quarta-feira, 3 de abril de 2013

Os “Ladrões de Pênis” Africanos


Recentemente, a antropóloga Louisa Lombard, da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA),
descreveu um caso curioso que presenciou ao visitar uma pequena cidade na República Centro Africana, envolvendo dois homens que afirmavam que seus pênis haviam sido roubados.

Isso mesmo. Parece que, no dia anterior, um viajante havia visitado a cidade e apertado as mãos de um vendedor de chá, que imediatamente alegou que sentiu um choque, que por sua vez fez seu pênis encolher. Ele gritou no instante do acontecimento, reunindo uma multidão, na qual um segundo homem disse que o mesmo havia acontecido com ele.

Você provavelmente está pensando: “isso é impossível”, ou então “isso é uma piada”. Mas não é! Essa fobia, ou medo obsessivo, é uma ilusão específica de que os órgãos genitais estão encolhendo, ou retraindo no corpo  (principalmente homens, mas pode ocorrer em mulheres), e de que, quando eles finalmente desaparecerem, você vai morrer. Na verdade, é um distúrbio psicológico real, chamado de síndrome do Koro, ou simplesmente koro, síndrome de redução genital, ou síndrome de Jinjin Bemar, ou síndrome de Suk Yeong – tem muitos nomes, porque abrange diversas culturas com línguas diferentes.

A fim de evitar maior encolhimento, existem casos relatados de vítimas que amarraram firmemente seus pênis com grampos, corda ou metal – às vezes até mesmo pedindo que membros da família o segurassem até que algum tratamento pudesse ser realizado, geralmente por curandeiros tradicionais locais ou xamãs. A condição tem sido mais frequentemente descrita na África nas últimas décadas, embora tenha também sido amplamente registrada na Ásia.

Segundo os médicos, a condição é puramente um distúrbio psicológico. Ou seja, os principais perigos da síndrome são relacionados à ansiedade causada pelo medo. Consequências físicas podem advir da prática ocasional de tentar puxar os órgãos genitais e “trazê-los de volta”. Um paciente de 41 anos passou 15 anos amarrando uma corda ao redor de seu pênis e prendendo-a a um gancho acima de sua cama, à noite, a fim de evitar que ele encolhesse. Essas medidas extremas para “puxar os genitais para fora” do corpo são conhecidas por causar lesão e até morte.

“Nos últimos anos, a mídia em diversos países do Oeste Africano relatou episódios periódicos de ‘pânico’ em que homens e mulheres são espancados, às vezes até a morte, depois de serem acusados de encolher ou desaparecer com pênis, seios e vaginas”, escreveram Vivian Dzokoto e Glenn Adams em um estudo publicado em 2005 na revista Culture, Medicine and Psychiatry.

“Pelo menos 56 casos separados de encolhimento, desaparecimento e roubo genital foram relatados nos últimos sete anos (1998-2005) pela mídia de sete países da África Ocidental”.

Vítimas de koro geralmente acreditam que um toque, mesmo acidental, de um estranho causa o roubo, da mesma forma que um batedor de carteira pode furtar sua bolsa. Enquanto algumas reportagens afirmam que ninguém nunca morreu diretamente de koro – a condição é puramente psicológica, ou seja, os principais perigos da síndrome são relacionados à ansiedade causada pelo medo -, outras afirmam que as medidas extremas que as pessoas tomam para “puxar os genitais para fora” do corpo são conhecidas por causar lesão e até morte.

Indubitavelmente, no entanto, a crença em koro pode ter consequências mortais: centenas de pessoas já foram acusadas de roubar (ou encolher) os genitais de outras, e dezenas foram mortas por conta disso. Em muitos casos, “vítimas” de koro que gritaram e pediram a transeuntes para ajudar a prender o “ladrão de pênis” – este muitas vezes surpreso e protestando a sua inocência – acabaram linchando o coitado no local da confusão, como outros episódios de “justiça de rua” que vemos por aí.

Sistema de crenças

Especula-se que o termo “koro” venha do malaio. Supostamente, a palavra refere-se a cabeça de uma tartaruga conforme ela se “esconde” para dentro do casco. Considerando que a síndrome do Koro é a crença de que os órgãos genitais estão recuando para dentro do corpo, a metáfora é válida.

O aparecimento da síndrome é súbito. Segundo os médicos, os sintomas relacionados com a doença são distorção da imagem corporal, autoestima baixa, obsessão por réguas e fitas métricas, medição frequente dos órgãos genitais, inquietação, irritabilidade, depressão, pânico e ansiedade.

Quando a síndrome era quase que exclusivamente relatada em países do leste da Ásia, os cientistas acreditavam que era devido a alguma tendência intrínseca cultural para um tipo específico de preocupação. Também indagavam se o distúrbio não havia começado como um boato ou lenda que foi interpretado literalmente na região.

Na Ásia, os que desenvolvem a síndrome normalmente possuem conflitos interpessoais, e são mais vulneráveis a pressões socioculturais (que impõe tamanhos ideais para os órgãos genitais). Exposição ao frio, coito excessivo, conflitos interpessoais e pressões socioculturais, são, resumidamente, fatores que os cientistas acreditam que podem levar à síndrome.

No entanto, hoje se sabe que a estranha condição pode ser entendida de uma variedade de maneiras. Do ponto de vista psicológico, pode ser vista como um exemplo de histeria ou ilusão em massa, em que uma crença cultural coletiva pode manifestar-se na forma de experiências pessoais – seja essa experiência objetivamente “real” ou não. As vítimas desse pânico do encolhimento de genitália podem se recuperar dentro de horas ou dias depois de serem convencidas de que a “doença” foi curada ou nunca existiu, bem como podem não ter quaisquer problemas psicossexuais. Nestes casos, mais comuns na África, a ilusão é possível graças à crença subjacente na bruxaria, ou magia negra.

Uma pesquisa da Gallup em 2010 descobriu que a crença na magia é generalizada em toda a África subsaariana, com mais da metade dos entrevistados dizendo que acreditam pessoalmente em bruxaria. Estudos realizados em 18 países da África subsaariana mostram que essa crença varia muito, mas em média, 55% das pessoas entrevistadas acreditam em magia.

Como a maioria dos ocidentais não acredita em magia e bruxaria – ou pelo menos não na variedade que tem o potencial de reduzir ou roubar os genitais de alguém -, não há sistema de crença subjacente que tornaria o koro plausível e, portanto, não há relato da doença por aqui. No entanto, segundo alguns médicos, conforme a síndrome torna-se mais conhecida nos países ocidentais, casos esporádicos têm sido registrados. A diferença é que estes casos tendem a ser associados a outras doenças psicológicas, enquanto que em outros lugares a síndrome é frequentemente diagnosticada em pessoas perfeitamente saudáveis.

“É um lembrete oportuno de que ninguém está imune a delírios de massa e que a influência da cultura e da sociedade no comportamento individual é muito maior do que a maioria de nós gostaria de admitir. Qualquer ilusão é possível se a falsa crença de que lhe está subjacente é plausível”, escrevem Robert Bartholomew e Benjamin Radford no livro “Hoaxes, Myths, and Mania: Why We Need Critical Thinking” (em português, algo como “Trotes, Mitos, e Manias: Por que Precisamos de Pensamento Crítico”).

No caso da crença em magia, “tratamentos” com curandeiros podem ser o suficiente para aliviar o sofrimento da “vítima”. No caso de um distúrbio mental mais grave, tratamento com acompanhamento psicológico pode ser feito. Médicos dizem que a psicoterapia pode regredir os sintomas e reajustar emocionalmente o doente. A terapia habitual envolve também medicação antiansiedade ou antipsicótica, para ajudar o doente a recuperar uma visão objetiva.

Segundo alguns médicos, conforme a síndrome torna-se mais conhecida nos países ocidentais, casos esporádicos têm sido registrados aqui. Porém, estes casos tendem a ser associados a outras doenças psicológicas, enquanto na Ásia a síndrome é frequentemente diagnosticada em pessoas perfeitamente saudáveis.

Diagnóstico e Tratamento

São geralmente os parentes e mais próximos que percebem que a pessoa está sofrendo dessa fobia. Na tentativa de “tratar-se”, os doentes examinam constantemente os próprios genitais, ou pedem que familiares o façam. Também colocam talas para evitar a retração dos genitais e outras medidas do tipo.

As causas estão geralmente relacionadas com o desequilíbrio psicológico do doente. Os que desenvolvem a síndrome normalmente possuem conflitos interpessoais, e são mais vulneráveis a pressões socioculturais (que impõe tamanhos ideais para os órgãos genitais). O boato de que os asiáticos têm pênis menores pode, portanto, colaborar para o aparecimento mais frequente da síndrome por lá.

Exposição ao frio, coito excessivo, conflitos interpessoais e pressões socioculturais, são, resumidamente, fatores que podem levar à síndrome. Como o distúrbio é mental, o tratamento é feito através de acompanhamento psicológico. Psicoterapia pode regredir os sintomas e reajustar emocionalmente o doente. O tratamento habitual envolve também medicação antiansiedade ou antipsicótica, para ajudar o doente recuperar uma visão objetiva.

Fonte: http://hypescience.com/

3 comentários:

  1. cada uma q aparece. se esses caras acham q seu membro tá encolhendo (q por sinal, são os maiores do planeta), o que pensariam os japoneses?

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  2. Sinistro... mas tive que rir da parte "colocar talas para evitar a retração"...

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  3. o assunto é serio ,mais eu caguei de rir kkkk imagina o cara amarrando o pingolim e falando pro avô segurar kkkk

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