sábado, 8 de junho de 2013

Assombração


Em meados de 1950, na cidade de Brusque-SC, Eduardo V se mudou para uma das casas mais bonitas da região. Apesar da casa ter uma aparência sombria, Eduardo não relutou em tomar posse da herança que ganhou de seu avô, Eduardo III. Boatos diziam que a casa era amaldiçoada, que fenômenos estranhos aconteciam nela e que ninguém tinha coragem de morar lá.
Mas Eduardo, a princípio, não deu atenção a esses comentários. Sua esposa, Elizabeth, tinha adorado a casa, ele tinha certeza de que seriam muito felizes ali. 

– Eduardo, meu amor, a casa é realmente muito linda – comentou Elizabeth.
– Tenho certeza, meu amor, que seremos muito felizes aqui – disse Eduardo, acariciando os cabelos da esposa.
– Você escutou os comentários sobre as aparições na casa? – perguntou ela.
– Sim. Mas isso não me abala, são só boatos. Agora que entramos aqui, os fantasmas têm que sair. – comentou Eduardo, sorrindo.

Mas, com o passar do tempo, Eduardo e Elizabeth começaram a presenciar os fenômenos. Eles começaram em uma noite quente no verão de 1951.

– Amor, você está escutando o barulho? – disse Elizabeth, assustada.
– Sim, estou, minha amada.
– E agora, vamos ver o que é?
– É o único jeito.

Quando Eduardo se levantou da cama, a cômoda que estava encostada na parede se arrastou misteriosamente até a porta, deixando-o paralisado. Elizabeth gritou:

– Deixe-nos em paz,por favor.

Neste momento, a cômoda voltou ao lugar onde estava e a porta se abriu. Eduardo pôde ver que, próximo ao vão da porta, tinha um bilhete com as seguintes palavras:

“Elizabeth! Me ajude!!!”

A doce mulher ficou morrendo de medo que o fantasma não os deixasse em paz. Naquela noite, não conseguiram dormir e, a partir daquele dia, móveis sendo arrastados e recados escritos nas paredes e em papéis não cessaram mais. A vida do jovem casal tinha se tornado um inferno.
Uma certa noite, Elizabeth foi sair do seu quarto e a porta estava trancada. Quanto mais ela forçava a porta para abrir, mais seu sangue gelava de medo do fantasma fazer algum mal a ela.
Pôde perceber, por debaixo da porta, uma luz que sumiu rapidamente. A porta se abriu e um novo bilhete apareceu pra ela:

“Elizabeth! Me ajude!!!”

Ela, morrendo de medo, resolveu responder escrevendo:

“O que você quer???”

Logo em seguida, ela deixou o bilhete no mesmo lugar, fechou a porta e pôde notar a luz novamente aparecer e sumir em segundos. Ela abriu a porta, pegou o bilhete e ficou surpresa em ver a resposta que era:

“Descansar!!!”

Elizabeth tinha chegado ao seu limite, não queria mais viver ali e se queixou ao marido.

– Eduardo, não agüento mais. Precisamos ir embora dessa casa.
– Elizabeth, tive pensando o mesmo. Vou providenciar nossa mudança imediatamente.

E assim aconteceu. Em uma semana, Eduardo e Elizabeth saíram da casa pra nunca mais voltar.
Três anos se passaram. Era inverno de 1954 quando Cláudio Urlan, o mais famoso caçador de fantasmas da época, apareceu em Brusque à procura da famosa casa assombrada.
Descobriu que ela estava para alugar desde que Eduardo e Elizabeth se mudaram de lá. Perguntando aos vizinhos, eles deram várias explicações sobre a casa, cada um com sua versão. Mas Cláudio era teimoso, gostava de desafios e ser caça-fantasmas, o que, naquela época, não era pra qualquer um.
Cláudio era considerado um louco por andar atrás de coisas que não conhecia. Foi então que ele resolveu alugar a casa por um ano. Queria provas reais de que ela realmente era assombrada.
Colocou um anúncio em um jornal convocando pessoas para o acompanhar na casa, o que fez a pequena cidade de Brusque ficar muito famosa. Todos queriam presenciar os fantasmas.
Ele contratou 04 pessoas: Sidnei, Marcos, Bruna e Fabrício.

– Bem, meu nome é Cláudio, como vocês sabem. E eu queria dizer que, se querem desistir, esse é o momento.

Não houve resposta.

– Não sei o que nos espera lá dentro, não sei se sairemos traumatizados ou não. Vi em suas fichas que vocês são pessoas sensitivas e isso ajuda muito. Então, mãos à obra.

E assim, os 05 integrantes se alojaram na casa. E, já na primeira noite, tiveram uma surpresa: estavam na sala, arrumando os equipamentos, quando um forte vento abriu todas as janelas. Uma voz vinha do andar de cima da casa.

– O que querem aqui? – gritou a voz misteriosa.
– Queremos ajudar. – disse Bruna.
– Não quero e não preciso da ajuda de vocês – disse a voz com tom furioso.
– Elizabeth! Elizabeth! Elizabeth! – gritava a voz.

Todos estavam assustados, não sabiam que iriam ter uma manifestação dessas no primeiro dia. Um grito agudo ecoou pela casa, sumindo logo em seguida. Todos se entreolharam e tiveram a certeza: o fantasma realmente existia.
No decorrer dos meses, tiveram muitas outras manifestações: copos e pratos voando na direção deles, móveis que se moviam para outros lugares e batidas que vinham de dentro das paredes. Era realmente assustador.
Mas a voz queria só uma pessoa para ajudá-la:  Elizabeth.
Quando o ano terminou, Cláudio apresentou seu trabalho a Elizabeth, que negou qualquer ajuda àquele tipo de coisa. Disse que sabia da existência do fantasma, mas não queria se envolver com isso.
Cláudio não desanimou, apesar das criticas, e fez muita gente acreditar que as aparições eram autênticas.
Dois anos depois, a casa tinha um novo morador: o Barão Luiz Burman. Não passou muito tempo para aquele senhor presenciar o primeiro fenômeno sobrenatural na casa após sua chegada. A campainha toca.

– Quem será?

Tentou abrir a porta, mas não conseguiu, estava trancada. Quando se virou, deu de cara com o fantasma da casa. Ele ficou pálido na hora. Pôde perceber que era uma mulher, cabelos longos e aparência em decomposição.

– Elizabeth! Elizabeth! Elizabeth! – gritava ela.

O Barão tentou correr, e a única maneira de se salvar foi se jogando pela janela. Ao cair, percebeu que quebrou o braço. Saiu correndo em direção à rua. Deixou aquela casa maldita, que misteriosamente pegou fogo.
Quando Cláudio ficou sabendo do acontecido, foi rapidamente falar com o tal Barão, que confirmou a aparição fantasmagórica. Cláudio chegou à conclusão que era hora de voltar.
Procurou Elizabeth e explicou a situação, disse que ele tinha que resolver aquele caso, senão as pessoas que residiriam naquele lugar nunca teriam paz.
Elizabeth, diante da situação, resolveu ajudá-lo. No mesmo dia, Cláudio foi à sua casa e pegou um aparelho novo para comunicação com os mortos. A planchete é um tipo de instrumento equipado com um lápis que se move, supostamente movido por espíritos em uma prancheta, escrevendo mensagens pela mão da pessoa assistente.
Era meia-noite quando Elizabeth, acompanhada do marido Eduardo, avistaram Cláudio, que já estava na casa.

– Elizabeth, peço por gentileza que segure aqui na planchete e espere a aparição dela.
– É uma mulher?
– Sim,é uma mulher.

Passados alguns minutos, a mão de Elizabeth começou a mexer. Ela tirou a mão da planchete, com medo. Eduardo saiu do local, não tinha mais coragem de ver essas manifestações.

– Por favor Elizabeth, é a nossa chance.

Novamente ela colocou a mão no aparelho, tremendo dos pés a cabeça e rezando para aquilo acabar logo.
Começou a se mexer novamente.


– Quem é você? – perguntou Cláudio

E, através do aparelho, o fantasma se manifestou:

– Meu nome é Cristina Gorlier.
– Por que escolheu a Elizabeth para te ajudar?
– Por que ela é pura de coração, sua alma é pura. Me identifiquei muito com ela.
– Conte-nos sobre você e como podemos te ajudar.

Nas palavras escritas no papel, Cristina contou que era prostituta e que tinha parado de exercer a profissão porque se apaixonou por Eduardo III. Os dois se casaram e vieram morar naquela casa em Brusque.
Foram felizes por algum tempo, até ele descobrir que ela não poderia ter filhos. Então, ele a enforcou e colocou seus restos mortais em uma das paredes da casa, que ficava no sótão.

– Esta explicada as batidas internas na parede – disse ele surpreso.

Na mensagem, ela pedia para que procurassem uma parede que tinha a marca de uma cruz pequena. Cláudio e Elizabeth estavam eufóricos. Medo e ansiedade tomaram conta dos dois.
No outro dia, Cláudio providenciou a procura de Cristina na casa. Chegaram até a parede mencionada nas mensagens e lá estava uma ossada, pertencente a uma mulher jovem: a jovem Cristina.
Cláudio, Elizabeth e Eduardo providenciaram o enterro. Depois disso, nunca mais se ouviu falar nas assombrações da famosa casa, que foi totalmente demolida em seguida, dando sossego aos moradores da região e aos novos donos daquele local.

Gostaram do Conto? Comentem, pessoal. Nos incentivem a continuar, OK?

Escrito por: Walacionil Wosch

4 comentários:

  1. Respostas
    1. Que bom que gostou, meu amigo. Agradeço de coração o comentário. Valeu.....

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  2. Curti. Uma pequena observação: Matar uma mulher por não poder ter filhos é muito foda. Hoje alguns homens matam as mulheres por terem filhos (pra não pagar pensão), as vezes matam até os filhos. Como a forma de pensamento humano evolui né?

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    1. Olha, Anna, você está coberta de razão, viu. Hoje em dia, os chamados "homens", falo assim porque um ser desses não pode ser chamado de homem, gostam só de fazer, mas na hora de assumir, desaparecem. A mente do ser humano, muitas vezes, tomam rumos tão desconhecidos quanto os segredos do Universo.
      Agradeço de coração por seus comentários. Um grande abraço...

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