domingo, 2 de dezembro de 2012

Slender Woman



Trevas, trevas...

Embora elas não me rodeiem completamente, elas me cegam. No céu negro e estrelado a lua cheia brilha através das copas das árvores , o único ponto de luz nessa escuridão, vem do coração de um pequeno rapaz, que esta perdido nesta floresta imensa á pelo menos uma hora. A lua o ilumina, mas eu não o vejo, existe uma névoa em torno de dele, que me faz enxergar apenas a luz que ele exala, aquela luz é meu único alimento, assim como seu sangue, sua dor.

Antes de me tornar essa coisa que sou hoje, eu não me alimentava da vitalidade de corações, eu era apenas uma enfermeira, eu ajudava as pessoas, e agora tenho de viver escondida em florestas, e quando estou com muita fome, até me arisco em entrar em algumas casas a noite.

Mas agora eu só vejo uma luz.

Ele olhava em volta freneticamente, temendo não estar sozinho, eu via seu interior, eu me camuflava entre os galhos, como ele poderia saber. Certamente, ele deveria ter notado que aqueles dois outros garotos tinham sumido do acampamento. E com toda sua bravura ele veio os procurar, sozinho. Sua imaginação começou a tomar conta de seus sentidos e sua frequência cardíaca aumentou.

Ele ouviu um galho estalar em algum lugar perto de dele, e de repente todas as histórias que foram contadas ao redor da fogueira na noite anterior vieram a tona em sua mente mais uma vez. Especialmente o que seu irmão havia dito... Qual era o nome da criatura que não tem rosto e ataca em florestas? Outro galho estalou um pouco mais distante dessa vez...

Sem boca, sem nariz. Ele me procurou loucamente ao seu redor, mas era impossível ver qualquer coisa neste nevoeiro.

“Ele supostamente vive nessa floresta, mas que é apenas uma história, certo?” O garoto falou consigo mesmo, deixando obviu, estar falando de mim, ou não exatamente.

Seus pensamentos se dissolveram quando ele viu o contorno de uma figura, mas não a de um homem. Era obviamente uma fêmea. Estava usando um vestido preto que parecia abraçá-la, ela tinha seios, e uma de suas pernas aparecia em uma fresta do vestido, apesar de desfigurada, ela um dia fora uma bela moça, modéstia parte.

O garoto esta paralisado, seus lindos olhos brilhantes, incapazes de desviar o olhar.

“Por que você esta tão assustado?” É o que eu gostaria de dizer se tivesse lábios.

Quando eu percebo, você esta vindo em minha direção. Há algo estranho com ele, parece inebriado com minha presença, e eu não consigo colocar minhas mãos sobre ele. A calma esta enchendo seu corpo como uma droga. Quando ele chega bem perto de mim, ele me olha de um jeito peculiar, como se me conhecesse.

Eu não podia ouvir seus pensamentos mas sei exatamente o que ele pensou.

“Seus belos olhos são a meia-noite, são o motivo de ter medo do escuro, sem alma, mas ainda sim eu estou atraído por ela, incapaz de desviar o olhar. O medo começa a me queimar, mas é imediatamente dizimado, por aquela aura demoníaca e angelical ao mesmo tempo.” 

Mas é ai que ele entra em pânico, quando percebe que não consegue parar de olhar.

O que ele não percebe é a boca... Ou a falta dela, melhor dizendo. Você está tão longe que você nem percebe. Seu corpo inteiro, exceto por seus olhos negros como tinta, é branco como um alabastro. Ele parou de andar, mas ainda parece estar se movendo em direção a mim, ou flutuando.

De repente eu o engulo, mas a única coisa que ele verá será uma nevoa negra, que antes você observava atentamente em meus olhos adoravelmente assassinos, e então tudo, se torna nada. Em um instante, ele deixa de existir.

Ela não tem alma, mas ela possui milhões. Ela é o conforto, e também o medo. Ela foi criada por uma criatura de morte, para que ele pudesse ter alguém também para amar...

Ela é Slender Woman.

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