domingo, 16 de junho de 2013

Floresta de Sangue

"12/02/13

Boa noite diário,
É fevereiro, e começaram hoje as aulas. Estou muito nervosa, pois estou em uma escola nova e ainda
estou na 3º serie. As pessoas por aqui não gostam muito de se comunicar, ou se comunicam apenas com seus grupos. A única pessoa que me dei bem e que parece que gostou de mim, foi um homem alto que vestia um terno. Achei um pouco estranho por ele não ter olhos...  nem face. Mas ele esta sendo muito legal
comigo, ficou comigo no recreio quando me viu lá sozinha.
Agora estou indo dormir, até amanhã querido diário.

13/02/13

Estou um pouco triste hoje. As pessoas estão me chamando de maluca por elas não estarem vendo o
S, mas ele está lá! S é o apelido que dei para o senhor de terno, e parece que ele não se importou muito com o seu novo apelido. Disse que já tinha sonhado com ele me levando para uma floresta, porém ele nunca se expressa. Às vezes fico com medo dele... mas isso não importa. Estou com muito sono e não consigo lembrar de muita coisa, Boa noite diário.

15/02/13

Fiquei sem escrever porque ontem foi dia 14, meu aniversário. Estava na casa da minha amiga, e
brincamos muito e descobri que ela também pode ver o senhor S, mas ela não gosta muito dele, porque
nós fomos a um jardim e ele desenhou no nosso braço um tipo de símbolo. Em um dos dias que eu estava indo para minha casa, olhei para a sombra do S e vi que ele tinha mais braços, mas ele não vai me machucar... ele escreveu isso na parede da escola. Ultimamente não estou lembrando de nada que esta acontecendo, meu nariz fica sangrando e quando respiro sinto dor. Contei isso para a mãe, ela me levou no medico e ele disse que não tinha nada de errado comigo. Estou no fundo da minha casa e o S disse que já esta na hora de nos passearmos. Não sei onde ele quer me levar... mas parece que vai ser legal. Vou indo, até mais querido diário."
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Quando terminei de ler, percebi que tinha algo de errado acontecendo. Aquela criança pode ser mais uma das várias desaparecidas pela região, e precisávamos descobrir o que aconteceu com ela. Meu filho também desapareceuà um tempo... Avisei aos policiais sobre o que eu havia encontrado perto daquelas árvores. Como eu estava sozinho, achei melhor voltar logo para casa porque estava começando a escurecer. Minha vontade de sair do meio daquelas árvores só aumentava na medida que eu encontrava mais daqueles corpos destruídos pelo chão. Eram todos de seres pequenos, cobertos de sangue, e estavam completamente irreconhecíveis, só se via um amontoado de restos de carne e ossos. Aquilo não poderia ter sido feito por algo normal. Um animal teria devorado a carne, não a deixaria simplesmente perfurada ou pendurada em galhos. E também, porque haveria um grande símbolo no local??? Estou pisando nele agora mesmo! Definitivamente algo está muito errado.

Eu não havia entrado no fundo naquela floresta, mas eu não conseguia sair dela, havia também uma forte neblina que estava cada vez mais densa. Eu não conseguia ver nada a 4 metros além de mim, e eu seguia vagando pelo desconhecido enquanto algo estava me rondando. Vejo mais um corpo pendurado. Já havia me acostumado com a idéia de seres esquartejados, mas... Esse estava inteiro... E era de uma garota pequena, ela me olhava imóvel com um olhar vazio, mas cheios de sangue. Sua expressão era assustadora, tinha a boca aberta, como se tivesse morrido gritando por algo...  Percebo que ela era a única que eu havia encontrado inteira, a não ser pelas perfurações.

Havia algo por perto... Ao olhar para baixo novamente, vejo o que causou as perfurações. Tentáculos que ficavam cada vez maiores... O tempo parecia ter desacelerado, minha visão ficou turva mas enquanto caía, eu ainda podia ver um rosto vazio, mas mesmo assim mostrava ódio e tristeza. Eu estava indo em direção ao chão enquanto podia ver o motivo de tantas desaparições...


Enviado por: Natália Silva, de Minas Gerais.
Editado e revisado por: Daniel Lee.

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