segunda-feira, 3 de junho de 2013

O Lobisomem dos Pampas – Part.01

Essa é pra quem gosta de histórias de Lobisomem.
Um velho fazendeiro do sul, com mulher e filho, levando uma vida
tranquila quando, de repente, fatos estranhos acontecem.
E tendem a piorar cada vez mais...



Rosalvo era um pequeno agricultor, morava com sua família do sul do Brasil, nos Pampas Gaúchos. O ano era de 1953. Brasília, a atual capital do Brasil, ainda não fora construída e ninguém ainda tinha ouvido em falar em Gilberto Gil e Caetano Veloso.
Era uma noite muito clara, pois a lua cheia estava em seu auge. Durvalina, a fiel esposa de Rosalvo, estava fazendo um cozido que, pelo cheiro, parecia muito apetitoso. O casal tinha um belo filho de 13 anos que gozava de muita saúde. Seu nome era Roneide.
Durvalina se mostrava um pouco preocupada, pois já anoitecera e o rapaz ainda não tinha chegado para jantar. Rosalvo que, além de faminto estava também preocupado, resolveu sair à procura do guri, que nunca se atrasara antes. Deixou o chimarrão no bule para não esfriar e foi procurar o moleque.

– Bah, tchê! Vou procurar o guri. – disse o agricultor.
– Barbaridade! Por onde anda esse guri? Pai, vai atrás dele e traz ele de volta! – disse a dedicada esposa.

 Assim que Rosalvo pôs os pés fora de casa, um uivo assustador fez com que sua espinha arrepiasse.

– Que diabos foi isso, tchê? – gritou a mulher de dentro da casa.
– Deve ser um lobo, mas aqui nos Pampas não tem lobo assim. Estranho, muito estranho. – Rosalvo pensou em voz alta.

Logo em seguida saiu de casa, caminhando na direção do uivo. Ele trazia consigo uma foice. Cauteloso, o gaúcho foi procurando por algo estranho perto do galinheiro. As galinhas estavam fazendo muito barulho e pareciam assustadas, os animais do celeiro também estavam inquietos. Cheiroso, o bode, não parava de dar cabeçadas na porteira do curral.

Apesar da lua cheia, estava um pouco escuro, já que não tinha luz elétrica no sítio. Rosalvo foi se aproximando do galinheiro quando um vulto negro passar por trás dele. O gaúcho quase cospe o coração, tamanho foi o susto. Rosalvo se vira lentamente, preparado para sentar a foice na tal figura, quando percebe que o vulto não passava de uma criança.

– Roneide!!! Seu guri filho de uma égua cega!!! Além de se atrasar, quase mata seu velho pai de susto!!! – gritou o pai, bufando como um touro.

Rosalvo leva o rapazinho pela orelha para casa e logo se pôs a tomar seu chimarrão noite adentro. Na manhã seguinte, o gaúcho vai até a Vila do Brejo Seco para conversar com os amigos e comprar alguns mantimentos.

– Mas bah, Arlindo!!! Ouvi um uivo gelado como a chuva e o meu guri me deu um susto que quase botei os bofes pra fora, tchê!!! – contou Rosalvo ao dono do Empório Nossa Senhora de Fátima, um imigrante Paraguaio.
– Mas como, hombre de Deus? Tu tienes medo de un lobo? Deves ter borrado las bombachas!! – gargalhou o comerciante, junto com os outros homens no Empório.
– Vocês podem rir a vontade, bando de Maricas! Só sei que, se esse lobo voltar, vou enfiar uma bala no meio dos olhos dele, tchê!!! – disse Rosalvo, ao sair com as compras.

Rosalvo aproveitou para comprar cartuchos para sua espingarda 22 de 02 canos, que ele carinhosamente chamava de "Furiosa". Mais tarde, enquanto preparava a carroça para voltar ao seu sítio, um índio se aproximou de Rosalvo.

– Acho que isso não vai adiantar nada contra o dito cujo que tu vais encarar. – disse o índio, com um Português melhor do que a média do lugar.
– De que tu tá falando, Índio Velho?
– Eu estou falando de Lobisomem!!! – disse o índio com uma voz sombria.

Mais uma vez o gaúcho sentiu um frio na espinha. Um pavor insólito tomou conta de sua mente ignorante.

– Cala tua boca, velho imbecil! Eu não acredito nessas crendices de gente besta! Coiote velho!

Ao dizer isso, subiu em sua carroça e voltou para casa. Chegando em casa, Rosalvo não conseguia pensar noutra coisa. Ele se assustava com tudo, sombras, ruídos, luzes, até o sonoro peido do bode Cheiroso no curral, ao qual ele já havia acostumado, o assustava também.

– Raça de bode duma figa!!! Eu ainda te castro com um facão, tchê!!

Após o jantar, agora mais calmo, ele foi se deitar com a mulher. Roneide estava incumbido de trancar as porteiras e a casa. Rosalvo estava quase dormindo, quando ouviu um uivo assustador.
Rosaldo dá um pulo da cama, já engatilhando a Furiosa. Durvalina, completamente apavorada, se esconde debaixo da cama e começa a rezar um rosário. O gaúcho se dirigia em direção da porta dos fundos quando percebeu que o guri não estava em seu quarto.

– Ai, ai, ai, mulher!!!! O guri não está em casa, tchê!!! Deve estar lá fora!! – gritou o fazendeiro, enquanto saía com a Furiosa preparada.

A mulher, a essa altura, já estava na 03ª conta do rosário. Ao chegar lá fora, havia um alvoroço sem precedentes no galinheiro, parecia que todas as galinhas cacarejavam ao mesmo tempo, uma bagunça.
Rosalvo correu em direção do galinheiro atirando. Um vulto negro pula agilmente pela janela do galinheiro, corre em direção à plantação de mate e some na escuridão. Rosalvo chega ao galinheiro e vê que quase todas as galinhas estavam mortas, degoladas.
Agora Rosalvo procura desesperadamente por Roneide, correndo em volta da casa quando, de repente, dá de cara com uma figura baixa e escura. Rosalvo conseguiu se recuperar do susto e se preparava para atirar com sua espingarda quando ele reconhece o pequeno vulto: era Roneide, que estava completamente sujo de barro.

– Roneide!!! Seu filho de uma porca!!! Tu tás a fim de matar teu velho pai de susto mesmo, tchê!!! Tu não ouvistes o uivo do lobo e as galinhas gritando? – gritou o gaúcho, gesticulando com a Furiosa na mão.
– Não pai. Eu não ouvi nada. Eu caí no brejo quando fui fechar a porteira. – disse o rapaz, que agora estava assustado.
– Já pra dentro!!! Filho de uma cabra! – gritou Rosalvo com o filho, muito mais com medo do que raiva.

O pobre gaúcho não conseguiu dormir a noite inteira.

CONTINUA...

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Escrito por: Walacionil Wosch

6 comentários:

  1. :-D cara, parabéns pela criatividade em escolher nome de personagem. Essa estória tá ilária. Me lasquei de rir com o peido do bode cheiroso.

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    1. É, essa foi que nem pastel: FEITO NA HORA. KKKKK
      Já tô preparando a segunda parte da história.
      Valeu mesmo, de coração, por ter comentado...
      Abraço a todos...

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  2. Cara..reza a lenda que um homem passa a sofrer a metamofose de humano para lobo,com idade de 18 anos e não 13 anos....Meio complicada essa estória...

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    1. Bem, vou lhe dar uma dica sobre Lupinos. Um Lobisomem não é criado, já nasce com o dom, resultado do cruzamento de Lobisomens e humanos. O dom começa a se manifestar entre os 13 e 14 anos, quando ocorre a primeira metamorfose, às vezes incompleta. Outra curiosidade: Lobisomens não se transformam somente em Lua Cheia, Quaresma, essas coisas. Eles podem transmutar quando e onde quiserem, apesar de seus dons ficarem reduzidos. Espero ter ajudado. Qualquer coisa que queira saber sobre o Lado Sombrio, é só perguntar que, se eu souber, te ajudo. Obrigado por ter comentado, amigo.

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  3. Não consigo parar de rir kkk. Esse moleque é filho da égua, da porca ou da cabra? Eis a questão.-q Coitada da Durvalina.

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    1. Valeu pelo comentário, amigo. O moleque ainda é uma surpresa......

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