segunda-feira, 29 de julho de 2013

Velhas Bonecas

Já era a segunda vez que isso me acontecia.Eu sabia que depois dessa não haveria como escapar, o pesadelo havia se tornado real. Mas antes disso há algo que deve ser esclarecido. Faz hoje 15 dias que minha irmã morreu, era a única que eu tinha, de apenas 8 anos. Era muito doente, sofria principalmente de catalepsia, uma doença que paralisa todos os músculos do corpo, e foi numa crise de catalepsia que ela se foi. Era horrível, ela parecia uma estátua viva.

Mesmo assim, quando não estava paralisada pela doença, adorava brincar com suas bonecas. Ela tinha uma coleção completa em seu quarto, eu sempre a via conversando com elas. Nunca gostei de bonecas, talvez por ser menino, mas a verdade é que eu nunca havia reparado nelas até sua morte. Eu visitava seu quarto regularmente, várias de suas bonecas decorando as prateleiras, muito coloridas. Comecei a gostar delas, afinal eram a única lembrança de minha irmã.

A cada dia que se passava eu notava algo diferente nas bonecas, elas pareciam estar ficando escuras, apodrecendo rapidamente. Tinham manchas escuras, estavam se desfazendo, e depois, já não eram mais de cores vivas, eram de um tom acinzentado. Eu tive o primeiro pesadelo depois de colocar algumas delas no meu quarto, e eu não devia ter feito isso. Foi horrível, naquele sonho não conseguia me mover, estava num quarto com paredes pintadas de rosa, e haviam bonecas em uma mesa. Seus olhares eram voltados diretamente à mim, elas pareciam se mover lentamente. Eram daquelas bonecas que você guarda desde pequeno, e aí larga em cima de qualquer armário.

Mas hoje estavam em cima de uma mesa, agora sorrindo e tento em vão me mover. Meu corpo não se mexe, começo a sentir pavor, elas estão sorrindo, e posso ouvir cada vez mais alto em minha mente suas gargalhadas escandalosas até minha visão escurecer e se apagar. Acordei suando, lembro das risadas assustadoras, aquela boca negra se abrindo com expressão de riso.

Me levanto e tiro aqueles brinquedos velhos do meu quarto, notei que estavam escuros, os rostos e roupas com marcas negras, pareciam algo como carvão, aquilo crescia a cada dia. Não gostei disso. Mas havia uma boneca que até então não havia chamado minha atenção, representava um bebê de aproximadamente um ano de idade, em tamanho real de um metro de altura. Era de pano, bem antiga, e eu daria no mínimo 20 anos a ela. Também parecia ser a que minha irmã mais gostava, aliás se pareciam muito. Paralizadas, os olhos vidrados fitando o além, sem vida...

Foi aí que resolvi sair de casa um pouco, fui dar uma volta pelo centro da cidade. Andei por algumas lojas até o entardecer e fui caminhando para casa. Me lembro de algo que a moça de uma loja me disse, "atrás de você..." O que poderia estar atrás de mim? Paro de andar e olho para trás. Uma boneca suja de pano imóvel, encarando meus joelhos.

Não consigo mais me mover. Sinto um frio dentro de mim, me consumindo lentamente, até que eu notei que aquilo não era real. A boneca levantou sua cabeça lentamente, e vi aquela boca escura, a face tinha dois buracos escuros no lugar das órbitas. Ela sorria. Foi aí que percebi, nunca mais conseguiria acordar daquele pesadelo.

Um comentário:

  1. Nunca gostei de bonecas, más essa aí está fofinha . kkkkkkk'

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Sua alma está mesmo segura dentro de você?

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