre pra ir em casa, mas como eu não acredito nisso, acho que não vai dar certo.

Faz algumas horas desde a ultima anotação, na realidade, já deve ter passado de meia noite, eu vi uma luz branca no céu, passando perto da montanha na frente da minha casa, eu moro no bairro Buritis, tem uma montanha próxima a minha casa, só olhar pela janela e eu vejo ela. Continuando, eu achei que a luz era a lua, até ela descer, fazer um leve zigue-zague e correr pra longe da minha vista, depois disso, acho que eu vi dois olhos vermelhos, pequenos, como de um gato, em cima do muro que fica atras do prédio, não estou conseguindo dormir, afinal, não é sempre que se vê um OVNI.

Dia 14/02/2006

O Pedro não foi pra aula ontem, a mãe dele disse que ele estava com febre alta, e dor de cabeça.

Hoje eu decidi mostrar o livro pros meus pais, eles falaram que se soubessem disso não teriam se mudado, e que agora não havia mais volta, a voz do meu pai muda e ele fala: Vocês nunca deveriam ter pisado nesse apartamento, agora vocês não vão escapar.

Eu e minha mãe começamos a correr, a Léia veio atras, meu pai correndo com uma faca atras da gente. nós pegamos um táxi que estava parado perto de casa. Agora estamos no aeroporto, nós vamos pra São Paulo, minha mãe tem amigos lá, acho que já estamos a salvo.

Dia 15/02/2006

Acabei de receber a notícia que o Pedro matou toda a família a facadas enquanto eles dormiam e depois se matou. Minha mãe começou a ficar pálida de repente, os amigos dela estão cantando umas musicas estranhas, eu acho que eu vou correr.

Eu fugi, eu não acredito, minha mãe matou a Laís a menos de 10 minutos! Eu vou morrer! Eu não quero morrer, esta no meio da noite, não sei que horas são. Melhor eu ficar quieto, está vindo alguém, essa não, é meu pai, e do outro lado da rua é a minha mãe! Eu não sei se eu fujo ou se eu me escondo, eu acho que v <<a escrita acaba aqui>>

Dia 23/02/2006 - publicado em um jornal local

A polícia não encontrou nada além de um livro grande, escrito "NÃO ABRA" na capa e um diário. Não há nenhuma evidencia de um assassinato, mas o menino Mateus e seus pais ainda estão desaparecidos. Na casa de Laís não foi encontrada nenhuma pista relacionada ao caso, além do cadáver dela em cima da cama.

Fonte: Creepypasta Wikia Br

Autor: Marcos Ayres

Biscoitos

Crianças são adoráveis. Sejam elas gordas ou magricelas, pálidas ou negras.

B.jpgEu amo crianças! Eu era um simples vendedor de doces, numa loja na esquina, o padeiro era meu melhor amigo e tinha o respeito de muitos moradores da região, porém, o que me dava prazer era fazer meus famosos biscoitos de chocolate, tirá-los do forno e deixá-los na bancada, o aroma suculento chamava meus preciosos clientes que eu tanto ansiava ver, crianças. Eu amo o jeito que elas me imploram por meus biscoitos, de graça, daquele jeito puro de sorrir, o jeito emburrado de estufar as bochechas.
E assim eu as amava.

Mas as crianças daquela região pareciam retribuir de uma forma tão estranha. Pareciam até rir de mim, mesmo em plenos vinte e três anos e de amigável aparência, riam de mim, como se fosse um tremendo idiota! Eu não havia dado o que elas queriam? Meus preciosos biscoitos de chocolate? Havia algo de errado com essas crianças.

E queria dar um jeito. Por isso toda noite, deixava um copo de leite e um prato de biscoitos na minha linda varanda. Não pensem que eu queria atraia-las para pegá-las e molestá-las, apenas queria ver se elas ririam de um gesto tão generoso.

Até uma semana depois.

A primeira vista, me escondi, apenas vendo por trás da cortina da minha janela a movimentação lá fora, nada de anormal, mas tudo que vi era crianças brincando em frente a minha rua, era muito maçante ficar esperando. Fui a cozinha e resolvi comer algo, tinha uma lasanha do almoço, a pôs na panela, esquentei e por fim comi aquele alimento com prazer e satisfação. 

Uns minutos depois, fiquei entretido jogando um caça-palavras no meu jornal matinal, até que lembrei dos biscoitos, corri em direção a janela, o copo de leite completamente vazio e o prato com meus biscoitos havia sumido, eu perdi uma ótima oportunidade, pensei naquele momento, ao decorrer daquela ideia, alguém havia batido na porta.

Fui até ela e abri, e tudo que vi foi uma pequena garota comendo um biscoito enquanto o resto estava no prato que segurava com a outra mão.

Era diferente que tudo vi, sua pele era num tom arroxeado e seu cabelo violeta, tinha belos olhos castanhos e um simples vestido branco, seu cabelo estava solto, sua aparência lembrava uma garota de doze e tudo que fazia era sorrir em minha direção.

- Olá senhor, seus biscoitos estavam tão deliciosos que tive uma enorme vontade de falar com você e agradecer pelo ótimo trabalho! - Em todo o momento, ela foi muito cordial, senti meio constrangido com tamanha gentileza.

- Está perdida, menina?

- Não, não, você é muito apressado das ideias, até porque eu vim pra sua casa porque eu quis.

- Não entendi.

- Simples, vim aqui por negócios! - Ela deu um passo pra frente, algo ousado de sua parte, a porta fechou num golpe imediato e inesperado - Apenas mordiscando essa maravilhosa guloseima, deu pra sentir seu coração, ele anda muito abatido. Você não quer a afeição de suas crianças?

- Como você sabe?

- Ahh, esses humanos, tem uma cabeça tão fechada! Como não me apresentei - ela deixou o prato de biscoitos no chão e me lançou um olhar intimidante - Espero que sejamos amigos, meu nome é Marshmallow, sou a fada confeiteira, qual é o seu?

- Lion.

Ela estendeu a mão para mim, queria que apertasse.

- Olha, se pintar e comer meus biscoitos não irá te transformar em uma fada. - Respondi de uma forma sarcástica, como uma típica criança, ela estufou as bochechas, que rapidamente se avermelharam e estreitou os olhos com tamanha fúria - É melhor você ir pra casa, seus pais vão ficar preocupados.

- Tudo bem, cético como é. 

Ao fim da frase, Marshmallow ergueu o braço ao alto e estalou o dedo e num passe de "mágica", vi cair do teto, inúmeros biscoitos iguais aos que preparei, naquela hora, fiquei completamente surpreso, não poderia ser real, nada da física, matemática ou até química.

- Quer que eu te prove mais alguma coisa?

- Isso é tudo uma farsa, essa coisa de fadas não existe! - Gritei.

Novamente, outro estalar de dedos, agora minha boca estava aberta e havia dentro dela, um enorme biscoito, tive que mastigá-lo, engoli rapidamente aqueles grossos pedaços de chocolate, enquanto a via rir de tamanha arrogância, por fim, empinou o nariz e literalmente, começou a levitar por cima do chão, o jeito dela pairar era angelical diante dos meus olhos, deixei minha descrença de lado, maravilhado com a miraculosa visão.

- Faço tudo o quiser, me diga.

- Simples, eu farei o seguinte - ela levitou para meu lado, deitada e acariciando a barriga lisa de seu vestido - Te ajudarei na venda dos biscoitos e você será amado e respeitado por sua clientela infantil.

- Só isso? Não vai querer nada em troca?

- Sim, mas não quero estragar a surpresa!

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Quando o dia amanheceu, fui logo acordado, Marshmallow pulou em cima da cama, a sua queda fez eu ter uma horrível perda de ar, num pulo saltei da cama. E lá permaneceu aquela menina, sentada em minha frente com um lindo sorriso.

- Bom dia!

- Já acordada?! - Indaguei com um penoso bocejo, ela fez um biquinho.

- Eu sou uma fada, não preciso dormir - retorquiu, - Vamos ao negócio, você irá conhecer a mágica por trás da fada confeiteira! - Ela me puxou, tentando me tirar da cama, enquanto que eu, cansado e rabugento, decidi excercer força contrária, contudo, Marshmallow era bem mais forte do que eu. Praticamente fui arrastado da cama, a garota abriu o armário e despejou várias roupas minhas no chão, meias, blusas, camisetas, bermudas...

- Nossa, você não acha que isso é um pouco pequeno? - Ditou, puxando uma cueca minha pelas bordas.

- Você não deve tocar nisso! - Respondi - É algo que uma fedelha não pode tocar.

- Eu tenho idade para ser avó de uma geração inteira sua, além do mais, esse troço tem elastíco, como você aguenta isso apertando seu...

- Já chega, pode sair? Eu vou me trocar.

- Tudo bem, mas não se irrite!

Saímos da minha casa, Marshmallow fazia questão de segurar no meu braço, impedindo que me afastasse dela, claro que fiquei desconfortável, imagine as pessoas pensarem que sou um safado, arrastando uma menina de prováveis doze anos e de tonalidade roxa, tirando o fato de eu tivesse sido racista nessa ultima colocação, todos sempre me veriam com maus olhos e esperava nada de bom, não tinha nenhum parente na cidade e todos sabiam muito bem disso.

Passei pela rua, com os nervos atentos, havia vários cartazes de uma menina desaparecida, de um cachorro desaparecido e até um celular, Hellen, a dona de uma livraria local, me cumprimentou, porém não falou nada da menina, mesma coisa foi com o jornaleiro, ele disse que eu parecia meio cansado, a mesma coisa de Hellen, não importava aonde fosse, ninguém falava sobre a Marshmallow. A menina ainda enlaçada perto de mim, apenas se aproximou ainda mais de mim.

- Não se preocupe, eles não podem me ver, apenas você, já que tem um contrato comigo. A propósito, sinto uma aura bem reservada a respeito de mim. Você acredita em fadas? 

- He... Acho que as únicas fadas que gostei foi de "Cinderela" e "A bela adormecida", mas me fizeram crer que era perda de tempo, não acredito que tenho minha própria fada madrinha...

- Sua... Eu não acredito, você me aceitou?! - Gritou eufórica e como uma simples criança, me deu um terno abraço forte, algumas pessoas até me perguntaram porque fiquei parado no meio da rua, fiquei um pouco constrangido pelo fato delas me olharem com certo despeito, mas resolvi ignorar, chamei a atenção de Marshmallow para que parasse, prosseguimos normalmente na rua até chegar na minha confeitaria.

Minhas chaves pulavam nas mãos, estava tão animado! Quando abri a loja, Marshmallow fez questão que eu fosse pra frente, fechou a porta e encarou-me.

- Bem, tudo que precisamos agora é de uma faca.

- O quê?

- Anda, pegue uma faca.

Corri para a cozinha da confeitaria, apenas havia uma pequena faca serrilhada, a levei em direção a fada, a mesma me esperava batendo o pé no chão freneticamente e com os braços cruzados.

- Na-na-ni-na-não! Essa faca não serve - balançou o indicador em sinal de reprovação - eu quero uma faca descente, que corte tudo, como... Um cutelo de açougueiro! Pode arranjar?

- Por que não você?

- Porque já vou fazer todo o serviço difícil, será que você não tem dó dessa fada?

Depois de implorar e quase chorar para o açougueiro da redondeza, peguei o tal objeto, ele era tão afiado que o simples toque na ponta, poderia facilmente me cortar, segurei aquele cabo, mesmo gorduroso com o sangue de animais, o levei até minha doce madrinha, admirada, não escondeu seu entusiasmo por tal objeto.

Tomou da minha mão.

- Bom garoto.

A violácea foi em direção a cozinha, a segui, ela pôs o seu braço direito por cima da mesa e ergueu o cutelo, fiquei um pouco inerte no momento, até perceber que a lâmina estava mirada para seu braço.

O cutelo caiu rasante, o som do foi algo muito surreal, ao atravessar a carne dela, ouvi seu osso quebrar como se triturasse um biscoito, não saiu nenhuma gota de sangue, todavia, seu braço foi amputado abaixo de seu ombro, a carne exposta tinha uma coloração rosada e não vermelha da qual fui acostumado a pensar.

- Uh, viu, sem a mão! - Ela deu uma breve risada, me senti muito desconfortado.

- Você ficou doida? Por que amputou seu próprio braço?

- Simples, quero que você me devore.

- O quê? - Gritei em pânico - Que tipo de monstro você acha que sou?!

Marshmallow deixou o cutelo largado na mesa, com sua mão esquerda, tirou um pequeno pedaço da carne de seu braço, foi na minha direção, mordiscou, deixando na ponta dos dentes e puxou minha blusa, me deixando em seu alcance, apertou minha bochecha com uma força incrível, meus lábios foram contraídos para frente, num biquinho, ela então impulsionou sua língua e fez com que aquela carne entrasse abruptamente na minha boca.

Soltou minhas bochechas e deu um passo pra trás.

Quis imediatamente cuspir aquilo, porém não era carne, era um doce, um sabor tão incrível que jamais sentira em toda minha vida, minha língua raivosamente envolvia aquilo, enquanto meus dentes mastigavam com intensidade, sentia algo no meu corpo. Não queria parar de comer aquilo.

- Gostou, Lion? - Marshmallow falou num tom malicioso - Minha carne é um delicioso doce vicioso, as pessoas não conseguem parar de comer e quando param, acham que suas vidas estarão realizadas, se quiser pode pegar mais!

- Mas não posso ficar tirando "isso" de você, vai ter uma hora que você vai desaparecer!

Riu. 

- Não sou humana. 

E daquele cotoco, um pedaço de raiz começou a surgir e a se ramificar, formando ossos, músculos e tecidos, parecia uma planaria se regenerando, por fim, o braço novo dela parecia idêntico ao outro que arrancou. Novamente, senti-me maravilhado pela fada confeiteira.

- Lion, quero que você coloque minha "carne" em seus biscoitos, as crianças vão amar todos eles e você pode ganhar a afeição que tanto quer.

- Posso me prejudicar com essa comida, tipo, efeito colateral?

- Não, é como comer uma balinha de hortelã.

Gentilmente cortei parte por parte daquele braço, preparei a massa dos biscoitos, após isso, desfiei a "carne" como o frango colocado em uma coxinha, e enfiei na massa dos biscoitos. Como num tipico dia de trabalho, coloquei o chocolate, tentando disfarçar o sabor ou tentando disfarçar restos de carne de uma suposta fada. Os levei ao forno e tudo que fiz foi esperar pacientemente. Peguei até uma cadeira e me sentei na frente do forno

- Vai demorar muito? - Colocou aquelas pequeninas mãos no meu ombro - Estou falando com você!

- Claro que vai, pensei que a fadinha aí, fosse paciente! - respondi.

Os biscoitos chegaram ao ponto após minha frase. Abri o forno com cuidado, com minhas densas luvas, depois de vê-los fumegantes, deixei em exposição com meus outros biscoitos, fui no balcão, ansioso pelo primeiro freguez.

Um menino gordo e melequento, sem problemas.

- Olá garotinho, vejo que você está com fome.

- Ah se estou, acabei juntando a mesada toda pra furar o regime que minha mãe me obrigou! - Ele falou colocando a mão na barriga - Eu quero dez biscoitos de morango.

Fiquei meio sem jeito.

- Olha, geralmente não sou do tipo que se mete na decisão, mas acabei de criar um novo biscoito! E como você é o primeiro a chegar, poderia ser o primeiro a experimentar!

O garoto me olhou cinicamente.

- Tudo bem, eu irei provar só um, se não gostar, não pago, ok? 

- Sim - Estendi o meu novo biscoito, ele tomou da minha mão e comeu, seu rosto ficou completamente inexpressivo e depois completamente alegre e disposto, devorou aquele redondo biscoito com muito prazer e alegria.

- Tem mais? - Sua pergunta foi muito eufórica e sua boca havia muita saliva lá dentro. Respondi levemente com a cabeça e uma leva de biscoitos desse mesmo lote fora vendido.

A notícia se alastrou, e algumas crianças foram incentivadas a comer o biscoito, novamente elas eram contagiadas pela carne de Marshmallow, a única coisa que me perturbava era o simples fato dela se cortar na minha frente, arrancando pedaços de seu próprio corpo, como fossem pedaços de suas unhas.

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Eu estava nesse ramo em apenas duas semanas, e nessas duas semanas faturei mais do que ganhava em dois meses, eu ainda esperava o que a fada queria, cheguei tarde do trabalho, as crianças não paravam de me abraçar e falar de modo afável comigo. 

A casa? Completamente arrumada. Despi minha blusa e fui ao meu quarto, ao chegar, noto a garota deitada na minha cama. Nua.

- Até enfim chegou, você não sabe o quanto estou te esperando!

- Que porra é essa? - Gritei nervoso - O que pensa que está fazendo? Você acha que é certo, uma garotinha ficar pelada na cama de um homem?

- É parte do nosso acordo - respondeu num tom um pouco vulgar - Só quero receber a minha parte do trato, eu quero sentir... você me tocando... sabe, depois de séculos sozinha, as vezes fico muito solitária e não há nada melhor que quebrar uma abstinência! Você não tem o direito de reclamar.

Falando a verdade, eu não conseguia aguentar a tentação por muito tempo, além de me sentir cada vez impressionado com ela, sua beleza e corpo infantil atiçavam meus desejos mais ardentes. Não, não posso fazer isso. "Sim, você pode, além do mais, ela tá implorando pra ser 'comida'." Minha tentação assoprava ao meu ouvido aquele comando.

- Tudo bem então, eu só não posso prometer que não vou te machucar.

- Sem problemas. Eu aguento. - Sorriu, só que aquela cara feliz escondia algo familiar, a tristeza. Uma pena que não liguei.

____________________________________________________________________

Aquela noite foi ótima, só fiquei com um pouco de receio do meu esperma estragar o doce sabor dela. Fui normalmente até a minha loja acompanhado da mesma, Marshmallow parecia muito sombria, como se algo lhe afligisse, fiquei observando as pessoas da rua olharem tristemente para aquele poste. Havia pessoas tristes assim como minha fada madrinha.

- Lion...

- Oi?

- Você por acaso, alguma vez, sentiu nojo em me "devorar"? - Ela apertou meu braço com força, como uma criança acuada. Beijei o topo da sua cabeça.

- Eu não senti nojo uma única vez.

- Você se lembra dela?

- De quem? - Indaguei surpreso, ao vê-la apontar para o poste. Onde havia os panfletos.

- Não.

- Tem certeza?

- Absoluta.

- Então vamos, há ainda muitos biscoitos para serem feitos. - E tristemente seguiu na frente.

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Quando chegamos a loja, pedi que se despi-se, ela obedeceu, eu tinha várias remessas a serem feitas hoje, então como um jovem casado em uma lua de mel, a peguei nos braços e a levei, dando uma pequena dança, sua cabeça repousou no meu peito, enquanto sua mão esquerda apertava meu avental.

Deixei-a por cima da minha mesa, a fria mesa metálica. Sua pele estava um pouco rosada.

Comecei a cortar a perna esquerda dela na altura da coxa, ouvi o mesmo som de biscoito sendo quebrado e não me importei, continuei o serviço até ela ser arrancada completamente, o cutelo estava mais pesado que ultimamente, mais oleoso. Mirei a lâmina em sua mão direita e a decepei, só que mais demoradamente, a lâmina começou afundava com dificuldade então tive que usar minha força, um som novo veio, era um som mais alto, mais quebradiço e rouco.

- Lion...!

Ignorei aquela frase e preparei para pegar suas entranhas, eu as tinha usado em minha própria sobremesa de ontem, perfurei sua barriga e abri ela lentamente, suas vísceras caíram, só que tinha uma espécie de líquido marrom envolvendo elas. Comecei então a arrancar a carne por debaixo de suas costelas, estava mais avermelhado do que me lembro.

- Por favor, me devore logo.

- Do que vocês está falando?

- Você não lembra de mim, Lion? - Sua voz começou a falhar, enquanto observei seus olhos se afundarem em lágrimas.

- Deixe de cena Marshmallow! Você é minha fada madrinha. - Respondi seriamente.

Mas ela apenas fechou os olhos com súbita careta de dor.

- Me desculpe Lion, mas não há mais salvação pra sua alma.

E no fim, ela ficou em silêncio, o estranho era que seu corpo não estava regenerando rápidamente, o que me profundamente me deixou irritado, talvez fosse ela atrasando minha comida, havia várias crianças me esperando! Deixei-a para trás e a única coisa que vi foi um enorme buraco no peito crescer. Ela podia regenerar e não fazia isso por birra.

Fiquei novamente no balcão, uma mulher entrou, era Hellen, ela tinha provado meu biscoito novo, ela chegou profundamente irritada, batendo os pés com uma ira digna de um touro de tourada, atrás dela, havia dois homens, homens de preto e que estavam bastante sérios.

- Seu monstro! O que diabo é isso?! - Ela jogou no meu balcão um pequeno dedo mindinho, de uma criança, ele estava envolto por uma massa, uma massa de biscoito - Seu canibal!

- Senhora Hellen, não estou entendendo nada do que está falando!

Um dos homens se aproximou, era o único que usava chapéu.

- Senhor Lion, esse dedo que Hellen jogou por cima da mesa, pertence a Maxine Smith, ela havia desaparecido há mais de um mês, além disso,  pegamos outros biscoitos de alguns de seus clientes e que tinha pedaços do corpo dela.

- Desculpe que deixamos ela com o dedo - O outro homem, um de bigode falou - é queríamos pegá-lo no flagra.

Só podia ser um engano, peguei a mão do homem de chapéu e o levei para a cozinha, os outros dois nos seguiram, lá estaria Marshmallow, minha fada madrinha, que explicaria tudo, que apenas foi uma aleatóriedade da vida. Chegamos ao local, porém, Hellen deu um grito de horror e desmaiou, o homem bigodudo teve que segurá-la, para ela não cair no chão.

E lá eu vi, a terrível verdade.

O corpo estirado na minha mesa, apodrecido e sem partes, sem sua preciosa perna, as tripas jogadas para fora de um enorme corte na barriga e os olhos, abertos, desalmados. Sua pele era clara como a minha e seus cabelos castanhos, ela estava diferente. Igual a menina do panfleto.

E sua boca. Um sorriso? Ela estava imóvel, mas parecia calma. Em paz.

Quando você é preso. Passa bastante para pensar. Eu amava crianças e elas não me amavam. Tudo que demonstrei não significava nada para elas. Uma noite deixei um copo de leite e um prato cheio de biscoitos. Uma garota chamada Maxine foi e os comeu.

Eu a surpreendi. Ela disse que era uma fada, apenas para me enganar e eu a trouxe para dentro da minha casa, e lá a estuprei e esquartejei, como minha amada fada madrinha.

LOUCO, LOUCO, LOUCO. TUDO ISSO FOI APENAS MAIS UM DOS MEUS TERRIVEIS CASOS DE LOUCURA.

E agora me lembro disso, quarenta e cinco dias depois, quando me colocaram no cadafalso e amarraram essa corda grossa no meu pescoço. E a única coisa que vejo em meio a multidão de testemunhas que me desejavam arder no fogo do inferno, foi Marshmallow comendo um biscoito.

Autora: CherryBell

4 A.M.


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Crianças deveriam dormir sobre uma cama, não abaixo dela.

Aos sete anos de idade, eu residia com minha família em um sobrado localizado na área suburbana da velha cidade. Lembro-me, apenas, algumas frações de memórias daquele tempo, e parte da minha juventude remanesce obscura em meu subconsciente. Recordo-me, no entanto, de uma memória em particular, responsável por assombrar-me durante o breve decorrer de minha tortuosa vida. Não tenho plena certeza se farei papel de tolo ao pronunciar as palavras com que contarei a história, pois por muito perguntava a minha querida e solitária mãe a respeito do que acontecera àquele dia, somente para receber meras respostas inconclusivas.

Tudo começara numa noite qualquer, exatamente às quatro horas da madrugada. Ouvi um súbito barulho a certa distância, que me acordara durante um repousante sono. Não ousei levantar-me da cama, porém permaneci com os olhos semiabertos, contemplando o espaço enegrecido que era o meu ermo quarto. Por cerca de um minuto jazi, emudecido, a espera de algum acontecimento revelador da causa de meu assombro, contudo nada mais se sucedera. Virei-me novamente para dormir, e eis que passei a escutar, como que em extrema cautela, alguém a girar a maçaneta de minha porta.

Não ousei me mover. Não compreendia o que estivera acontecendo, e em meu amago desejava jamais descobrir. Ouvi as dobradiças desprenderem-se do batente, enquanto que, delicadamente, em uma lentidão angustiante, percebi que a porta se movia silenciosamente. Por um momento percebi que seu movimento parara, como se somente uma pequenina fresta permanecia entreaberta. Não me virei. Persisti inerte abaixo dos lençóis, abraçando o travesseiro que se assentava em meus braços. Sentia-me aflito, pois se outrora percebia algo de errôneo em minha situação, por outro momento decidi ignorá-la, cerrando meus olhos e adormecendo novamente.

Quando acordei, deparei-me com a porta encostada. Levantei e, desconfiado, conferi-a, notando com incrédula percepção sua normalidade. De pouca coragem, não pude contar a minha mãe o que de fato acontecera, escolhendo permanecer quieto a respeito do estranho acaso noturno. O dia passara, e continuei com os crônicos afazeres de uma criança comum. Á noite, entretanto, o curioso fenômeno se repetira, e, durante as quatro horas da madrugada, acordei com o barulho, como se alguém ou algo se arrastasse sorrateiramente pelos cômodos da casa. Desta vez, reunindo alento, foquei-me fixamente para a porta, e a maçaneta girou com a mesma lentidão da noite anterior.

Após um longo e exaustivo período, a fresta da porta alargara-se, e nada mais eu via a não ser o breu da escuridão. Por assim remanesci, atento para a penumbra que se revelara, e por muito lutei contra a sonolência para não desviar meu olhar. Quando finalmente minhas pálpebras começaram a adquirir o peso da exaustão, de modo a que me preparava para fechá-las, eu o vi. Em um primeiro momento, somente enxerguei o branco de seus olhos, para então perceber as veias vermelhas de sangue e as pupilas dilatadas em razão do negrume da noite. Havia alguém ou algo ali, que me encarava atentamente e fixamente, enquanto eu fazia o mesmo. Estava tão apavorado e petrificado que mal pude emitir som algum. Tudo o que fiz foi responder a aquele olhar com semelhante contemplação.

Com medo mortal da criatura que me observava à soleira da porta, não desviei minha visão para sequer outro local, tendo por receio pensar que um perigo ainda mais mortal acometer-se-ia sobre mim. Sem saber ao certo como, por uma hora interrupta eu mantive esse infame contato, assim como a criatura prosseguira-o a fazer. Aos primeiros raios de sol a porta novamente se movera, e pude vê-la fechar-se tão docemente quando se abrira, e aqueles olhos esvanecerem, como se nunca tivessem existido. Exausto, e com menor impressão do perigo eminente, adormeci. Ao amanhecer, notei que a sensação costumeira de um ambiente nada inóspito havia retornado. Porém, por razões intuitivas, soube que aquilo não estava acabado.

Na mesma noite, preparei-me para dormir. E quando minha mãe se despedira de mim, encostando a porta do meu quarto, escapei para debaixo da cama, como que a esperar pela bizarra criatura que me visitara nas noites passadas. Após certo período, escondido, cai em sono. Mais tarde, como que através de um despertador biológico, abri meus olhos poucos minutos antes das quatro horas, e compreendi, de antemão, que a entidade desconhecida mais uma vez faria sua aparição. Nesse momento, em que me encontrava as escondidas, percebi que a maçaneta movimentava-se, e com a mesma intensidade atenuante de antes, o vão da porta se entreabria para o meu quarto.

Todavia algo de diferente acometera-se, e a criatura notara minha ausência. Escancarando a porta, percebi a silhueta da assombração adentrar-se em meu quarto. O espaço em que me encontrava era pequeno o bastante para somente abrigar-me. O passo da anomalia era pesaroso e lento, como alguém que, apesar da inquietude e aflição, buscava inutilmente ser o mais silencioso possível. Ao aproximar-se em direção à cama, notei o odor peculiar advindo de tal ser, e sentia-o revirando as cobertas e travesseiros acima, atirando-os ao chão. Assim, subitamente e inesperadamente, a aberração dera inicio a um leve soluçar, que instantemente transformara-se em um choro, para que depois disso começasse a desesperadamente marchar pelo meu quarto, bradando lúgubres murmúrios.

O barulho, no entanto, acordara minha mãe, que prontamente postou-se a me checar. Quando ela chegara de fato ao quarto, sua voz que até então clamara por meu nome, bruscamente foi interrompida, dando lugar a um grito apavorante. Eu, embaixo da cama, pude somente perceber o rápido movimento realizado pela criatura, que atravessara correndo o quarto e saltara por uma das poucas janelas. Saí de meu esconderijo, e minha mãe correra em minha direção, abraçando-me e proferindo numerosos questionamentos a respeito de como eu estava ou se algo a mais havia de fato se incidido sobre mim.

Momentos mais tarde, ao amanhecer do dia, luzes vermelhas e azuis projetavam-se através das veredas de minhas janelas, enquanto que homens fardados e de chapeis curiosos perambulavam por todos os cômodos a procura de alguma evidência. Pude escutar palavras a respeito de um homem que fugira de um hospício local, além do frágil e nervoso choro de minha mãe que parecia ecoar por entre as tênues paredes da residência. Por alguma razão, lembrei-me de meu pai, que há muito desaparecera. Em suas histórias, antes de despedir-se de mim, contara-me a respeito de um anjo protetor, que me vigiaria todas as noites, enquanto eu dormia.

Desde então, jamais tornei a passar por aquilo novamente.

Autor: Drin, L. P.

Fonte: Creepypasta Brasil Wiki

Tailypo

Desde criança eu costumava ficar uma boa parte dos meus verões com meu avô em sua pequena segunda casa, uh, cabana ... na floresta. Era um lugar pequeno e aconchegante. Tinha encanamento e eletricidade e outras coisas, mas não tinha televisão. Não fiquei muito chateado por isso, já que nós faziamos um monte de outras coisas lá em cima

A gente acampava, pescava, caçava, e todas essas coisas masculinas ... Meu avô tinha crescido nos Apalaches, tipo um homem da montanha. Ele tinha tantas histórias, e ele gostava de conta-las. Algumas eram sérias, outras engraçadas, mas suas histórias favoritas eram as de terror. Ele sabia que eu odiava histórias assustadoras e eu sabia que era essa a razão pelo qual ele gostava tanto. Sua história de terror favorita era uma que era conhecida entre os povos da montanha chamada "Tailypo."

A história é algo desse jeito...

Era uma vez um velho homem, que vivia em uma cabana na floresta. Ele não tinha nenhum vizinho para conversar. Ele só vivia na floresta com seus três cães de caça, na sua pequena cabana solitária. Ele usava roupas velhas claras e era careca na parte superior. Ele tinha uma grande barba grisalha espessa que prendia em seu peito. Toda a gordura do trabalho e das refeições pareciam se reunir em sua barba. O velho raramente a lavava, e quando fazia, era apenas o suficiente para que toda a gordura escorresse por ela ... e fazê-la pesar e mantê-la no sopro do vento.

O velho era um cara mesquinho, não gostava muito das pessoas, então ele tentou ficar longe delas, o mais longe possível. Tudo o que ele precisava, ele geralmente conseguia nos bosques. Ele pegava sua água no rio próximo, e ele pegava suas refeições com seu rifle e seus cães. Além de não gostar de pessoas não havia muito para o velho idiota, além do seu grande apetite. Ele gostava de comer. E como a caça lhe dava comida, ele gostava de caçar. Ele amava veado, e coelho. Um pássaro selvagem estava ok, mas você sabe esses pequenos nuggets de frango, que você come no McDonalds? Sim, esse velho amava esses "Nuggets Skunk." Eu sei o que você está pensando, mas eles são muito bons, mesmo que tenha que cozinhá-los.

Mas em uma noite fria e escura, o velho voltou para casa com seus cães de mãos vazias.

Fazia frio naquele dia, e a caça tinha sido um completo fracasso. O velho resmungou e amaldiçoou silenciosamente sob sua respiração, pois ele sabia que iria para a cama com fome naquela noite, e ele não gostava de ir para a cama com fome. Mas, ele não podia fazer nada, então ele começou a se preparar para dormir. Enquanto ele se preparava, o velho começou a ouvir um estranho barulho de arranhado.

O velho olhou em volta tentando encontrar a fonte do mesmo. Um estranho barulho de raspagem, como garras na madeira. O velho olhou em volta ... até que ele esbarrou em alguma coisa ... algo espesso e cabeludo. O velho então olhou para cima e teve uma visão estranha, pendurado no teto havia algo cabeludo e espesso, que oscilava de um buraco no teto da cabana. Não demorou muito para que o velho descobrisse que era a fonte do barulho... e que ele estava olhando para um rabo ...

A coisa pendurada, era uma cauda longa e peluda que ficava balançado, pertecente á uma criatura que estava tentando forçar seu caminho através do telhado!

O velho não pensou duas vezes - ele pegou a faca de caça e em um movimento cortou a cauda da criatura. O velho ouviu um grito da criatura, um grito tão horrível que sacudiu toda a cabine. O velho viu como a criatura puxava o resto do rabo enquanto sangrava através do buraco no teto, e ouviu a coisa descer do telhado e correr para longe.

Os cães começaram a latir, mas o velho não lhes deu atenção. Ele se inclinou e pegou a cauda cortada. O velho refletiu sobre o tamanho da coisa, o quão grosso e longo era; ele pensou qual animal teria uma cauda dessas, e ele pensou com o estômago vazio.

O velho pôs o rabo em cima da mesa, e usando uma cadeira como suporte, rapidamente pregou uma placa sobre o buraco no telhado. Depois que acabou, ele começou a preparar o fogo da lareira. Ele enfiou um espeto de ferro na cauda ensanguentada, e a segurou no fogo. A boca do velho estava cheio d'água enquanto ele virava o "espeto" sobre o fogo. Os pelos chamuscados voavam, deixando para trás o cheiro da carne doce e suculenta. O velho já podia sentir o cheiro da gordura que começava a fritar no calor e o aroma flutuava pelas suas narinas. Parte por parte, o velho arrancava os pedaços e comia. Lentamente, ele devorou a coisa, pedaço por pedaço, cuspindo pedaços e gordura para seus cães. Oh, foi delicioso ...

O velho, com a barriga cheia e com um sorriso no rosto, colocou seus cães para fora. Colocou a camisola e foi para a cama. Ele puxou as cobertas até o peito. Ele se virou e estava prestes a cair no sono, quando ouviu um som.

Houve uma batida, de repente. Tranquila, mas distinta, "rap-tap-tap". O velho abriu os olhos e olhou em volta ... "rap-tap-tap-tap-tap" foi, ao lado da cabine. Não parava,  só continuava a fazer o barulho   "rap-tap-tap". Então o velho ouviu alguma coisa, quase um sussurro, mas claro como o dia ...

Devolva meu rabo... devolva meu rabo...

O velho sentiu um calafrio percorrer pela espinha. Ele parou de respirar por um momento enquanto ouvia o "rap-tap-tap-tap"  ao lado da cabine. Mais uma vez, ele ouviu ...

Devolva meu rabo... devolva meu rabo...

O velho pulou da cama e correu para a porta da cabana. Ele destrancou e abriu a porta. Gritou para seus cães - "Cães! Peguem essa doninha feia! "Os cães vieram  latindo ... eles perseguiram a coisa pelo lado da casa até a floresta, e quando o velho viu os cães voltarem, ele fechou a porta novamente. Se deitou na cama, colocou a barba para sobre as cobertas, e, lentamente, adormeceu.

Rap-tap-tap…

Os olhos do velho se abriram, e ele ouviu atentamente, pois agora o som vinha da porta da frente. 

Rap-tap-tap ...

Devolva meu rabo... devolva meu rabo...

O velho pulou da cama e correu para a janela desta vez. Ele destrancou e abriu a janela e chamou seus cães mais uma vez - "Cães! Peguem essa doninha feia! "

Tudo se manteve em silêncio; e seus cães nunca vieram - a coisa tinha comido todos eles. O velho bateu a janela e a trancou e correu de volta para sua cama, puxando as cobertas até os olhos.

Rap-tap-tap…

Devolva meu rabo...

O velho ouviu um estalo e um estilhaço horrível enquanto o trinco da porta se quebrava, e a porta se abria. O velho ouviu algo se arrastando através das tábuas do chão se aproximando cada vez mais,  e o resto da cauda se arrastando atrás.

Devolva meu rabo...

"Vá embora!" O velho choramingou ...

Devolva meu rabo... devolva meu rabo...

A coisa estava no pé de sua cama agora, chegando mais perto, mais perto, mais perto, até que ...

* CRUNCH *


Traduzido: ChillingTalesfordarknight

Crime incomum

Qual o valor da vida humana? Do que é capaz o homem, quando tomado de desejos vis? Como se sentir seguro, em um mundo onde o maior dos presentes cedidos por Deus, chegou a cotação tão baixa? Qual de nós já não se sentiu desamparado com a notícia de um crime por motivos completamente fúteis e pior, qual de nós não esqueceu do assunto pouco tempo depois? Será que estamos mesmo perto do fim dos dias ou nossa memória seletiva irrompe em irracional negação da verdadeira natureza do homem. Melhor ou pior ainda, existe de fato fim dos dias? Deus? Ou a vida humana é a experiência mais inútil e sem sentido que existe?

Mas deixemos estas preocupações para homens sábios pois o que pretendo aqui é apenas contar a minha estória.  Vivia eu em uma dessas grandes cidades brasileiras; agora tudo fica cada vez mais cinzento em minha mente e eu já não me lembro o nome. Jovem honesto e esforçado, trabalhava duro todos os dias para ajudar com o sustento da família e já a alguns anos, postergava o desejo do curso superior diante da necessidade mais imediata de ter o que comer e pagar as contas. Sempre levantando quando ainda devia estar dormindo, com o sabor do fracasso, que faz muitos de nós viver diariamente beirando a depressão e a revolta. Todo dia; todo maldito santo dia, acordava cedo para pegar o ônibus que parava próximo de minha casa. Lá sempre havia uma mulher com uma criança, vestida em uma farda de colégio público com cerca de uns dez anos de idade. Um homem com cara de preocupado, com uma mochila nas costas e que sempre olhava por sobre os ombros ou em direção a qualquer barulho mais alto. E um vendedor. Gente como eu, que rala o dia todo para tentar tirar o gosto de merda da boca. Gente como eu fui um dia, vestido em uma farda escolar, sonhando em ser presidente ou astronauta, sem saber que o destino presenteia apenas alguns escolhidos, alocando a maioria como cabeceiros (ou chapeados dependendo da região do país) da pirâmide social. Gente com medo de tudo, nessas malditas cidades grandes em que a violência é como um câncer em estado de metástase. Gente sempre disposta a vender e se vender pela mínima condição de sobrevivência.

Mas continuemos. Nesse dia em questão, tinha acordado tarde e acabei saindo sem tomar café. O tempo parece lutar contra os homens hoje em dia. Já no ponto de ônibus, percebi que nunca tinha reparado no que negociava aquele vendedor. Por curiosidade repentina, me aproximei de seu carrinho. Estava coberto com uma lona. Mas como ele já tinha notado minha aproximação e eu já estava com cara de tacho olhando pro seu carrinho como uma criança curiosa, resolvi perguntar o que era aquilo. Ele então puxou a cobertura e me mostrou as goiabas mais suculentas e grandes que eu já vi (é sério cara, era uma goiaba gigante!). Sorrindo disse: Goiabas garoto! E são ou não são as mais bonitas que você já viu? Vendo no centro a muitos anos e não tem melhor por lá, por isso que minha clientela é fiel! Naquele momento, a visão das frutas somou-se à fome que eu sentia por não ter tomado café e fez meu estômago roncar em desespero. Um dilema formou-se então. Tendo apenas R$1.50, eu não poderia tomar o ônibus e comprar uma daquelas goiabas e me peguei conversando comigo mesmo. Caraca velho, será que eu pego o ônibus ou será que eu compro uma goiaba? Foi então que me veio à boca novamente aquele gosto de fracasso. Imagine só, ficar com fome por causa de um emprego de bosta que nem me permitia fazer um lanche. Um trabalho que deveria me dar o suficiente para viver, além de apenas sobreviver. Uma droga de ocupação que não me permitia ter tempo pra mais nada além de dormir. Será mesmo o tempo que luta contra o homem, ou seremos nós, vítimas de nós mesmos, que em nossos delírios de grandeza e desejos de riqueza vivemos tentando espreme-lo um pouco mais? Valia mesmo a pena tanto esforço por uma vida medíocre? Por um pretenso pequeno-burguês que consumia minhas forças na fantasia de escalar a pirâmide sempre pisando em pessoas como eu e nos empurrando pra baixo sem se importar com os MEUS sonhos? Hoje não. Hoje saciaria o meu desejo imediato e faria uma bela caminhada para o trabalho chegando lá a hora que tivesse que chegar. E estava mais era disposto a mandar o chefe enfiar o emprego naquele canto, caso ele se enfezasse comigo. Paguei a goiaba e a ergui bem na minha frente, como um troféu da minha atitude. Enfim tinha feito algo pensando em mim mesmo.

Só então percebi dois homens em um beco próximo me observando. O cara da mochila também percebeu e ficou observando à cena quando os dois me chamaram dizendo assim: Chegaí, chegaí, chegaí mano! Na hora meu coração disparou, sentindo que havia algo errado. Pensei em sair correndo mas eis a questão de viver em uma comunidade violenta (se é que ainda existem comunidades tranquilas). Já os tinha visto por ali e eles com certeza, sabiam que eu esperava ali o ônibus todos os dias, então de que me adiantava postergar o desejo deles? Talvez nem fosse nada de mais, racionalizei, apesar de perceber algo diabólico em seus olhares e ter sido acometido de uma violenta inquietação. Me aproximei devagar e enquanto me aproximava eles recuaram um pouco mais pra dentro do beco. Assim que adentrei naquele local, percebi o quanto era sujo e escuro e o forte cheiro de crack que emanava dali (não, não conheço o cheiro por experiência própria mas já o senti várias vezes. Em alguns lugares é mais constante que o cheiro de pão saindo da padaria). Tão perto todos os dias, aquele pedaço do inferno que costumamos ignorar hoje pedia atenção e apesar de algo dentro de mim dizer, cai fora daí idiota, a fleuma que nos acomete nesses dias atuais parecia me dirigir em direção a eles. Mal adentrei o beco imundo e meus pensamentos foram interrompidos quando um deles passou a mão na minha goiaba e com um sorriso escroto, de quem acha que todos devem teme-lo disse: Já era, já era, já era a goiaba mano. Meus olhos se encheram de lágrimas diante do desrespeito e falei com a voz embargada: Caraca mano, cê pegou minha goiaba. Isso só aumentou o sorriso do canalha e segurando a goiaba com uma mão enquanto com a outra mostrava um volume na cintura por baixo da blusa o desgraçado repetiu: Já era, já era, já era a goiaba mano.

Terminar a frase e tascar uma mordida na minha fruta foram atos contínuos e confesso que chorava de ódio diante de tão indigna humilhação. A voz saía empolada e minhas mãos se crispavam enquanto eu dizia a mim mesmo: Caraca velho, o cara mordeu minha goiaba. Caraca velho o cara roubou minha goiaba. Então, mais do que nunca eu senti aquele amargor pútrido de merda, da merda que todo maldito santo dia somos obrigados a engolir e foi aí que algo dentro de mim estalou enquanto bradei em pensamento incontido, hoje não! Como alguém possuído, eu pulei com as mãos na garganta do cara e nem percebi quando o seu parceiro colocava a mão nas costas. Por um instante, um breve e insignificante instante, me senti livre das amarras da sociedade. Um gigante resoluto, aplicando a justiça que todos sabem ser merecida enquanto sentia seus ossos e músculos do pescoço se contraindo entre minhas mãos. Deliciando-me, com o pavor em seus olhos ao descobrir que nem todos tem medo de suas demonstrações ignóbeis de falso poder. Sentindo-me um Deus em seu trabalho de punir os injustos. Sim, existia Deus. Eu era Deus! E então o estampido; o clarão, algo mordeu minhas costelas e sua mordida era quente. Minhas mãos se afrouxaram e confesso que não entendi na hora o que estava acontecendo. O cara me jogou de cima dele e eu lembrei da mordida. Olhei para o lado do meu corpo, debaixo do braço esquerdo e vi um buraquinho que jorrava sangue. Só quando vi o parceiro do sacana ajudando-o a se levantar com um revólver na mão é que minha mente tomou ciência do que tinha acontecido. Eu tinha sido baleado; por causa de uma goiaba. Não, eu não era Deus.

Os segundos seguintes foram confusos, quase como um sonho e ainda assim extremamente claros (ainda que essa clareza de entendimento só tenha vindo depois que tudo acabou). O cara da mochila, que tinha acompanhado a cena de longe, pareceu despertar depois do estampido e enquanto eu tentava me levantar, vi quando ele sacou uma arma. Naquele estupor de “confusa clareza”, finalmente entendi aquele comportamento assustado que citei no começo e aquela mochila. A farda escondida, fruto de uma sociedade que aprendeu a perdoar os maus e punir os bons. O medo constante de ser reconhecido em sua própria comunidade. Compreendi tudo isso no espaço de tempo dele sacar a arma e dizer: Parado, polícia! Mas quem vive no crime vive mesmo a beira da morte eu acho. Mesmo já estando na mira do “cana”, o cara começou a levantar a arma em direção a ele. Bem, apenas começou porque foi alvejado com dois tiros no peito enquanto eu me arrastava em direção ao ponto de ônibus. A mulher com a criança (que pensando bem agora, eu nunca perguntei o nome; a nenhum deles aliás, meus companheiros diários naquele ponto de ônibus) parecia simplesmente perdida na situação e conseguiu apenas agarrar o menino enquanto gritava desesperadamente. Ela nem viu quando o segundo meliante, o que tinha um volume na frente, aquele mesmo filho da puta que havia mordido minha goiaba, se esgueirou pra trás dela enquanto sacava a arma, pra usa-la como escudo. Com a linha de tiro obstruída, o policial foi incapaz de atirar. O bandido não. Sem nenhuma preocupação com a vida alheia, este esvaziou o tambor do seu revolver enquanto o “puliça” saltava e rolava para o meio da rua. Quatro disparos erraram o alvo, os outros dois não. Um pegou em sua coxa esquerda e o outro, na nuca da mulher que nada tinha a ver com isso. Já bem próximo do ponto de ônibus, vi quando seu corpo despencou por cima do garoto que tremia e chorava gritando: Minha mãe não, minha mãe não! O cara das goiabas estava já enfiado debaixo do carrinho, quando o policial mesmo baleado teve tempo de fazer sua manobra de rolamento e conseguir uma linha de tiro limpo. Um único disparo, bem na testa, e fim de papo como se diz. O que não deu tempo no meio da rua, foi de sair da frente do ônibus que chegava justamente naquele segundo e em cujo interior havia um motorista que percebeu a situação já perto demais e decidiu pisar fundo para passar logo pelo local. Parece que quem vive combatendo o crime também vive a beira da morte.

No fim eu já me apoiava debilmente no carrinho das goiabas e enquanto a vista ia escurecendo, eu ia enfiando a mão por baixo da lona e tateando em busca do que era meu por direito. Apanhei uma daquelas frutas e me preparava pra morde-la quando dei meu ultimo suspiro. O cara do carrinho já ia ficando de pé novamente quando meu coração parou diante dele, quatro outros cadáveres e uma criança atônita agarrada ao corpo da mãe. Não houve luz nem túnel luminoso, apenas um senso hiperconciente do fim e eu me levantando de novo enquanto o populacho se aproximava para acompanhar a cena cotidiana de violência. Ninguém me via e ao contrário do que mostram nos filmes eu não tive dúvida nenhuma sobre minha situação. Estranho é que além dos vivos não vi mais ninguém. Nem policial, nem mãe, nem bandidos. Alguns dias depois, acompanhei meu velório e vi o desespero dos meus familiares com muito tristeza mas conformado por saber que mais tarde eles também se conformariam e seguiriam em frente como seguem todos. A “boca de fumo” que tinha no beco, obviamente foi estourada no dia seguinte, deixando um saldo de cinco mortos do lado dos dois “aviões” locais e três usuários que foram pegos no momento da vingança, lugar errado na hora errada eu acho. E o garoto; bem, eu o tenho acompanhado já a alguns anos e vi seu comportamento mudar nesse tempo que tem ficado com os avós. Hoje ele escreve sobre a tristeza e inutilidade da vida enquanto preenche o quarto com fotos dos atiradores de Columbine e do massacre de Realengo. No próximo sábado ele vai comprar sua arma com o contato que conseguiu e segunda mesmo os cretinos de seu colégio vão ver quem realmente é o órfão esquisito. E o câncer continua se espalhando enquanto um fantasma com uma goiaba continua assombrando um certo ponto de ônibus.

Autor: Valter Ramos

Eu não acredito em papai noel

Eu não acredito em Papai Noel.

Sempre soube que era invenção, coisas que os pais dizem aos seus filhos para se comportarem durante os feriados. No entanto, eu sempre fui grato pelos "presentes duplos" - um dos meus pais, e o outro do "Noel" - e acordava todas as manhãs de Natal com um presente envolto de um papel dourado e prateado ao pé da minha cama com um cartão escrito "Do Papai Noel." Isso continuou até o ensino médio, e com o tempo comecei a sentir que isso era completamente desnecessário, mas continuei brincando. Foi apenas uma maneira dos meus pais me mimarem, já que eu era o único filho deles.

No entanto, tinha que parar, logo tive que ir para a faculdade. O Natal veio enquanto eu era um calouro ocupado na faculdade, mas eu não poderia deixar de querer visitar minha casa antes da estação acabar. Enquanto estava viajando de volta, eu recebi um telefonema dos nossos vizinhos me dizendo para voltar para casa imediatamente. Eu disse a eles que já estava a caminho, mas estava menos alegre e mais ansioso.

Assim que cheguei em casa, larguei minhas malas na neve e passei pelos policiais em minha casa. Lá, em meio aos destroços da sala de estar, estavam os corpos ensanguentados e mutilados dos meus amados pais. Nas paredes, no que parecia ser escrita com sangue, estavam as palavras "Onde ele está?"

Antes que os policiais me afastassem, eu notei um único presente, intocado, envolvido em um papel dourado e prateado, embaixo da árvore de Natal.

Eu não acredito em Papai Noel.

Mas acredito em monstros...

Don't hug me, I'm scared

Você já ouviu falar daquele vídeo que está no Youtube chamado “Don’t Hug Me, I’m Scared” (Não Me Abrace, Estou com Medo)? Bem, há muito mais nele do que os bonecos bobo-alegres cantando e dançando. Não, não estou falando de quando o vídeo se transforma num pesadelo perto do final. (Se você já assistiu deve saber do que estou falando).

Antes que você sente e diga “Ótimo, outra história de vídeo amaldiçoado”, eu lhe digo que isso não é o que você está pensando.



A música gruda na cabeça, né? Enfim, o ambiente leve do vídeo esconde uma história sinistra. Mostra que em apenas alguns segundos as coisas podem dar muito errado. Descreve como nós, seres humanos, somos encorajados a sermos nós mesmos e fazermos o que quisermos, mas apenas algumas coisas são aceitas. Eles não dizem exatamente “seja você mesmo”, mas sim “seja quem eu quero que você seja”. O propósito desse vídeo é fazer você pensar e perceber em que tipo de mundo vivemos.

Vamos por partes?

Quando a caderneta pergunta se os outros bonecos veem as nuvens no céu, eles dizem que não. Então ela diz para olharem mais uma vez e coloca um monóculo no próprio olho. Aí os bonecos veem o que ela quer que eles vejam como o chapéu, o gato, entre outros. Mas quando o boneco amarelo tenta ser criativo, e desenha um palhaço, a caderneta diz “Não, o palhaço não é aceitável”. Depois disso, quando ela sugere usar folhas e gravetos para escrever o nome de suas cores favoritas, preste atenção na roda de cores. Você verá apenas as cores azul, amarelo, vermelho, marrom e bege. Quando um boneco escolhe verde, a caderneta diz que aquela não é uma cor criativa porque não está na roda de cores. Verde não é aceitável e, logo, não pode ser sua cor favorita.

Agora as coisas começam a ficar estranhas.

A música acelera e começa a ficar meio distorcida. Vemos a mão dos bonecos rapidamente fazendo várias coisas. Quando a tela gira ao redor da mesa, é possível ver a cadeira de um diretor, a câmera e um microfone. Isso sugere que é uma cena feita em Hollywood. Hollywood é de onde essas idéias gerais de como agimos como pessoas vem. É de onde surge toda a corrupção da sociedade atual. Depois disso, os bonecos começam a pirar. Colocam glitter num coração humano, comem bolo de cérebro, entre outras coisas mais. As coisas ficam malucas.

Em seguida tudo volta ao normal, e a caderneta diz “Vamos todos concordar em nunca mais sermos criativos de novo”.

Esse vídeo basicamente mostra que aprendemos desde muito pequenos (Detalhe para o tema de programa infantil tocando e a música) a sermos individuais, sermos únicos, mas o que eles realmente querem é que sejamos todos iguais. A sociedade não está aberta à pessoas únicas, mas se faz parecer que sim. Esse vídeo fez você pensar no mundo em que vivemos? Pois deveria. Esse vídeo é a realidade da sociedade atual.

Copiado e colado descaradamente do: Show do Medo

O limite da justiça

Um certo dia um novo garoto entrou em um novo colégio. Sua família acabara de se mudar. Tudo estava indo da forma mais natural possível. O garoto era bonito, carismático e carregava uma elegância que encantava até mesmo os olhares masculinos. Uma semana passa-se e todos já formavam círculos de conversa com o novo aluno. Que por um motivo não explicado, insistia em ser chamado de Fantasma. Todos entraram na brincadeira, achando que o motivo era o jovem ser muito pálido. Porém, não o chamavam de vampiro, pois o mesmo adorava ficar no sol.

                - Ei pessoal! Que tal todos irem para uma festa hoje à noite na minha casa? – Fantasma pergunta sorridente. Todos concordam alegremente, mas Jonas diz que não poder ir por causa de sua irmã mais nova que não podia ficar sozinha. – Ah... Então vamos deixar para semana que vem! Não será tão divertido se todos não forem! – Afirma entristecido.

Uma semana se passa e jovem Fantasma volta a perguntar, mas dessa vez é Maria que não poderia ir, já que estava de castigo por ter passado a noite na casa do namorado. Três dias depois a festa finalmente saiu da possibilidade para a realidade. Marcada para as sete horas. Mas como todo bom garoto popular, Matias chegar as nove horas em ponto.

O jovem Matias estranha não ter som algum vindo da casa de dois andares. Mas podia ver o globo de luz girando, porém, ele estava manchado.

‘’Tock! Tock! Tock!”

- Oh! Matias! Pode entrar! – Fantasma da passagem para o amigo. A sala estava com as luzes apagadas.

- Eu cheguei muito tarde?! Desculpa! – Fala coçando a cabeça.

- Tarde? Que nada! A festa ainda está pegando fogo! – Afirma sorrindo. – Você gostaria de conhecer os donos dessa bela casa? – Pergunta sorridente e adentrando no escuro.

- Seus pais? Claro! Eles estão lá encima? – Pergunta animado.

- Não! Eles estão aqui! – Afirma alegremente e ligando a luz. Pregados na parede estavam um casal, eles estavam sendo segurados por cordas cobertas com sangue seco e presas por pregos enferrujados de trilho de trem. – Lá encima estão os nossos amigos! – Afirma sorridente, sua roupa estava coberta por sangue.

- Mas que droga! – Matias grita horrorizado e trêmulo.

- Verdade! Eles acabaram manchando o globo de luz! Agora como eu vou limpar aquela droga para devolver? – Grita irritado, mas depois sorri. – Mas deixa isso para depois! Agora vamos curtir! – Afirma animado e aproximando-se do ‘’ amigo’’, com uma faca.
Matias entra em desespero e desmaia.

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- Oh... Aquilo foi um sonho? – Pergunta-se enquanto abre os olhos e vê sobre si o teto de seu quarto.

- Deve ter sido muito bom... Acabei ficando entediado e tive que me divertir com a sua família! – Fantasma afirma sentado e despreocupado, enquanto limpa a sujeira das unhas com a ponta de uma faca que ainda pingava sangue.

- Seu maldito! A polícia vai lhe rastrear! E você vai ser preso! – Matias grita furioso enquanto levanta-se da cama, pisa em uma poça. Olha para baixo e vê sua irmã com um olhar desesperado, sem um pingo de vida e com a garganta cortada, cujo no próprio sangue ela deitava. Matias salta para a cama.

O som de sirenes preenche a rua.

- Ah... A polícia! Eu chamei eles! – Afirma sorridente e levantando-se. Matias o encara horrorizado. – O que foi? A polícia não pode prender um fantasma! – Afirma sorridente.

A polícia arromba a porta da frente.

- Agora... A festa acabou! – Fantasma afirma sério. Passa a faca pelo próprio pescoço e sorri. Ele aproxima-se de Matias que não conseguia mover-se e mal conseguia respirar. Corta a garganta do jovem Matias.

- Parado! – A polícia grita após arrombar a porta. – Mas... Que droga?! – Grita o polícia que estava na frente.

- O que há com essas crianças de hoje em dia? – O outro pergunta olhando decepcionado para Matias deitado na cama. – Matam várias pessoas e depois se matam! Isso é horrível! – Afirma indignado.

Matias olha para os policiais e para o seu corpo. Ele estava segurando a faca. Ele olha novamente para os policiais, e viu no meio deles o sorridente Fantasma.

- Ei! Ele ainda está vivo! – Um jovem policial grita apreensivo.

- Chamem uma ambulância! – O primeiro policial grita.

- Ela... Já está aqui! Deixem os médicos entrarem! – Um policial grita com os do lado de fora.

- É! Eu chamei uma ambulância também! – Fantasma afirma com um sorriso orgulhoso, enquanto seu pescoço escorre o sangue do corte que fez em si mesmo.

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Os médicos colocam Matias na maca e começam a leva-lo para dentro da ambulância. Ele olha para Fantasma que o olhava atentamente e com um grande sorriso. As palavras ‘’ A polícia não pode prender um fantasma!’’ ecoaram pela mente do jovem que já tinha recebido os primeiros socorros. Fantasma entra na ambulância e senta-se ao lado do paramédico que estava determinado em salvar a vida de Matias. Fantasma estava sério.

Os dois olham-se por alguns segundos. Até que fantasma puxa uma segunda faca do bolso e põe ao lado do garoto quase morto. Matias segura firme a faca e acerta o próprio estomago, enquanto olhava nos olhos do Fantasma. A mistura de sentimentos fora tão intensa que o sorriso que surgia no rosto do Fantasma refletia-se em seu próprio rosto.

- Quem deixou ele com uma faca? – Grita o paramédico furioso.



No fim.... O caso foi encerrado. Já que policiais não podem prender um fantasma!

Pela luz dos vaga-lumes



Quando eu era menino, eu morava com minha mãe em uma casa velha na Geórgia. Era pequeno, e a maioria das partes da casa eram bastantes desgastadas, mas o preço pedido era barato e nós precisávamos de uma casa. Não foi tão ruim, apesar; o lugar tinha um belo e grande quintal e vários hectares de floresta por trás dele.

Em um dia particularmente quente de verão, eu estava sentado brincando com o meu cão, Marley, enquanto minha mãe saía para o trabalho e discutia as diretrizes usuais para a babá.

"Eu vou estar de volta por volta das onze," Eu me lembro dela dizendo. "Certifique-se de que ele esteja na cama ás dez." A babá acenou e sorriu enquanto minha mãe falava adeus para mim e fechou a porta. Agora era só eu, Marley, e a babá da rua de baixo.

"Eu estou indo para fazer algumas tarefas", disse a babá, na qual eu acenei com a cabeça sem olhar para cima. Acho que aqui é onde eu deveria falar que a babá era uma cuzona. Depois que minha mãe saía para trabalhar, ela educadamente se desculpava e saia da casa, voltando a tempo apenas para receber seu salário. Eu nunca reclamei, no entanto. Eu nunca tive medo de ficar sozinho, e que criança não gosta de não ter regras?

Passei a maior parte do dia jogando Gameboy e perseguindo Marley ao redor da casa. Quando o sol caiu, chegou a hora da minha atividade favorita de verão: pegar vaga-lumes. Eu não posso te dizer o por que, mas eu estava tão fascinado por vaga-lumes e gostava de mantê-los como animais de estimação.

Peguei um velho frasco de pedreiro embaixo da pia e sai pela porta de tela estridente até a varanda dos fundos, Marley me seguiu. Eu fui recebido pelo som esmagador de insetos zumbindo em todo o quintal. Desci os degraus de madeira do deck e começei minha busca pelos vaga-lumes. Eu procurei pelas luzes fracas brilhantes pelo que pareciam horas, baralhando através da grama no ar quente da noite.

De repente, eu vi: o maior vaga-lume que eu já tinha visto, piscando ao redor da antiga cerca de arame enferrujado na parte trás. Com o frasco na mão, eu fui atrás dele, Marley latindo atrás de mim. Eu finalmente cheguei na cerca aonde o vaga-lume começou a recuar para a floresta. Eu não pretendia voltar de mãos vazias, então eu pulei a cerca com um pouco de dificuldade e fui para a floresta.

Marley lamentava, do outro lado, enquanto eu passava pelos troncos velhos cobertos de musgo, folhas eram esmagadas pelos meus pés enquanto, seguia a luz amarela brilhante.

O bosque parecia que eu tinha entrado em outro mundo. As árvores eram extremamente altas e as folhas no topo impediam a luz do luar de entrar.

Quando comecei a pensar que tinha ido longe demais, eu olhei para trás para encontrar as brilhantes luzes da varanda da minha casa, mas eu não podia ver qualquer vestígio delas; Eu tinha sido engolido pelo bosque. Eu não podia mais ouvir os zumbidos dos insetos; estava tudo em silêncio agora. Eu olhei para a frente novamente para encontrar o vaga-lume se aproximando. Eu precisava pegá-lo agora, para usar como fonte de luz para voltar.

Eu tentei apanha-lo no ar. Assustado, o vaga-lume começou a voar para cima, piscando a luz amarela. Ele continuou indo até ficar fora do meu alcance e eu o segui com os meus olhos. Ele se afastou das madeiras altas, e de repente eu vi ... Eu vi tudo.

Corpos

Centenas de corpos retorcidos: homens e mulheres, meninos e meninas, amarrados como marionetes nas filiais, iluminados apenas pela luz do vaga-lume.

Eu não podia me mover, estava paralisado pelo medo. Eu podia ouvir tudo: o ranger das cordas, o gemido das árvores antigas, e as pegadas se aproximando.

Eu me escondi atrás de uma árvore, tentando acalmar minha respiração ofegante. Eu tinha ido longe demais, pensei, e agora eu estava indo viver como um boneco. Eu não sabia o que fazer, se eu fugia ou se eu esperava, mas os passos estavam se aproximando. Ele sabe que eu estou aqui, eu pensei. Não havia nenhuma maneira dele não ter me ouvido.

Reunindo toda a minha coragem, eu peguei impulso da árvore e corri para a direção que eu tinha vindo, batendo nas folhas enquanto corria. Eu podia ouvi-lo me perseguindo, seus pés batendo na terra sincronizados com os meus. Eu corri o mais rápido do que já tinha corrido na minha vida. Eu não conseguia parar as lágrimas de escorrerem enquanto o vento batia no meu rosto. Eu não tinha dito "Adeus" a minha mãe quando ela saiu.

Como eu esperava, as luzes da varanda dos fundos estavam brilhando no escuro na minha frente. Eu podia ouvir o Marley latir, e eu sabia que logo iria chegar na cerca enferrujada. Me lembro de pensar que escalar a cerca iria me atrasar, mas era o único caminho. O tremor de terra foi se aproximando, e a ponta do meu sapato pegou em uma raiz e eu escorreguei, caindo de barriga.

Eu apalpei minhas costas e começei a chutar para longe a raiz enquanto os passos se aproximavam. Segurei meu frasco e joguei o mais forte na madeira preta. Eu ouvi um barulho e fiquei de pé.

Eu cheguei no muro e saltei para o meu quintal. Eu gritei para o meu cão, e nós dois corremos para dentro, fechando a porta à medida em que corriamos. Eu corri para o meu quarto no andar de cima e levei Marley comigo, trancando a porta e empurrando uma cadeira contra ela. Eu desmaiei na minha cama com as luzes acesas, minha mente estava agitada. Eu olhei para o relógio."10:33". Um alívio tomou conta de mim. Eu estava seguro agora, e minha mãe estaria em logo em casa.

Talvez era a adrenalina saindo do meu corpo, pois de repente estava muito cansado. Eu não queria dormir, mas eu não podia resistir. Eu desmaiei na minha cama com as luzes acesas e Marley ao meu lado.

Acordei de repente no meio da noite e me deparei com o quarto escuro. O lençol estava sobre mim, então eu tinha adivinhado que mãe tinha chegado e tinha me checado. Eu estava suando sob o o conforto do lençol quente e me virei pro outro lado.

E foi aí que eu vi. Um rosto, a centímetros do meu próprio, com uma pele pálida esticada sobre seu crânio. Era alta, magra e corcunda e estava inclinado sobre minha cama. Seus olhos sem pálpebras me observavam, me estudando. Eu queria desviar a visão dele, mas eu não podia me mover. De repente, tudo mudou.

Acordei ofegante. As luzes estavam acesas no meu quarto, e a cadeira ainda estava contra a porta. Marley levantou a cabeça e olhou para mim. Meus olhos se desviaram para o relógio que marcava 10:46. Eu ouvi a campainha tocar, e eu corri lá embaixo para a porta da frente, abrindo-a e caindo nos braços da minha mãe, chorando.

E agora aqui estou eu, 10 anos depois desse dia, em um hall de entrada cheia de gente, porque eu não aguento ficar sozinho. Lembro-me da minha mãe entrando na floresta no dia seguinte contra a minha vontade, só voltando dizendo que ela não viu nada. Meu cérebro estava brincando comigo, na calada da noite, ela disse. Eu não acreditei e ainda não acredito.

Não há uma noite em que passe sem que eu pense que irei ver aquela figura novamente, mas dessa vez não será um pesadelo.

O que mais me assusta é o pensamento de que naquela noite quente de verão, há dez anos, eu fui o único que escapou...

Animais não devem ser presos.

Traduzidohttp://www.chillingtalesfordarknights.com/