terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Ma-No-Umi

Do outro lado do globo terrestre, a meio mundo de distância do infame Triângulo das Bermudas existe uma região oceânica que também é notória pelo desaparecimento de aviões e navios.


Os japoneses estão cientes dos perigos dessa área faz mais de um milênio. Eles o chamam de Ma-no-Umi: o Mar do Diabo. Há séculos, homens do mar atribuíram misteriosos desaparecimentos de embarcações pesqueiras, naquela região, ao ataque  letal de demônios marinhos e dragões das profundezas. Monstros que vinham à superfície para destruir embarcações e arrastar seus ocupantes para as águas profundas a fim de devorá-los. Não é coincidência que a extensa área no oeste do Pacífico seja chamada também de Triângulo do Dragão, pois diante de eventos trágicos, que não podiam ser logicamente explicados, o sobrenatural se tornava a resposta mais conveniente.

No caso do Triângulo das Bermudas, os desparecimentos súbitos de aviões e navios tem sido atribuídos a anomalias eletro-magnéticas, alterações climáticas inesperadas, e mesmo a ação de alienígenas que sequestram tripulantes e marinheiros para experimentos. Nos últimos vinte anos, o Triângulo se tornou um fenômeno de popularidade - ou notoriedade - ao redor do mundo, como foco de incontáveis mistérios. Inúmeros livros, para não mencionar revistas, filmes, documentários, artigos de jornais, tentam explicar os desparecimentos, assim como outros estranhos fenômenos associado a essa região do Atlântico.

Menos conhecido no ocidente, o Ma-no-Umi compartilha características semelhantes ao Triângulo das Bermudas. As duas áreas são famosas por apresentar estranhas variações nas leituras de direcionamento; as bússolas muitas vezes, simplesmente deixam de funcionar. Também é uma característica comum o funcionamento errático de transmissões de rádio, a formação de ondas repentinas, tremores marinhos, tufões, enormes redemoinhos e estranhos nevoeiros localizados.

Acima de tudo, as duas áreas apresentam uma grande quantidade de desaparecimentos de veículos aéreos e marítimos, junto com tripulação e passageiros, sem deixar vestígios ou destroços que indiquem a razão de seu sumiço. Mais importante do que o simples desaparecimento de veículos e carga é a perda de centenas de vidas.

Assim como nas Bermudas, o Triângulo do Dragão no Pacífico Ocidental é uma área que forma um padrão geométrico triangular. Ele segue uma linha reta a oeste do Japão até um ponto no Pacífico aproximadamente nos 145 graus de latitude leste. O vértice segue para sudoeste até a ilha de Ogasawara Shinto e então retorna para o norte até a Baía de Tóquio no Japão. O Triângulo das Bermudas compreende os estreitos da Flórida, até as Bermudas, seguindo para as Antilhas e de volta a Flórida.

Os dois ocupam áreas em lados opostos da Terra. Contudo, ambos estão localizados em 35 graus de longitude oeste e leste respectivamente. Isso significa que, se estendermos o limite ocidental do Triângulo das Bermudas até 50 graus de latitude norte e seguirmos até o outro extremo do globo, descobriremos que ele toca um vértice do Triângulo do Dragão. Em outras palavras, os dois triângulos estão em lados opostos do mundo em longitude e latitude.

Além disso, as duas áreas apresentam águas extremamente profundas. O leito marinho no Triângulo das Bermudas possui algumas áreas rasas, mas que em certos pontos sofre uma acentuada depressão. A trincheira submarina ao norte de Porto Rico que se estende até o Caribe, está entre as mais profundas do Oceano Atlântico. Nos limites do Triângulo do Dragão, existem grandes recessos de profundezas oceânicas - os cânions submersos de Ogasawara, as trincheiras submarinas das Filipinas e é claro as Fossas Marianas. Em 1960, o batiscafo americano Trieste tocou o fundo das Fossas Marianas determinando que a profundidade máxima é de 36,198 pés. Se o Monte Everest, que tem 29,028 de altura, fosse depositado nesse abismo, ele ainda ficaria submerso por mais de uma milha.

Existe a possibilidade factual de que haja formas de vida submarinas ainda desconhecidas habitando as profundezas insondáveis em ambas localidades. Cientistas e oceanógrafos concordam que o conhecimento  a respeito desses verdadeiros abismos submarinos é muito pouco. Comparativamente, sabe-se mais a respeito do espaço ou da superfície de outros planetas do que a respeito desses lugares.

Outro elemento identificado nos dois triângulos diz respeito as linhas agônicas (do grego "sem ângulo"). Essas linhas invisíveis, servem para medir a força do campo magnético da Terra. Os polos magnéticos norte e sul não coincidem exatamente com as coordenadas geográficas dos meridianos de longitude, causando uma declinação magnética. Os meridianos que aparecem nos mapas, fornecem coordenadas exatas em graus, mas um local com linhas agônicas há sensíveis variações. Em certos lugares do planeta, a agulha das bússolas não aponta para o norte, o que ocasiona leituras confusas e pode tirar embarcações do curso. O princípio das linhas agônicas no hemisfério Oeste pode ser encontrado na área do Triângulo das Bermudas, enquanto o principal ponto de linha agônica no hemisfério Leste está compreendido no Triângulo do Dragão. Em ambas as áreas as linhas agônicas influenciam leituras e alteram a rota de embarcações. Porque isso ocorre justamente nesses limites, ainda não se sabe.


Já em 1930, o Observatório Marinho Internacional alertava embarcações a respeito de perturbações magnéticas nas proximidades da Ilha de Sumbawa na Indonésia, uma condição que podia alterar as leituras de bússola em mais de 6 graus. O Capitão James Stutt do navio Austrália registrou em 1940 uma anomalia magnética, tão potente que alterava a leitura em mais de 12 graus! O suficiente para lançar o navio em uma rota totalmente divergente do traçado.

O Triângulo das Bermudas atrai a atenção do público desde dezembro de 1945, quando uma esquadrilha de cinco bombardeiros Aztec Avenger desapareceram entre a costa da Flórida e as Bahamas, seguido do misterioso desaparecimento de um avião de busca Martin Mariner. A procura por essa patrulha perdida envolveu centenas de aviões e navios, mas mesmo assim, nenhum destroço ou pista que pudesse lançar uma luz sobre o destino daqueles homens, foi encontrada. As derradeiras mensagens de rádio dos aviadores , afirmavam que eles estavam voando sobre uma ilha que não constava em seus mapas, o que indicava que eles "não estavam onde deveriam".

Seria possível que uma perturbação magnética os tivesse tirado tanto de sua rota? O que poderia fazer com que aviadores, alguns deles extremamente experientes se perdessem de tal forma? Algumas teorias chegam a afirmar que os aviões de alguma maneira poderiam ter atravessado uma área de timeslip, que os catapultou no passado, em um tempo que ilhas diferentes despontavam na costa da Flórida.

Não menos intrigantes são os incidentes ocorridos no Triângulo do Dragão. Os marinheiros japoneses e das ilhas próximas conhecem bem a fama dessa extensa área. Navios vem desaparecendo nessa região há mais de mil anos (alguns pesquisadores defendem que há relatos ainda mais antigos!). Documentos dos tempos das dinastias chinesas Sung e Yuang e remanescentes do período medieval do japonês alertam os marinheiros sobre os perigos de se navegar por estas águas.

Lendas chinesas que remontam ao ano 900 a.C falam de um colossal dragão que dorme abaixo de uma ilha a cinco ou seis dias de veleiro de Suzhou, na província costeira de Kiangsu (bem no centro do Triângulo do Dragão). Mesmo em dias sem vento, o mar nessa área se mostra agitado e no entorno da ilha, recifes traiçoeiros surgem repentinamente dificultando a passagem. Segundo o folclore as ondas repentinas se formavam quando o dragão se agita nas profundezas, enquanto os recifes seriam na verdade os espinhos das costas do monstro. Além disso, sons guturais, os urros da fera e um horrendo cheiro, supostamente o fedor da besta, podiam ser percebidos pelos tripulantes dos navios que por ali navegavam.

Uma anotação no diário de bordo de um capitão chinês afirma que certa noite, a tripulação foi despertada por um intenso brilho esverdeado vindo das profundezas. O brilho era tamanho que era possível ver vários metros abaixo da superfície.  "O olho do dragão" disseram alguns marinheiros supersticiosos. A anotação é do século V a.C.  

Mas não é apenas superstição o fato de muitos navios simplesmente sumirem no Triângulo do Dragão. Registros da marinha mercantil são comuns desde o século XVII. Em 1698 um oficial holandês no Japão escreveu que os marinheiros locais não navegavam em determinadas épocas do ano por temer que um dragão estivesse desperto nesse período. "Navios não saem do porto e capitães não se arriscam" escreveu ele aos seus superiores. Em outra carta, ele fala de um navio mercante português que se encaminhava para a Baía de Tóquio e jamais chegou ao seu destino: "Afundado pelo Dragão" concluía o registro.

O fato de tantos navios terem afundado ao longo da história naquela região, sem deixar sobreviventes, restos ou destroços indica que algo estranho ocorre. Talvez exista algo mais do que velhas superstições de marinheiros.

Durante a Segunda Guerra, a Marinha Imperial japonesa reportou o desaparecimento de um elevado número de barcos de patrulha e fragatas leves na área. Em tempos de guerra, naturalmente os navios poderiam ter sido afundados por inimigos, mas como explicar a ausência de sobreviventes ou destroços que evidenciassem um naufrágio. Analistas da marinha concluíram que pelo menos 14 embarcações leves desapareceram na costa leste do Japão em meados de 1945. Nenhum deles foi oficialmente reconhecido como atacado pelos inimigos, jamais emitiram pedidos de ajuda ou comunicados de ataque e até hoje não se sabe o paradeiro deles ou da tripulação que os compunha.

No caso mais enigmático, nada menos do que cinco navios de guerra japoneses, desapareceram no início de 1942 enquanto realizavam manobras na costa. A frota era composta por três fragatas de apoio, um navio caça minas e um destróier. O que aconteceu com essas embarcações jamais foi determinado. É extremamente improvável que eles tenham sido afundados por ataques inimigos, já que nos tumultuados dias do início da guerra, nem os Estados Unidos e nem a Grã-Bretanha dispunham de navios ou submarinos na região. O contra-ataque aéreo americano planejado pelo Coronel James Dolittle ainda estava a meses de ser realizado, bem como a Batalha de Midway, quando os japoneses teriam pesadas baixas. Se os Aliados tivessem sido responsáveis por afundar essa frota eles sem dúvida comemorariam o feito, no entanto, até o final da Guerra no Pacífico, observadores da marinha americana acreditavam que o destróier ainda estivesse em ação.

Após a guerra, os desaparecimentos de embarcações sobretudo barcos de pesca continuaram. Em 1950, a Administração Geral da Indústria Pesqueira do Japão proclamou as ilhas de Iza e Ogasawara como áreas oficiais de perigo para navegação. Isso após o desaparecimento de três barcos de pesca ao longo do ano de 1949. Na ocasião, minas submarinas deixadas durante a guerra foram a explicação encontrada, mas a despeito disso, nenhum destroço chegou a superfície. Entre 1949 e 1954, mais de dez grandes barcos  pesqueiros desapareceram na área.  

Quando os Estados Unidos venceram a guerra e iniciaram a ocupação do Japão, houve casos de misteriosos desaparecimentos de navios com a bandeira norte-americana. Uma embarcação proveniente das Filipinas que trazia soldados e famílias, desapareceu em 1951 sem deixar vestígios próximos ao infame Arquipélago de Iza. No ano seguinte, uma fragata da guarda costeira com oito homens à bordo sumiu. Mais uma vez culpou-se minas submarinas e alguns até sugeriram a remota possibilidade de haver um submarino japonês cuja tripulação continuava travando a guerra apesar da rendição. Nenhuma prova foi encontrada para sugerir o que pode ter ocorrido,

Naquele que talvez seja o caso mais estranho, um navio de exploração científica, o Kaiyo Maru No. 5, desapareceu em 24 de setembro de 1952. Ironicamente a missão do navio era tentar desvendar os mistérios da região e apurar porque tantos navios se perdiam ali. Seu desaparecimento é especialmente intrigante, pois na véspera, o mar estava calmo e as condições de tempo eram excelentes. Embora o navio transportasse 150 toneladas de óleo combustível, nenhuma mancha foi vista na superfície e a última comunicação de rádio foi normal.

Meses depois do desaparecimento, um navio mercante retirou do mar oito barris de óleo, supostamente da expedição. Nenhum deles estava danificado. Encontraram ainda um bote salva vidas com o nome do Kaiyo Maru No. 5 pintado na lateral, mas ninguém à bordo. O fato mais assustador sobre o navio de pesquisa talvez sejam as misteriosas transmissões de rádio que certos navios alegam captar de tempos em tempos. Nela, uma mensagem em japonês é repetida várias vezes:

"Estamos encontrando dificuldades para determinar nossa localização! Pedimos socorro de quaisquer embarcações na área! Esse é o navio de pesquisas japonês Kaiyo Maru No.5, alguém ouvindo?" A misteriosa mensagem chegou a ser gravada por um navio japonês em 1976, mas ninguém jamais conseguiu manter contato.

Diante dos rumores e estórias sobre o Triângulo do Diabo, muitos marinheiros ainda acreditam que um imenso dragão, o Li-Lung (Rei Dragão) seja responsável pelos desaparecimentos na área e que navios inteiros são engolidos.

Na ausência de uma explicação, esta crença parece tão válida quanto qualquer outra.

Postagem Original: Mundo Tentacular

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