domingo, 16 de junho de 2013

A noiva silenciosa


Isto é um relato real. Não consigo descrever perfeitamente, tamanho o medo que senti no momento.

Estava em um sítio da minha cidade natal. O céu rural exibia estrelas nítidas e toda noite ficava as admirando, não tão interessado nos astros mas na espera talvez de algo de cunho sobrenatural mudar o curso de minha vida. Admito, sempre fui apaixonado pelo terror.

A vida noturna se manifestava sonora e, deitado no quintal, vi uma figura branca trançar entre as árvores. Ignorei-a pensando que era um vaca. Voltei os olhos ao teto estrelar por uns instantes, mas de canto do olho vi o branco penumbrar outra árvore. Não seria possível se mover tão rápido sem fazer qualquer grunhido, e senti o medo circular junto ao meu sangue, crescendo no mesmo ritmo do meu batimento cardíaco.

Mesmo com medo me movi até a figura, o corpo formigando. A imagem se focou e se transformou em uma mulher de vestido, com o rosto borrado, como em um sonho, onde não conseguimos distinguir rostos. Minha carne pesava ao pulsar do meu coração, mais em mais, o coração batendo como um tambor e eu congelava de dentro para fora. A figura pareceu estar mais perto ainda, e no susto perdi a sensação do corpo inteiro. Me sentia afundando em água fria, calma, tudo foi ficando leve. Lembrei-me de que quando você se depara com algo de outro plano, se a entidade não quiser interferir em seu caminho, você não sente medo nenhum. A mulher se aproximando cada vez mais, e eu entendi que repartíamos das mesmas sensações. Era como se a mulher sem rosto me mostrasse o que sentia.

Ela se aproximou tanto que minha visão foi coberta por um vidro branco, e eu ainda via as formas do sítio - mais via que sentia, mas é impossível explicar tal experiência pois é totalmente nova à conhecimentos mundanos e cotidianos.

Voltei para casa sonolento e sem um pingo de medo.
Deitado em minha cama, ouvi uma conversa de meus avós, meu avô dizendo "O homem matou sua noiva e se matou em seguida, nunca os conheci, a casa que moravam estava vazia, e não tinham documentos... Morei aqui por 40 anos e nunca os vi. Ela morreu com vestido de noiva, mas não me lembro de algum anúncio de casamento naquela época."

E na noite seguinte, sonhei com o meu corpo movendo e balançando calmamente, até que eu me cansava e deixava-me cair...

Perguntando na mesma manhã para meu avô, ele me contou que os cadáveres não tinham feridas e cicatrizes, só o sangue que cobria ambas as peles. E o medo renasceu, para toda vez que lembro disso me assombrar em incontáveis dias.

Enviado por: Yasser Oliveira

Fonte: http://www.boanoiteatodos.com.br/

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