sexta-feira, 28 de junho de 2013

A Maldição do Lobisomem – Parte 09



“– De repente, ele começa a mudar
– Orelhas, focinho, pêlos, tudo muda
– E a criatura começa a uivar pra lua...
– Mas não é Lua Cheia
– E quem disse que precisa ser???”

Augúrio, as Fases da Lua

A Lua é a mentora de todos os Lobisomens. É a Lua proporciona caminhos para seus filhos seguirem. A trilha, ou o augúrio, de um Lobisomem é o seu chamado, o seu papel numa Matilha maior.
O augúrio de um Lobisomem é um modelo geral de atitude e comportamento. Os Lobisomens acreditam que a fase da Lua sob a qual um Lobisomem nasce influencia aquilo no que o Lobisomem irá tornar-se. Desta forma, a Lua ensina que nenhum Lobisomem pode ser todas as coisas ao mesmo tempo. Cada augúrio é um fragmento de um desígnio maior.
Se quiserem, vocês podem pensar no augúrio como uma espécie de classe. De fato, o augúrio define um Lobisomem em termos de quem ele é, o que faz e como é visto pelos outros Lobisomens.
O seu augúrio também descreve a sua posição na sociedade Lupina. Quando um Lobisomem entra numa Tribo, é mandado para um professor que compartilha do seu estigma da Lua, que então o instrui sobre as Tradições da Lua.
Para simplificar as coisas, muitos professores comparam o augúrio de um Lobisomem a um signo astrológico, mas o verdadeiro significado de um augúrio é muito mais profundo. O estigma da Lua é visto como um conselho e como uma parte integrante do ser de cada Lobisomem.
Veremos um pouco disso a seguir:


Lua Nova – O Trapaceiro

Incômodo como deve ser, o Trapaceiro é o portador da sabedoria para aqueles que já se julgam sábios. Ele não apenas revela que o rei está nu, ele empurra o idiota pretensioso numa poça de lama como uma lição para os futuros reis.
Eliminando gradativamente a tradição e a autoridade, o Trapaceiro mantém seus companheiros nas pontas dos pés, ensinando-lhes a insensatez da presunção e a sabedoria da humildade. Ironicamente, o Trapaceiro traz desordem à ordem. Seus logros ressaltam as rachaduras nas calçadas nas quais seus companheiros de Matilha pisariam.
Embora os outros Lobisomens sempre esperem que os Trapaceiros cometam travessuras, isso não significa que gostem delas. Os Lobisomens toleram os Trapaceiros, mas não confiam realmente neles.
Os Trapaceiros tendem a ser indivíduos muito estranhos. Seus companheiros de Matilha nem mesmo procuram entendê-los. A aprovação de seu comportamento lhes permite uma liberdade da qual poucos Lobisomens gozam.
Os Luas Novas são flexíveis, e essa flexibilidade é sua força. Como os bobos das cortes da Europa medieval, os Trapaceiros são considerados incômodos necessários, sendo-lhes dada muita liberdade. Isto não quer dizer que os Trapaceiros possam fazer o que bem quiserem, pois a Litania é uma lei sagrada, mesmo para os filhos da Lua Nova.
Ainda assim, os anciões costumam olhar para o outro lado quando os Trapaceiros pregam suas peças, por acreditarem que a sabedoria inata da Lua Nova os guia. Não obstante, é melhor que os Trapaceiros vejam onde pisam. Afinal, os Guerreiros não são conhecidos exatamente por seu senso de humor...
Embora o papel do palhaço seja aceito, ele proporciona pouco respeito. Os outros Lobisomens sempre desconfiam dos Trapaceiros, mesmo quando eles estão tentando agir com seriedade. Os Trapaceiros nascidos sob a Lua Crescente são dotados de uma suave veia cômica, enquanto o humor dos de Lua Minguante assume um tom mais sombrio.
Embora os Trapaceiros costumem ser desprezados como pregadores de peças, suas brincadeiras variam do cômico ao surreal, deixando os Lobisomens menos sofisticados coçando as orelhas, pasmos.
Os Trapaceiros são enigmáticos e reclusos como a Lua que é seu augúrio, e gostam de ser assim.

Lua Crescente – O Vidente

A Lua Crescente brilha como uma lâmina. À sua luz, o Vidente dos Lobisomens faz sua paz com o mundo espiritual. Não há outro Lupino que conheça uma sintonia maior com o Mundo Espiritual. Nenhum outro augúrio compartilha sua compreensão pelas trilhas e perigos dos Reinos Espirituais.
Os Videntes são guias tribais. À luz pálida da Lua, os Videntes espiam a escuridão dos mistérios interiores e exteriores. A Lua os conduz através de jornadas místicas que poucos outros Lobisomens poderiam seguir.
Como os xamãs humanos das culturas indígenas, os Lobisomens Videntes são reservados e misteriosos, tocados e segregados pelo conhecimento que adquiriram. Os Videntes costumam conviver mais freqüentemente apenas entre seus iguais, murmurando para os espíritos, com pouco tempo para atividades mundanas.
Esses Videntes são os planejadores, pensadores, sacerdotes e visionários. Seus Dons refletem uma compreensão profunda do mundo espiritual e do eu interior. Eles podem canalizar, curar ou ferir com a mesma graça. Sem eles, a tribo pode perambular sem destino até que a corrupção os engula a todos.
Seus colegas de Matilha sabem disso, mas se mantêm afastados. Quem sabe quando os conhecimentos sobrenaturais dos sábios poderão ser voltados contra eles?
Os espíritos deixaram sua marca nos Videntes. Eles são tocados e mais do que um pouco esquisitos. Seu conhecimento é igualmente uma benção e uma maldição. Embora os companheiros de Matilha valorizem os poderes dos Videntes, eles os deixam nervosos. Aquela cantoria assustadora que eles recitam enquanto dormem é suficiente para enroscar os tentáculos do medo
Os Videntes nascidos sob a Lua Crescente são capazes de entrar naturalmente em sintonia com os espíritos, enquanto os nascidos sob a Lua Minguante são capazes de escravizar espíritos, ao estilo dos feiticeiros.

Meia Lua – O Guardião dos Caminhos

Enquanto a Meia Lua equilibra a luz e a escuridão, o Guardião percorre a linha entre lobo e homem, veneno e sabedoria. O Guardião é o mediador da Matilha, aquele a quem os outros Lobisomens pedem conselhos ou uma resolução justa para disputas.
Sua honra costuma ser inquestionável. Como juiz, legislador e Mestre de Desafios, o Guardião não tem par. Os Guardiões costumam ser os melhores líderes de tribo. A Lua lhes ordena seguir a trilha intermediária. Ao fazer isso eles se tornam o sustentáculo que equilibra o comportamento extremado de seus colegas de Matilha Trapaceiros e Guerreiros.
Em tempos de guerra, um Dançarino da Lua ou um Guerreiro pode assumir o papel de comandante de guerra, inspirando o resto da Matilha a feitos valorosos. Durante os tempos comparativamente pacíficos, porém, um Guardião de Posto elevado costuma assumir o manto de líder.
Os Guardiões também alimentam seu centro espiritual, saboreando seus elos com a carne e o espírito. Em questões pessoais, eles costumam não se intrometer até que seja pedido seu conselho, mas intervêm imediatamente se identificam uma ameaça potencial à Matilha. Os Guardiões representam as melhores qualidades dos Lobisomens. Seu equilíbrio interno, porém, pode ser sua ruína.
Alguns Guardiões da Lua Minguante tornam-se distantes e indiferentes; da mesma forma, muitos seguidores de Luas Minguantes possuem um senso de equilíbrio frágil e até mesmo deturpado. Como a trilha do equilíbrio é uma corda-bamba, manter o equilíbrio costuma ser uma tarefa sem esperança.
Os Guardiões são conhecidos como sendo os Lobisomens mais honrados, embora alguns sussurrem que eles são espertos demais para o seu próprio bem. Porém, todas as vezes que surgem problemas, todos procuram por um Guardião.

Lua Minguante – O Dançarino da Lua

À medida que a Mãe-Terra fica prenha de Fúria, ela estimula o Dançarino da Lua a entoar suas canções de batalha e glórias passadas. Atendendo o chamado, o Dançarino eleva sua voz contra a noite, convocando inspiração com seu uivo claro e perfeito.
Os Dançarinos são os guardiões do conhecimento, os comediantes, os artistas, os cantores das antigas histórias e dos novos caminhos. Espontâneos e inventivos, os Dançarinos são a alma da Matilha. Eles elevam os espíritos dos outros e os lembram do motivo pelo qual estão lutando.
Os Dançarinos costumam ser guerreiros terríveis, refulgindo de paixão pela Lua. Aos Dançarinos, pouca diferença faz se a sua dança sagrada é executada numa clareira recém-descoberta ou nos intestinos de um inimigo. A paixão é a herança dos Dançarinos.
Aqueles que nascem sob a Lua Crescente sentem a paixão da vida e a alegria da criação, enquanto aqueles que nascem sob a Lua Minguante guardam na escuridão de suas almas um grande impulso assassino.
Embora todos os Dançarinos conheçam muitas sutilezas da Litania e as minúncias da cultura tribal, fazem mais uso de uma inspiração espontânea que de um aprendizado por estudo. Depois que a Lua inflama suas veias, a dança da vida e da morte é tudo que importa.
Ninguém espera comedimento da parte de um Dançarino, mas eles costumam ser bons contadores de histórias e cantores. Também são bons guerreiros e líderes inspirados.

Lua Cheia – O Guerreiro

O Guerreiro é o veículo da Fúria da Lua, as garras da ira da Mãe-Terra. Ele é o assassino, o homem-lobo enlouquecido, a Fúria encarnada. Sangue é o seu vinho, guerra o seu prazer.
Com o passar do tempo, a sabedoria pode guiar a mão de um Guerreiro mas, quando jovem, ele permanece no topo de uma pilha de cadáveres, gritando por mais. Os Guerreiros jamais serão conhecidos por seu refinamento social, mas sua presença inspiradora e sua habilidade física fazem deles líderes de guerra natos.
Sua afinidade com a Fera interior costuma levar os Guerreiros a uma morte prematura, ainda que gloriosa, mas a dor pode ser uma boa mestra. Um Guerreiro envelhecido é uma das mais perigosas criaturas vivas.
Eles são os heróis dos Lobisomens, os guerreiros das lendas. Até entre as Tribos mais moderadas, os Guerreiros são conhecidos por seu mau humor. Eles não temem a morte, mas a abraçam como um dever de guerreiro. Esses guerreiros natos vêem a si mesmos como os punhos e os líderes da Matilha por direito de nascença.
Mas nem todo Guerreiro é tão selvagem. Alguns conseguem controlar sua Fúria, guardando-a para o inimigo. Mas para a maioria dos filhos da Lua Cheia, a vida é uma batalha feroz, brutal e breve.
Os Guerreiros representam todo o orgulho, poder e impetuosidade dos Lobisomens. Seus espíritos são poderosos, mas seus modos deixam um pouco a desejar. Ainda assim, é melhor ter um ao seu lado na Matilha do que sobre a sua garganta.
Diz-se que os Guerreiros nascidos sob a Lua Crescente obedecem fanaticamente à vontade da Mãe-Terra, enquanto aqueles nascidos sob a Lua Minguante costumam usar seu poder para dominar os outros Lobisomens.

Como puderam ver, essa história de Lobisomem só aparecer em Lua Cheia, noites de Quinta para Sexta, é tudo mito. Um Lobisomem pode se transformar quando, onde e como bem entender.
Por isso eu disse e repito:

“NÃO TEMAM APENAS A LUA CHEIA...”

Continua...

Walacionil Wosch

4 comentários:

  1. é tudo tão, goticamente, divino. Essa questão das fases da lua e sua influência sobre os lobisomens. Antes eu pensei q eles eram só criaturas sem coração ou racionaliadade, agora, a cada post seu, eu os admiro mais.

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    1. É, realmente divino mesmo. Como você está vendo, Lobisomens são bem racionais e totalmente organizados, assim como os Vampiros. Na real, muitos mitos foram criados ao redor deles, a maior parte, apenas crendices. Mas tem mais por aí...
      Beijos e muito obrigado pelo comentário...

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  2. eles não podem se transformar durante o dia pois é muito raro ver a lua quando o sol está forte além de eles serem pessoas normais grande parte do tempo

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    1. Olá, Yukiteru. Em primeiro lugar, quero agradecer de coração pelo comentário. Eles podem, sim, se transformar durante o dia. Na verdade, não precisam da Lua para se transformar, apesar de, sem a presença dela, seus Dons ficam reduzidos. E está certo mesmo, na maior parte do tempo, são normais em suas formas originais (Hominídeo ou Lupino), salvo os Impuros, que mascaram sua forma natural por motivos óbvios. Os Vampiros também podem andar na luz do dia, contanto que o céu esteja escuro e nublado, mas seus poderes são reduzidos, como vimos em Bram Stoker's Dracula. Valeuuuu

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