domingo, 2 de março de 2014

Quanto tempo o cérebro reage depois de termos a cabeça decepada?

Em um momento na história, a decapitação era um dos métodos preferidos de execução, em parte graças à guilhotina. Embora muitos países que executam criminosos tenham acabado com este método, ele ainda é usado por certos governos, terroristas e outros.

Não há nada mais final do que arrancar a cabeça de alguém. A guilhotina surgiu devido ao desejo de uma morte rápida e relativamente humana. Mas quão rápida ela é? Se sua cabeça fosse cortada fora, você ainda seria capaz de ver ou movê-la, mesmo que por alguns segundos?

Esse conceito apareceu pela primeira vez durante a revolução Francesa, período em que a guilhotina foi criada. Em julho de 1793, uma mulher chamada Charlotte Corday foi executada pela guilhotina pelo assassinato de Jean-Paul Marat, jornalista radical, político e revolucionário. Marat era adorado por suas ideias, e a massa que esperava a guilhotina estava ansiosa para ver Corday pagar. Depois que a lâmina desceu e a cabeça de Corday caiu, um dos executores a pegou e deu um tapa em sua bochecha. De acordo com testemunhas, os olhos de Corday viraram e olharam para o homem, e seu rosto mudou para uma expressão de indignação. Depois desse incidente, pessoas executadas pela guilhotina durante a Revolução eram instadas a piscar na sequência, e testemunhas afirmaram que a piscada ocorria por até 30 segundos.

Em 1989, de acordo com o portal LiveScience, um veterano do exército disse ter visto um amigo decapitado em um acidente de carro, na qual a cabeça separada do corpo mostrou emoções e choque, seguido de terror e tristeza. Seus olhos olharam para trás, em direção ao seu corpo separado.

Outro conto frequentemente contado de demonstração de consciência seguindo a degola data de 1905. O médico francês Gabriel Beaurieux testemunhou a degola de um homem chamado Languille. Ele escreveu que imediatamente após a decapitação, "as pálpebras e os lábios... moveram-se em contrações rítmicas irregulares por cerca de cinco ou seis segundos". Beaurieux chamou o nome de Languille e disse que as pálpebras dele "abriram-se devagar, sem qualquer contração espasmódica" e que "suas pupilas se focaram". Isso aconteceu uma segunda vez, mas na terceira vez que Beaurieux chamou por Languille, não obteve resposta.

Essas histórias parecem dar credibilidade à ideia de que é possível para alguém permanecer consciente, mesmo que por alguns segundos, depois de ser decapitado. Contudo, os médicos mais modernos acreditam que as reações descritas  acima são, na verdade, movimentos reflexos dos músculos, em vez de movimento consciente e deliberado. Existe uma diferença entre estar vivo, e estar consciente. Separado do coração (e, por consequência, do oxigênio), o cérebro imediatamente entra em coma e começa a morrer. De acordo com Harold Hillman, a consciência é provavelmente perdida entre 2 e 3 segundos, devidos à rápida queda do bombeamento do sangue intracraniano.

Por isso, embora não seja inteiramente impossível para alguém ainda estar consciente depois de ter a cabeça cortada, não é provável. Hillman também aponta que a assim chamada guilhotina indolor é qualquer coisa menos isso. Ele declara que "a morte ocorre devido à separação do cérebro e da medula espinhal, depois da transecção dos tecidos que a cercam. Isso causa dor aguda e possivelmente severa". Essa é um das razões pelas quais a guilhotina, e a decapitação em geral, não é mais um método de execução aceito em muitos países com pena capital.

Ainda há médicos que acreditam que uma cabeça decepada pode se manter viva no máximo por 13 segundos, com ligeira variação dependendo das condições de saúde e circunstâncias da decapitação. O simples ato de separar uma cabeça do corpo não é o que mata o cérebro e sim, a falta de oxigênio e de outros produtos químicos importantes que são fornecidos através da circulação sanguínea. Segundo especialistas, 13 segundos é o tempo que os fosfatos presentes do citocromos têm para manter o cérebro ativo sem recarga de oxigênio e glicose. O tempo de morte cerebral dependerá do quanto oxigênio e outros produtos químicos estavam no cérebro no momento da decapitação. Eles garantem que é possível que os olhos possam se mover por resquícios de um impulso nervoso.

Agora, manter o cérebro consciente a ponto de perceber o que aconteceu é uma questão considerada impossível. Em uma decapitação, mesmo o cérebro se mantendo quimicamente vivo por alguns segundos, a consciência certamente cessaria imediatamente, causada pela perda de pressão arterial e pelo forte golpe levado durante o processo. É muito improvável que a cabeça tenha consciência da situação pós decapitação. Mas os especialistas não descartam que seja possível que algum movimento nos olhos e boca possa ser percebido em uma situação dessas.

Mas o que sente a pessoa ao ser decapitada? 

O que se sabe é que a pessoa pode demorar alguns segundos para ocorrer a morte cerebral, como já foi abordado, agora quanto a ser rápida e indolor tudo depende do ponto que é atingido no pescoço e a velocidade do golpe... E levando em conta os relatos já documentados isso daria para as pessoas decapitadas alguns segundos de uma experiência terrível antes da morte.

Fontes:
http://saude.hsw.uol.com.br/
http://diariodebiologia.com/
http://www.jualfiquepordentrodetudo.com/
http://www.southstorm.com.br/
http://www.jornalciencia.com/

3 comentários:

  1. É realmente uma ótima escolha para se fazer uma matéria... Eu sempre fiquei muito curioso para saber sobre essa questão: há possibilidade de vivermos, ao menos um pouco, depois de perdermos a cabeça?

    Gostei! \o/

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