sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A Bailarina Fantasma do Teatro José de Alencar

Palco e Plateia do Teatro José de Alencar, que à época não dispunha
de iluminação cênica adequada e utilizava uma gambiarra suspensa
nas colunas da plateia.
É difícil encontrar por aí um teatro histórico que não seja frequentado por fantasmas. Alguns costumam ter seus fantasmas fixos! Eles estão no cinema, na literatura e, claro, no palco. Às vezes são brincalhões, outras, assustadores. Há quem diga que são só lendas e há quem jure que eles existem de fato.

Dentre os casos relatados, o mais emblemático no País, é o espancamento dos atores no andar subterrâneo do Teatro Ruth Escobar (SP), em 1968. O Comando de Caça aos Comunistas (CCC) invadiu o teatro e feriu todos do elenco da peça “Roda Viva”, alguns gravemente. Após esse acontecimento, muitos atores não gostam de se apresentar no local. Dizem que há assombrações que carregam o ambiente com energia negativa.

No nordeste, especificamente no Teatro Santa Rosa, na Paraíba, funcionários antigos do local contam diversas histórias de instrumentos que tocavam sozinhos, fortes barulhos no palco e até aparições de imagens de pessoas que já morreram.

Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em cartão postal de 1909,
onde o fantasma do poeta Olavo Bilac, falecido em 1918,
foi visto vagando pelos corredores.
Embora muitos não acreditem, os mistérios existem e são contados frequentemente pelos que trabalham nos espaços cênicos. No Teatro Municipal do Rio de Janeiro, o espírito de uma bailarina, que teria morrido em frente ao prédio, no dia de sua formatura, e do poeta Olavo Bilac, que fez um discurso na inauguração do teatro, em 1909, foram vistos vagando pelas dependências do teatro por muitos funcionários.

No Teatro Amazonas também ocorrem fatos que deixam tanto o público quanto os artistas, no mínimo, intrigados. Em 2009, o cantor Edson Cordeiro fez uma série de apresentações no local. Dizem que a sala estava sempre lotada, exceto pela poltrona de número 13, que tinha sido reservada para todas as apresentações, mas em nenhuma delas esteve ocupada.

Teatro Santa Roza, em João Pessoa, onde acontecimentos inexplicáveis mexem com o imaginário dos funcionários: passos misteriosos quando o teatro está vazio, vozes e sussurros perdidos pelos corredores, piano que toca sozinho etc...


Na América do Sul, ainda há casos de assombrações em diversos teatros de Buenos Aires (Argentina), como o Teatro Nacional Cervantes, o Lola Membrieves e o Broadway. Em Londres, o Royal Drury Lane, o teatro mais antigo da cidade – que data de 1812 –, guarda muitas histórias de fantasmas que rodeiam seus bastidores.

Dizem que lá vive o fantasma do pai do clown moderno, Joseph Grimaldi (1778-1837). Segundo relatos, o artista fez um pedido antes de morrer: que sua cabeça fosse separada de seu corpo na hora do enterro. Coincidentemente – ou não – funcionários e atores afirmam ter visto um vulto sem cabeça.

O fantasma mais famoso do teatro, no entanto, é o Man in Grey (Homem de Cinza), que sempre aparece entre as 10h e as 16h, vestido com um traje cinza e um chapéu de três pontas, similar àqueles usados pelos Lords ingleses no século 18. Sua aparição foi testemunhada por mais da metade do elenco de “The Dancing Years”, que se reunia para uma foto, quando o espectro apareceu, cruzou a plateia superior e desapareceu.

A Bailarina Fantasma do José de Alencar

Teatro José de Alencar em 1939.

O dia 17 de junho de 1910 marcou a inauguração de um dos mais belos teatros de todo o Brasil: o Teatro José de Alencar. A casa de espetáculos foi entregue ao público da província pelo Presidente Nogueira Accioly, com direito a longo discurso proferido por Júlio César da Fonseca, um dos maiores oradoras da época. Desde então a bela estrutura de ferro é o maior  referencial da Praça José de Alencar e um dos maiores da cidade de Fortaleza.

Não se sabe ao certo quando tudo começou, mas a história é antiga. Alguns funcionários e frequentadores do Teatro juram ter visto o fantasma de uma bailarina rondando o palco e os corredores do local. Segundo os relatos, ela aparece de repente, em meio a uma brisa gelada, quase transparente e com voz sussurrada. A assombração não só aparece constantemente, como faz piruetas e outros passos de balé. De acordo com funcionários e visitantes, trata-se de uma jovem mulher, com vestido azul e longos cabelos. E não some sem antes dizer: “Eu preciso ensaiar”.  

Diante de tantos relatos como estes, existe uma "ferramenta" utilizada para espantar estes seres que aparecem e, muitas vezes, assustam quem os vê: é a ghost light (luz fantasma). Em sua pura definição, a luz, localizada ao lado esquerdo do palco, é acesa quando todas as outras estão apagadas, evitando, principalmente, que os atores caiam do palco, pisem ou tropecem em adereços.

Entretanto, com base em algumas superstições, as ghost lights são usadas para manter os fantasmas longe do palco. Além disso, dizem que ter, ao menos, uma luz acesa espanta a má sorte e a tristeza.

A escritora Socorro Acioli se interessou pelo caso e decidiu frequentar o teatro, à noite, para "sentir" a presença da bailarina. A partir das sensações e das informações que conseguiu, escreveu o livro “A Bailarina Fantasma”


Jornal Diário do Nordeste

2 comentários:

  1. tanto o texto quanto as fotos (exceto o da escritora) são do Blog Fortaleza em Fotos e Fatos. confira:
    http://fortalezaemfotos.blogspot.com.br/2012/03/o-fantasma-da-bailarina-do-teatro-jose.html

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